04/11/2013 - Copyleft

Por que a extrema esquerda fracassou

A extrema esquerda terminou tomando como seus inimigos fundamentais os governos progressistas na América Latina. Está isolada, em posturas denuncistas.

por Emir Sader em 04/11/2013 às 06:47



Emir Sader

Quando foram sendo eleitos governos na onda do fracasso e rejeição aos governos neoliberais, predominantes nos anos 1990 na América Latina, ao mesmo tempo foram se reconstituindo as forças de extrema esquerda, na critica desses governos.

Nenhum deles foi poupado, mas inicialmente o governo Lula foi objeto mais concentrado dessas críticas. Motivos não pareciam faltar. Desde a “Carta aos brasileiros”, Lula parecia encaminhar-se para o abandono das teses históricas da esquerda, repetindo a experiência histórica que os trotskistas sempre anunciaram: a social democracia se comporta como força de esquerda, quando está na oposição, mas basta chegar ao governo, para romper com as teses históricas da esquerda, “traindo” a esquerda e os trabalhadores, para se revelar como uma manobra de engano do povo e de continuidade, sob outra forma dos governos da direita.

Uma equipe econômica conservadora, uma reforma regressiva da previdência, discurso tímido – tudo parecia confirmar a tese da “traição”. Cabia, perfeitamente, uma crítica pela esquerda, sobre a questão central do período: a superação do modelo neoliberal, que era feita pela esquerda do PT.

Discutia-se se o governo seguia estando sob disputa entre tendências conservadoras e de esquerda, até que um grupo considerou que era um governo “perdido”, saiu do PT e a fundou um novo partido. O grupo foi rapidamente hegemonizado por trotskistas (da tendência morenista, de origem na Argentina), que enquadravam a evolução do PT no governo no modelo clássico da “traição”.

Porém, ao invés de elaborar uma critica de esquerda e formular alternativas, rapidamente esse grupo pegou carona nas denúncias do “mensalão”, que a mídia lançou contra o PT. Fazendo com que a “traição” tivesse uma conotação de “corrupção”, como sintoma de uma degradação moral do governo.

A líder do grupo, Heloisa Helena, com seu destempero verbal, tratava o governo como “gangue” e com outros epítetos afins, tão ao gosto da classe média. Esse grupo, que supostamente saia pela esquerda para fundar o Psol, rapidamente somava-se, de maneira subordinada à ofensiva da direita contra o governo.

A campanha eleitoral de 2006 foi a consagração dessa aliança tácita: todos contra o governo Lula, inimigo fundamental de uns e dos outros.  Nela, o Psol consolidou sua opção pela critica moralista, da “traição” do Lula. Quem trai, se torna cada vez pior, reprime, reproduz exatamente o governo da direita. Dai as armadilhas em que caiu o Psol.

Se concentrou em tentar demonstrar, primeiro, que não teria havido “herança maldita”, desconhecendo totalmente a profunda e prolongada recessão produzida pelo governo FHC e a situação herdada do Estado, do mercado interno, da exclusão social, da precarização das relações de trabalho, entre outras. Pior ainda do que isso, passou a desconhecer – da mesma forma que a direita – as diferenças do governo Lula com o governo FHC, em particular a prioridade das políticas sociais.

Além de que desconhece que a polarização neoliberalismo/antineoliberalismo é o enfrentamento central do período histórico atual e, por isso, desconhece que o governo Lula faz parte do movimento histórico da região de construção de governos posneoliberais. Desconhece o papel dos novos governos latinoameicanos, como único polo mundial de resistencia ao neoliberalismo.

A aliança oportunista com a direita contra o governo Lula se deve à consciência de que só teriam espaço, se o PT fracassasse. Então se somam a essa frente, que toma o governo Lula como seu inimigo fundamental.

A essa aliança se soma a atitude ultra esquerdista de, no segundo turno, entre Lula e Alckmin, ficar equidistante, como se fosse o mesmo que ganhasse um ou outro. Imaginem o Alckmin presidente do Brasil diante da crise de 2008! Bastaria isso para nos darmos conta da posição absurda no segundo turno, mas coerente com a opção feita pelo Psol.

Depois do brilhareco momentâneo das eleições de 2006, em que o desempenho da Heloisa Helena, presidente o partido, chegou a ser vergonhoso, promovida pela Globo para permitir a chegada ao segundo turno, o perfil do partido claramente baixou. Se deram conta que seu projeto de construir uma alternativa nacional tinha fracassado. A candidatura de Marina, que herdou boa parte dos votos de Heloisa Helena, confirmou isso. As posições posteriores da ex-candidata complementaram a imagem de uma pessoa individualista, reacionária em relação a temas como  o aborto e a democratização dos meios de comunicação, descontrolada, sem condições de liderar um partido de esquerda.

Enquanto isso, ao invés de ser derrotado, o governo Lula, pelos efeitos das politicas sociais, foi ampliando seu apoio popular, de forma constante, até o fim do governo Lula, permitindo a eleição da Dilma.

O desempenho do candidato do Psol nas eleições seguintes, Plínio de Arruda Sampaio, que contou com muitos espaços na mídia, na mesma busca de votos para chegar ao segundo turno contra o PT, confirmou o fracasso politico do partido, quando teve 1% dos votos, menos até que outros grupos pequenos, com muito menos espaços na mídia. Desde então o partido tem uma postura de marcar posição, sem nunca ter formulado projeto estratégico alternativo para o Brasil, ficando reduzido a uma força do campo de denuncias do “mensalão”.

Enquanto que uma força de esquerda radical deveria, antes de tudo, ter uma analise especifica da sociedade brasileira, do grau de penetração do neoliberalismo, para propor um projeto de superação desse modelo, que articule antineoliberalismo com anticapitalismo. Deveria analisar o governo do PT reconhecendo os avanços realizados e apoia-los, ao mesmo tempo que criticar suas debilidades. Se propor a ser aliado do governo à sua esquerda, nos aspectos comuns e critico nos outros.

Teria que apoiar a política externa do governo, suas politicas sociais, seu resgate do papel ativo do Estado nos planos econômico e social. Que apoiar o conjunto de governos progressistas na região, que protagonizar os processos de integração regional.

Caracterizar o governo como  força progressista, força moderada no campo da esquerda, enquanto esse partido seria uma força mais radical do mesmo. Para isso precisaria ter clareza dos inimigos fundamentais, que compõem o campo da direita – EUA, PSDB e seus aliados, a mídia oligárquica, o sistema bancário. Para impedir qualquer risco de se confundir com a direita contra o governo.

Essa via foi inviabilizada pela opção que o Psol assumiu e reafirmou ao longo do governo do PT, isolando-se, sem apoio popular, valendo-se dos espaços que a mídia direitista lhe concede, quando entende que podem prejudicar o governo.
Virou um partido denuncista, de causas corretas e outras duvidosas. Nem sequer valoriza o imenso processo de democratização social que tem transformado positivamente o Brasil na ultima década.

Esse fracasso da extrema esquerda hoje na é generalizado nos países de governos progressistas – Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador -, com desempenhos mais ou menos similares, mas a mesma incapacidade de compreender a natureza do period histórico neoliberal e o papel progressista que tem esses governos. A extrema esquerda terminou tomando como seus inimigos fundamentais esses governos, aliando-se, tácita ou explicitamente à direita contra eles, abandonando a possibilidade de compor um quadro da esquerda, onde seriam a alternativa mais radical. Ficam isoladas, em posturas denuncistas, sem propostas alternativas. Enquanto que os governos progressistas, a esquerda na era neoliberal, se constituem, em escala mundial, na referência central na luta antineoliberal.

Tags: Política




24 Comentários Insira o seu Coméntario !

nilce marcondes - 25/11/2013
Sua análise é sintética, oportuna e fácil de entender. Mas, mesmo assim, lendo comentários, vejo que grande parte, simplesmente, não leu, e se pôs a comentar. Está tudo muito claro, e o cerne da questão é mesmo que os partidos que se autodefiniam como extrema-esquerda perderam o trem da história. Seus gurus não vislumbraram este momento para que eles repetissem. Mas, no entanto, Marx sim, anteviu o debacle do capitalismo exatamente dessa forma, Capital Produtivo X Capital Financeiro. O mal é que conhecem Marx não por ele próprio, mas pelos seguidores. Atentassem mais na leitura do próprio não estariam assim tão perdidos. E os trotskistas parecem ter um tipo de estrutura mental muito peculiar, muito rígida, que nada tem a ver com a dialética do materialismo histórico, e se assemelha bem mais com o pragmatismo ou positivismo da direita. Por isso, dificilmente acompanham a dinâmica da conjuntura atual. Enfim, infelizmente, estão tendo um encontro com a realidade. Para eles, tudo foi um sonho de juventude, na maturidade já não sabem como agir, e ainda se apoiam no PT, mesmo que para ajudar a detoná-lo. Devem mais é admitir que, embora tenham sido educados na tradição de sonhos socialistas, sua prática não coaduna com a renúncia, ação e paciência histórica que a consecução desse sonho exige. As coisas não são tão simples como eles pensam. O PSOL, por exemplo, se tanto ajudou no Movimento Passe Livre, por um ideal de transporte gratuito, por que não agiu, instituindo-o em suas duas prefeituras, dando o exemplo para as outras ? O que os impediu lá onde estariam com a faca e o queijo na mão ? Se fosse o PT assim o faria, nunca ficaria exigindo dos outros o que não fez. Não ouviram Marx quando disse que A AÇÃO VALE MAIS QUE A INTENÇÃO.


Artur Moret - 24/11/2013
É interessante observar o poder (não é o mesmo que governo) que não está nas mãos de nenhum partido e tampouco na mão do PT. Não vou entrar no mérito de ser ou não progressista, mas o governo do PT inovou ao colocar na mão de uma parcela enorme da sociedade dinheiro para alguma coisa, não é muito mais tem resultados importantes na economia.

O efeito do Bolsa Família na economia tem um fator multiplicador 2,4. Também, a quantidade de dinheiro que entra no Bolsa Família gira a roda da economia imediatamente porque não gera poupança, vai para o consumo e o efeito é interessante em todas as camadas: classe média (aumento até da classe média), classe alta (muito menos do que o aumento da média), muito ricos (aumento nenhum), bancos e etc.

Entretanto, para que isso ocorresse era necessário fazer uma acordo com poder: bancos, construtoras, grandes corporações etc, esses deveriam continuar ganhando muito dinheiro e cada vez mais.

Tentar governar! Porque ter o poder é uma ilusão


Ronan Melo - 11/11/2013
O Governo do PT tem muitos méritos, porém muitos são também seus desvios do caminho proposto e defendido quando estava na oposição. Há uma distância enorme entre o querer e o poder. Não se governa sozinho. Temos uma elite poderosa, que domina todo o Brasil. É preciso, primeiro, formar/politizar as massas, ensinando a diferença entre ser "de direita" e ser "de esquerda". Somente conquistando o coração das pessoas para os ideais da esquerda teremos maioria para conduzir nosso país em direção a uma sociedade mais justa. A esquerda radical precisa entender que estamos em um momento histórico de profundas mudanças e já passou da hora de unirmos todas as esquerdas para que o capital não interrompa nossos passos. Acusar o PT é fácil, mas vá lá fazer melhor! Mostrem suas propostas (factíveis, sem viagens fantásticas!). As elites brasileiras e mundiais serão muito mais receptivas à extrema esquerda, podem ter certeza disso!


venceslau alves de souza - 11/11/2013
Acho que estou enlouquecendo! Li o Professor Emir Sader chamar o Governo Petista de "progressista", e a Esquerda que o combate, de "Oportunista"... Chama o Glauber Rocha! Professor, vá a feira livre e coma um pastel. Observe quanta gente vem lhe pedir "um teco" ou "o resto do caldo de cana"! Aproveite e ande pelas ruas das cidades para ratificar o que direi agora: há mais gente cagando nas ruas do que em 2002... ano em que "o governo progressista se instalou confortavelmente no poder...


Rafael Franca Palmeira - 09/11/2013
Recomendo a leitura do excelente artigo "Emir Sader e o Rei do Camarote", no link a seguir, para compreender, em parte, porque o autor faz o ataque no artigo acima à esquerda combativa : http://www.desgovernar.com/?p=308


Rafael Franca Palmeira - 09/11/2013
Recomendo a leitura do excelente artigo "Emir Sader e o Rei do Camarote", no link a seguir, para compreender, em parte, porque o autor faz o ataque no artigo acima à esquerda combativa : http://www.desgovernar.com/?p=308


Dárcio Argento - 07/11/2013
interessante ler esse texto antes de rotularmos entre esquerda e extrema esquerda...

http://o-beco.planetaclix.pt/claus-ortlieb14.htm


Lais Borges - 07/11/2013
Fico imaginando um governo Plínio de Arruda Sampaio... em menos de 6 meses os generais de pijama ou não seriam reconvocados, e os basbaques estariam esperando o "povo" pegar em armas para defender a democracia... relendo a "doença infantil do esquerdismo" dá a impressão de que o texto foi escrito ontem....


flavio - 07/11/2013
Embora só tenha votado no PT na primeira eleição que o Lula concorreu me considero de centro esquerda melhor dizendo um social democrata que pensa que o ideal para os dias de hoje é a conjugação da economia de mercado com uma forte atuação na área social. O que ocorre no meu ponto de vista para as esquerdas não avançarem muito é uma divisão grande entre elas. Vejam que o PT ataca muito mais meu partido o PSDB e vice versa. Os ataques são maiores que os feitos ao PP herdeiro da ARENA. O meu avô e o meu pai iriam se revirar no túmulo se um dia eu viesse a votar em Arenista. O Lula nisto tudo teve um papel de desgaste pois ele e o PT sabem e muito bem destruir pontes com ataques em massa, deboches. Basta ver o que fizeram contra a Yeda aqui no RS. Dela o mínimo que se dizia que era uma velha decrépita e ladra. Até que não era feia e os roubos até hoje nem foi denunciada. Eu reconheço hoje tenho aversão ao PT e mais ainda ao PSOL pois pregam uma moral exarcebada mas não são lá uns anjos. Um alto dirigente do PSOL verdadeiro paladino da moral andava num carro de um falecido cometendo centenas de multas inclusive dirigindo na contramão. Ai fica difícil qualquer aproximação, ou composição. Por exemplo para votar um lei de taxação progressiva sobre as grandes fortunas mas é impossível composição entre agora já inimigos políticos. Hoje o PP é meu adversário e o PT é o inimigo. Em resumo quem está mandando hoje no pais de fato é a ARENA basta ver de onde vieram o Collor o Sarney, o Ranan, o Maluff, Nenhuma lei que interesse a Esquerda é votada no Congresso porque?


Carlos Lopes - 06/11/2013
Um homem deve saber, inteligentemente, o momento de retirar-se com grandeza. Teu momento passou Emir. Descanse em paz, não fará a minima falta.


Marcia Eloy - 06/11/2013
No Rio de Janeiro, eu conheço bem o pessoal que foi fundar o PSOL. Ouvi dentro da minha casa, em uma reunião, que não era bom para o PT vencer as eleições, pios p povo brasileiro não estava preparado pra o socialismo, era melhor ficar na oposição. Só que o povo brasileiro continua a não estar preparado para o socialismo e o PSOL nunca fez nada para prepara-lo. Denunciar é fácil, eu quero ver fazer.. Nunca fizeram nada,. a não ser criticar. Mostrem um programa melhor do que o PT, ou subam as favelas e politizem o povo. Sejam a "inteligência" russa no governo do PT. Para quem não sabe, a "inteligência" era um ramo socialista no regime czarista que ia para o campo, socializar os camponeses, em 1000, 800 eram mortos pelo regime czarista denunciados pelos próprios camponeses, que foram os últimos a aderir ao socialismo na Rússia, quem na verdade fez a Revolução Russa foram os trabalhadores, o campo veio a reboque. O PT nunca se propôs a fazer uma revolução socialista, Lula nunca foi um radical, sempre foi um negociador, mas quem se acha capaz pode fazer. Fico esperando.....


Cleusa Pozzetti Siba - 06/11/2013
Prezado Prof. Emir e demais participantes deste fórum, realmente não me decepcionei muito com o PT no poder, pois na realidade na primeira vez que tive oportunidade de votar , meu voto foi para o saudoso Brizola. Apesar, de não considerar o PT atual progressista, tendo em vista tantas medidas privatizantes, o Código Florestal, os transgênicos, a covardia em ceder à pressão do sistema financeiro com o aumento absurdo da taxa de juros, congelamento de salários dos servidores públicos federais, entre outros, ainda assim, meu voto em 2014 será para a Presidenta Dilma. Não gosto muito da maneira dela governar, mas entre ela, o Aécio entreguista e o vacilante e incógnito Eduardo Campos/Marina, fico com a Dilma, pois sei que com ela teremos oportunidade de avançar. Esses outros pregarão aquela velha retórica neoliberal de choque de gestão, etc, que nada mais são que arrocho salarial, desemprego e entrega absoluta de todas as nossas riquezas.


Roberto - 06/11/2013
É natural a miopia da extrema esquerda. Afinal como indicar e manter ministra a Luiza Helena ou a Marina? "qualquer" governo teria problemas com esse pessoal, e foi o que ocorreu com Lula. Imagina o "Dudu" colocando esse pessoal prá governar?


Paulo Cesar Polaco Zitelli - 05/12/2013
Para Emir Sader, existe a "esquerda do Emir", que fica no pedestal, acima do bem e do mal, aliás, a "esquerda do Emir" é o próprio bem. Esta é a esquerda que governa o país hoje. Também existe a extrema esquerda, a direita, a extrema direita. Todas estas opções políticas estão no inferno.

Depois de tanta vida, estudos, participação acadêmica, vejo na análise do Emir Sader apenas a incansável defesa do Governo do PT, que para ele é a única e perfeita opção política. Claro que ele não defende só o PT, defende Hugo Chavez, Evo Morales e outros.

A análise não considera que o Brasil era uma colônia e bla, bla, bla. Não percebe que, para sua infelicidade, não fosse FHC, o Lula estaria lutando contra a inflação, o peso da máquina estatal, desmandos, etc. Não estou dizendo, binariamente, que este é melhor que aquele. Só estou dizendo que há heranças positivas sim, mas isso dói para a "esquerda do Emir".

Engraçado que Emir e outros "intelectuais" adoram fazer análise histórica, mas esquecem-se que o mundo não acaba com o governo do PT, haverá, se Deus quiser, outras experiências, boas ou más, de esquerda, extrema esquerda, direita, extrema direita, não sei. O que importa é poder esperar que democraticamente venham outros governos.

Um dia é estilingue, outro é vidraça. Um dia é governo e outro oposição.

Este Governo já é criticado, porque, felizmente, existem outros pontos de vista. No futuro, espero que este Governo entregue as contas em ordem, um Estado fácil de governar, etc. Não adianta realizar todos os sonhos da "esquerda do Emir" e depois passar uma conta social e governamental para o próximo governante que, antes de governar terá que pagar as contas desta "esquerda".

Em suma, a análise do Emir é só uma análise antiga, sempre se equilibrando no ataque a esta ou aquela pessoa ou partido. Para se justificar, para apontar seus acertos, não há necessidade de falar de outras coisas.

Se pegar as 950 análises feitas por "autoridades intelectuais" que compõem a "esquerda do Emir" veremos sempre os mesmos argumentos.

Isso não é análise, é defesa partidária, postura militante, manipulação de fatos e informações.

Sim, a "esquerda do Emir" manipula informações tanto quanto a famigerada grande mídia.

Ao esconder os erros e só propagar os "acertos" do atual Governo não há manipulação de informação?

Ao ignorar os excessos políticos da "esquerda" e ressoar os excessos da "direita" não há manipulação?

Ao defender o chavismo e ignorar tudo o mais que acontece na Venezuela não há manipulação?

Ao falar da sua "esquerda" como algo puro, santo, imaculado, perfeito e democrático não há manipulação?

O fato de Lula viajar em jatinho de empresários para "fazer palestras", o fato de Zé Dirceu prestar consultoria para grandes empresários, nada disso é relevante para a "esquerda do Emir", porque esta "esquerda" é pura, suas ações são coerentes com seus discursos, etc, etc.

Negar o mensalão é como rejeitar um filho.

Claro que o mensalão mineiro é um fato consumado para a "esquerda do Emir", mas o do PT é mera perseguição da mídia, mesmo depois de anos de investigação, 10 mil páginas de documentos, defesa dos mais renomados advogados, julgamento e sentença.

Claro que a corrupção se justifica pelo bolsa família, bolsa isso e aquilo. Para a "esquerda do Emir", os fins justificam os meios.

Os excluídos estão matando a fome de acesso ao essencial e isso é ótimo. Depois passarão a ter senso crítico. Quero ver o Brasil repleto de senso crítico e não só "senso do Emir". Aí veremos se esta análise se justifica.

Estas muletas "perseguição da grande mídia", "direita malvada" não colam mais. Agora a "esquerda do Emir" está no poder.

Se fosse realista este tipo de argumento, a "esquerda do Emir" nem teria chegado ao poder.

Chegou ao poder graças ao FHC, mas como irmão ingrato fica apontando o dedo e negando sua origem.

Enfim, a "esquerda do Emir" não sabe se está à direita ou à esquerda. Por enquanto vai governando...



Jorge Oliveira - 05/11/2013
"Virou" extrema esquerda quem ficou firme durante o evidente e declarado deslocamento do PT para a direita na carta ao povo brasileiro (na verdade, tranquilizadora da elite brasileira). Logo Sarney, Delfim e outros engessos do regime militar e do domínio econômico viraram os principais conselheiros. Normal, o abraço ao Maluf, enquanto pessoas más intencionadas dizem ignorar, ou apoiam ou defendem as velhas malandragens com malas do dinheiro nacional e até dólares. Consideram perseguição, já que seus parceiros sempre agiram daquele jeito. Deve ser a tal flexibilização das (boas) regras .

Privatizações, desmatamento, renúncia fiscal e grandes subsídios para os já ricos jogarem no ralo das maracutaias financeiras. Pós-neoliberal ?! É preciso militância cega em governismo, para estes entusiasmados republicanos, tentarem carimbar um regime - que se acentua em liberalizar e fortalecer o capital - com seu viés economico-assistencialista, com essa miopia iluzionista.

Continuem classificando esta decepção da classe trabalhadora consciente de "governo progressista", pois está mais de acordo com o Delfim da embaixada dos 10% e o Sarney que o povo não esquece.

Hoje taxam os partidos de extrema esquerda - ou os ativistas de ação direta de "vândalos aliados à direita" - visando colocarem-se mais próximo do centro, entretanto já ultrapassaram este marco. Não se enganem. Fomos idiotas condusidos por direções políticas pragmáticas e profissionais, mas não tão idiotas para acreditar nessa balela de "pós" numa situação que não mudou. Aliás, nem participação popular existe nessa república de (intelectuais?) banas...


Rodrigo Ricoy Dias - 05/11/2013
O mensalão, como sempre costumo dizer, não foi um problema ético ou de compra de votos, o que, infelizmente, sempre foi feito e é uma distorção crônica dos governos de coalizão. O problema fundamental do mensalão é aquilo que mediante a remuneração dos deputados se comprou: entre outras coisas, uma reforma regressiva na previdência dos trabalhadores. Quer se queira ou não falar de traição, é preciso cobrar um mínimo de coerência daqueles que chegaram ao poder com forte apoio dos trabalhadores do setor público e da iniciativa privada, para ver seus representantes se agregarem aos interesses defendidos pelo grande capital. O governo não é progressista, e não tenho dúvida de que um plano como o Bolsa Família caberia perfeitamente num governo neoliberal, até como forma de amenizar uma política econômica que promove um crescimento pífio. Aliás, se fosse feito por um partido de centro ou direita seria prontamente denunciado pelo PT como eleitoreiro, como forma de angariar votos mediante esmolas, de comprar votos. Não é à toa que até agora não se transformou em lei: interessa ao PT manter a idéia de que é algo que pode ser perdido a qualquer momento caso se eleja outro partido. Não nos esqueçamos daquilo que era o PT na oposição. Ao menos aqui em São Paulo, grande parte dos votos angariados ao longo dos anos vem da visão do PT como um partido honesto mesmo por aqueles que não se identificam com ideais que um dia já foram de esquerda. Agora que se iguala a todos os demais, parece descabida a crítica ao PSOL.


Jorge Oliveira - 05/11/2013
Pô, não entra em algumas cabeças que "corrupção" não é coisa honesta, nem bem-vinda, nem motivo de ficar olhando sem se opor ou achar que não foi nada ou afirmar que nem foi. Mas a falácia (ou ironia) é sugerir que a "traição" seria até justificável criticar, mas acrescida de "corrupção", esta ser ignorada ? Explica aí, sr pós...graduado.


Nelson Breanza - 05/01/2014
Para entender bem o que significaria um governo progressista no Brasil, sugiro a leitura do brilhante texto do Prof. de economia da Unicamp Plínio de Arruda Sampaio Jr. http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7758:manchete241012&catid=26:economia&Itemid=58 . De fato o que fez o PT foi dar continuidade ao programa do PSDB / FHC, o tal da herança maldita, juntamente com uma conjuntura internacional favorável pode incrementar mais ainda o que outrora chamava pejorativamente de POLÍTICAS SOCIAIS COMPENSATÓRIAS, ou seja, mantem-se um modelo excludente, mas para que não haja possibilidade de insurgência, incrementa-se um conjunto de políticas, ou melhor, medidas que de fato não comprometem em absoluto o sistema desigual e excludente.


Marcelo Silva - 04/11/2013
pra que estudar anos estatística, se podemos ir à feira e ver quem pede um pedaço de pastel, para entender o mundo? obrigado, Venceslau, pela dica. sds.


Roberto Locatelli - 04/11/2013
A esquerda mais consequente está, hoje, militando no PT. Veja-se as chapas que estão a participar do PED (Processo de Eleição Direta) para a direção do PT.



Independente das posições, todas elas reconhecem o PT como o partido que está, ainda que timidamente, combatendo o neoliberalismo e o capital financeiro.


venceslau alves de souza - 04/11/2013
Acho que estou enlouquecendo! Li o Professor Emir Sader chamar o Governo Petista de "progressista", e a Esquerda que o combate, de "Oportunista"... Chama o Glauber! Professor, vá a feira livre e coma um pastel. Observe quanta gente vem lhe pedir "um teco" ou "o resto do caldo de cana! Aproveite e ande pelas ruas das cidades para ratificar o que direi agora: há mais gente cagando nas ruas do que em 2002... ano em que "o governo progressista se instalou confortavelmente no poder...


Fabio Oliveira - 04/11/2013
O grande desafio da esquerda - que sabe que a crítica pela esquerda ao governo do PT é importante, mas que também sabe que o denuncismo exacerbado do PSOL e do PSTU (este último que replica as teses do mensalão, sem se importar se é verdade ou não) não contribuem no acumulo de forças -, é se reagrupar. Para isto, as tendências internas do PT precisam somar forças (esta disputa do PED demonstra a vitalidade da esquerda no partido), e ao mesmo tempo os setores do PSOL repensarem este denuncismo absurdo que fazem. Se a esquerda detivesse uma leitura aproximada do que acontece no Brasil e no mundo hoje, entenderia a necessidade de diminuir as diferenças e engrandecer as convergências, para então se unir e se fortalecer.

Muitos vão dizer: "Ah, mas o PT não é mais de esquerda". Ao qual outros podem responder: "Então esquerda é o governo do PSOL em Macapá?". E no fim, continuaríamos na mesma situação em que nos encontramos hoje.

Diminuir o extremismo e repensar o papel da esquerda para formar um amplo bloco que dê conta de enfrentar o avanço das lutas de classes, num momento de prolongamento da crise mundial, no qual a burguesia se lança com tudo para a disputa. Neste jogo, o empate é derrota para a esquerda!


Vicente Antônio da Silva - 04/11/2013
Texto claro e correto. A extrema esquerda sempre será a doença infantil da politica, em qualquer pais.


ESMAEL LEITE DA SILVA - 03/01/2014
Nas décadas de 60 e 70, era comum nos meios da politica clandestina, a chamada "autocritica", impostas aos militantes com desvio pequeno burguês, análise de conjuntura e bola pra frente na unidade das esquerdas, atualmente alguns partidos de esquerda fazem muito mal esta análise ou agem de má fé, perderam qualidades e não adquiriram outras, exceto o PC do B, que tem uma grande carga teórica e prática entre seus militantes, tanto que foram eles que deram a direção na defesa do PT em 2005 e em 2006, enquanto os parlamentares do PT faziam papel de virgem carola pega durante o coito, sem embasamento teórico e embasbacados, ficaram ali parados com cara de viado que viu caxinguelê, mas enfim, conseguiram superar, coisas que PSOL, PSTU, PCO, não conseguem e nem procuram superar, o PPS sempre foi de direita, deixou de ser comunista e aderiu com todas as forças ao néo liberalismo, sob o comando de Roberto Freire que vendeu todos os arquivos do Partidão à Globo e dele não se espera nada, ele esta condenado a ser o que é, enfim esta na de aluns líderes destes partidos, retomarem os hábitos de 60 e 70 e lerem algo mais que seus manuais, como esta bela análise do eminente pensador Emir Sader, não basta eles pensarem, tem de repensar, ai haverá alguma esperança para eles e conseguirão tomar o trem ultra rápido da História. 2014 começou há muito tempo atrás, mas ainda dá tempo, tem de ser ligeiro, rsrsrsrsr Feliz Travessia de um novo tempo, a todos.