13/08/2012 - Copyleft

O campo político latinoamericano

por Emir Sader em 13/08/2012 às 10:51



Emir Sader

No período histórico atual, o capitalismo assume o modelo neoliberal como sua forma predominante. Passou da hegemonia de um modelo regulador, keynesiano, a um modelo liberal de mercado. Concomitantemente à passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar e de um ciclo longo expansivo do capitalismo a um ciclo longo recessivo.

A linha divisória que organiza os campos políticos de enfrentamento se dá em torno dessa definição, entre o campo neoliberal e o campo posneoliberal. A luta anticapitalista assume a forma da luta antineoliberal, o neoliberalismo sendo a forma extremada de mercantilização que busca o capitalismo.

A América Latina, que foi a região do mundo com mais e mais radicais governos neoliberais, como reação a essa situação tornou-se o único continente com governos posneoliberais. Estes foram se estendendo na América do Sul, com modalidades mais radicais – como as da Venezuela, da Bolivia, do Equador – ou mais moderadas, como as do Brasil, da Argentina, do Uruguai.

Mas fazem parte do mesmo campo posneoliberal, fazem parte da construção de alternativas ao neoliberalismo. Tanto é assim, que participam juntos do Banco do Sul, do Mercosul, do Conselho Sulamericano de Defesa, entre outras instâncias.

Há dois pólos que articulam o campo político de enfrentamento: o pólo neoliberalismo e o pólo posneoliberal. Os seis governos mencionados – Venezuela, Brasil Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador – constituem o pólo pósneoliberal. Os do México, do Chile, da Costa Rica, do Panamá, entre outros, são os eixos do pólo neoliberal. Governos como os do Peru, da Colômbia, tentam se situar no meio do caminho entre os dois.

Os governos que constituem a ALBA não são um terceiro eixo, mas fazem parte do polo posneoliberal, como sua vertente mais radical. A unidade de todos esses governos, no marco das suas diferenças, que são menores em relação às diferenças contra o pólo neoliberal, é fundamental na luta pela superação do neoliberalismo.

Tags: Internacional,  Política




9 Comentários Insira o seu Coméntario !

Sergio Uliano - 21/08/2012
O governo Lula implantou uma política externa



ANTIMPERIALISTA sem usar radicalismo retórico. Isto é sinal de inteligência.

No sec. XX socialismo era sinônimo de ESTATIZAÇÃO.Aquele modelo, como sabemos, deu errado.

No sec. XXI está se iniciando uma discussão,a meu ver fecunda, que tem como foco ,TAMANHO do Estado e tamanho do mercado, na questão do socialismo.



Neste contexto, a reflexão do prof. Emir ganha sentido e vulto, mas é preciso aprofundá-la.



Sinteticamente, diria que neoliberalismo é sinônimo de mercado MÁXIMO e Estado MÍNIMO; enquanto a luta pelo socialismo implica em antimperialismo, fortalecimento do Estado e democratização da riquesa e dos direitos sociais.



Tudo isto sem ASFIXIAR o mercado. Veja o exemplo das atuais rformas em Cuba.


João Gabriel Vieira Bordin - 19/08/2012
Pós-neoliberais? Depois das sociedades pós-industriais, pós-capitalistas, pós-modernas, agora a mais nova novidade, com o perdão do pleonasmo, é o pós-neoliberalismo? Só na cabeça dos petistas o governo brasileiro da era PT não é neoliberal. Impressiona o nível de esquizofrenia a que chegaram.


Raimundo W. S. Melo - 19/08/2012
Vídeo imperdível !

Por culpa de Chávez

http://www.youtube.com/watch?v=lq6464raaJ4


Rodrigo Luis Veloso - 16/08/2012
Faltou dar as definições, significado dos adjetivos para o pensamento do autor. Eu estranho que apesar das recentes ondas privatistas, anti-grevistas e afins, do governo federal, o autor coloque o Brasil no campo de Venezuela e Equador. Se o Brasil representa atualmente o pós-neoliberalismo temos que começar a pensar em novos modelos, porque esse não vai se sustentar.


José Osivan Barbosa de Lima - 15/08/2012
O neoliberalismo foi o pior sistema político que surgiu nos últimos anos. Mas com a ajuda de Deus e a sabedoria do nosso povo nós estamos elegendo pessoas que sonham com um mundo melhor, mais justo e mais fraterno como foi o caso do ex-presidente Lula e a atual presidenta Dilma.


Luciano Baia - 14/08/2012
Prezado Professor, gostaria muito de concordar com suas afirmações, porém a dura realidade mostra que falta-nos verdadeiros lideres em nossa querida América latina. O sucateamento dos hospitais públicos e suas consequencias nefastas para nossa pobre população acompanhado de todo apoio do estado aos famigerados planos de saúde, mostra o quanto o PT mudou nos últimos anos ! Isso para não falar no alinhamento do governo brasileiros com os ideais do PIG para a educação pública no Brasil ! Na educação o que se vê é uma maquiagem para que o povo acredite que tudo está melhorando, quando na realidade as políticas educacionais implantadas por PSDB e seu sucessor PT estão levando Professores Universitários a ter de ensinar tabuada e Abcedário na Universidade por que o dinheiro que deveria ser usado lá na educação básica é usado, certamente, para fins mais nobres, considerados por nossa elite. Isso para não falar em Infra-estrutura, Transporte e etc... Diante dos fatos não dá para concordar com o Senhor ! Nossos pequenos burgueses de Brasília são meros instrumentos de aprofundamento caótico do velho e terrível neoliberalismo, para o nosso infortúnio !


ramon ramalho - 14/08/2012
Sobre a colombia, é um grave erro considerá-la "no meio do caminho", pois ademais de ser o GOVERNO MAIS NEOLIBERAL de todos, a situaçao colombiana é a mais tensa devido à guerra civil, crimes contra os direitos humanos a nivel de genocidios AINDA SAO COMUNS , tal como o desalojo de massas humanas para entregar terras a transnacionais (como as bananeras, o que faz da colombia uma verdadeira "republica das bananas").

Assim, Emir, haveria que fazer esta correçao, nesta boa leitura macrogeopolitica.

abraços.


Carlos Alberto - 13/08/2012
Prezado professor, pena que o atual governo brasileiro venha seguindo a risca os ditames liberais. Repassa o fundo público para mãos privadas. Nada mais liberal do que isso. Do outro lado, servidores públicos de pires não mão. Gostaria de ler uma análise sobre a relação do governo Dilma com os servidores públicos. Grato


Marcos Doniseti - 13/08/2012
O governo Dilma reduziu drasticamente a taxa básica de juros, usou os bancos públicos para reduzir os juros e tomar clientes dos bancos privados, está aumentando os investimentos públicos (inclusive usando financiamento do BNDES) e continua reajustando o salário mínimo acima da inflação em todos os anos, dando continuidade à política de recuperação do poder de compra iniciada no governo Lula.



Nenhuma destas medidas pode ser considerada neoliberal. Somente um doido poderá dizer algo assim.



Com relação aos servidores públicos, é bom separar o joio do trigo, pois várias das categorias paradas já são muito bem remuneradas, como é o caso da Polícia Federal.



Um agente da PF ganha, como salário inicial, R$ 7.818,00 mensais, o que equivale a 12,6 salários mínimos.



Isso ocorre num país em que 70% dos trabalhadores ganham ATÉ 3 salários mínimos e meros 3,1% dos trabalhadores ganham mais de 10 salários mínimos.



Logo, os agentes da PF são privilegiados, fazendo parte de uma elite bem remunerada.



Assim, porque entraram em greve, mesmo? Vá saber...