26/02/2012 - Copyleft

São Paulo para todos

por Emir Sader em 26/02/2012 às 09:05



Emir Sader

O significado da eleição em São Paulo

O campo politico brasileiro está constituído e polarizado entre o PT e o PSDB, desde o governo FHC, como polos que agrupam a esquerda e a direita realmente existentes. Essa configuração foi a segunda, desde o fim da ditadura, quando havia um mapa mais difuso, com o PMDB ocupando o centro do campo politico, com sua aliança com o PFL, que havia comandado a transição conservadora que tivemos, tendo o PDS mais à direita e o PT, o PDT, o PC do B, mais à esquerda.

Essa configuração foi sobre determinada pelo governo Sarney, surgido da aliança PMDB-PFL, passando pelo Colegio Eleitoral – que trocou Ulysses Guimarães por Tancredo Neves – e pela contingência da morte deste. Esse campo politico foi sendo esvaziado pela impotência do PMDB e seu desgaste por pagar o preço de um governo em que não era hegemônico.

O novo campo político passou por uma transição, marcada pela chegada da onda neoliberal através da candidatura e do governo Collor. Ao final desse projeto, prematuramente cortado pelo impeachment, se desenhou a configuração atual do campo político, com o deslocamento do PMDB e a assunção da aliança PSDB-PFL como novo eixo da direita, assumindo a continuidade reformulada do projeto neoliberal. Desde a passagem ao segundo turno do Lula e a disputa acirrada com o Collor em 1989, o PT passou a polarizar pela esquerda o campo político.

Neoliberalismo e resistência ao neoliberalismo marcaram ideologicamente o novo campo politico – e o definem até hoje. Ao encarnar o neoliberalismo aqui – depois que estava prestes a embarcar no governo Collor, quando do seu impeachment -, o PSDB assumiu o lugar de eixo político da direita brasileira, renovada, com o governo FHC e sua aliança com o então PFL. Como se viu pelas campanhas eleitorais posteriores, essa pecha nunca mais saiu dele – com as privatizações como sua marca essencial, mas acompanhada do Estado mínimo, da abertura acelerada do mercado interno, da precarização das relações de trabalho.

O PT, aliado à CUT, ao MST e ao conjunto dos partidos do campo da esquerda e aos movimentos sociais, esteve na resistência ao neoliberalismo, conseguindo frear a privatização já programada pelos tucanos da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica.

O triunfo do Lula fez com que seu governo aparecesse como o contraponto do modelo neoliberal encarnado pelos tucanos: prioridade das politicas sociais, fim da Alca e prioridade da integração regional e dos intercâmbios Sul-Sul, Estado indutor do crescimento econômico e garantia das políticas sociais e nao Estado mínimo que entregava a centralidade ao mercado.

Os PSDB se refugiou em São Paulo onde conseguiu manter sua hegemonia, controlando o governo do Estado e da cidade de Sao Paulo, por um conjunto de fatores, entre os quais não estão isentos erros do PT e da esquerda. O Estado foi guindado à posição de bastião da direita e do conservadorismo em escala nacional, pela associação com órgãos de imprensa – FSP, Estado, Editora Abril, Radio Jovem Pan, entre outros. Em mais de duas décadas, as únicas exceções foram os governos de Luiza Erundina e de Marta Suplicy, que não conseguiram reeleger-se.

A nova derrota tucana para a presidência da República não impediu que Alckmin se elegesse no primeiro turno para o governo do Estado. Porem a manobra serrista da aliança do Kassab contra Alckmin nas eleições anteriores para a prefeitura, terminou trazendo problemas para as hostes tucanas, pelo mau governo do Kassab e pela ausência de nomes para disputar sua sucessão.

Depois da farsa da consulta interna – em um universo de filiados que foi se revelando totalmente fictício, até chegar ao numero irrisório de 8 mil, sem a certeza de quantos votariam –, os tucanos apelaram para Serra como candidato (não importando como vão resolver a farsa da consulta interna). O que recoloca fortemente a polarização nacional no coração do núcleo de resistência tucana, agora com Lula diretamente envolvido – pelo candidato escolhido por ele e pela sua participação sem os limites da presidência da República.

O significado desse embate eleitoral é o de trazer para a cidade os grandes debates nacionais. A cidade e o Estado foram transformados profundamente conforme os critérios mercantis do neoliberalismo pelos governos tucanos. A esfera pública e, com ela, os direitos sociais, foram enfraquecida, em favor da esfera mercantil. O estado e a cidade mais ricos do pais – o segundo e o terceiro orçamentos do Brasil – não são, nem de longe, referência para o país em nenhum dos quesitos essenciais – condições de trabalho, educação, saúde, transporte, segurança, politicas culturais, habitação, políticas para a juventude, para as mulheres, para as diversidades étnica, sexuais e culturais, para a democratização dos meios de comunicação.

Ao contrário, a cidade de São Paulo, com toda a riqueza não apenas econômica, mas social, cultural, tornou-se uma cidade cruel, pelas condições péssimas em que vive a maioria da população. As elites paulistanas, que lograram impor seus interesses através dos tucanos e da mídia, oprimem, exploram e discriminam a grande maioria da população, que não encontrou até aqui formas eficientes no plano político para reverter essa situação.

A cidade de São Paulo tornou-se o epicentro do racismo e da discriminação no país, contra os pobres, contra os nordestinos, contra os homossexuais, contra os jovens pobres, contra todos os oprimidos, os humilhados, os marginalizados. Mais do que qualquer cidade do país, São Paulo precisa de um governo que priorize as políticas sociais e culturais, que a humanize, que difunda os sentimentos e as políticas de solidariedade. Que troque o atual sentimento de exclusão que prioriza as políticas tucanas pela ideia de que precisamos de uma SAO PAULO PARA TODOS.

Tags: Política




16 Comentários Insira o seu Coméntario !

romano - 28/02/2012
se fosse eleitor em sampa, não votaria em serra, que acaba de dar um salto tripo prá trás. O único que pode lhe permitir a sobrevivência política, mesmo dentro de seu partido, cujo governador o empurra decididamente para o precipício, de olho na reeleição, ou até quem sabe...

como sempre as decisões políticas longamente amadurecidas que o político paulista toma, o conduzem a erros políticos. Mas, convenhamos, na circunstância não teria outra coisa a fazer, já que não consegue sobreviver sem um cargo. O salto triplo prá tras de Serra, é algo assim, como Lula se candidatar a prefeito de são bernardo do campo. E coerente com toda sua história de politico eminentemente paulista -- o que não é pouco mas, pra quem se supõe talhado pra ser general em roma, é irrisório ser segundo sargento na Gália. Não bastasse, sua decisão depois do inédito processo de prévias, principal base do PSDB, tem o efeito de uma motoserra na unidade do seu partido, que mal se recupera das eleições gerais, perdidas sabe-se por quem. Mas, serra é muito preparado, como o sabemos, e já ouviu dizer que um salto triplo prá tras, pode ser o ponto de partida pra dar quatro a frente mais adiante. Serra gostaria de derrotar o candidato de lula, já que perdeu pro próprio e para a candidata escolhida por ele. Ele emergeria da eleição, se vitorioso, como o capaz de derrotar lula -- o que é um sonho de qualquer político de oposição -- se conseguir votos pra isso. Na prefeitura de são paulo vai fazer o que sempre fez, um projeto para sua próxima eleição a um cargo mais elevado. Quem se lembra da gestão de serra na prefeitura? E o que os paulistanos herdaram de suas maquinações políticas?...Além de tudo, Serra tem contra a si a história e a estatística: O útimo prefeito de são paulo que se tornou presidente depois de 1930, foi jânio quadros, personagem que foi também o último governador paulista, e sua eleição para presidente se deu em 1960, quando serra era menino. A propósito, o último governador de minas, eleito presidente, JK, foi eleito em 1955 -- irônica história, maldita estatística. Se olharmos os últimos prefeitos de são paulo, a partir das primeiras eleições diretas na capital, em 1985, o que se nota é um vai-e-vem, não é possível perceber hegemonia de qualquer partido e houve duas gestões do PT, aliás de duas mulheres, ambas guerreiras. Penso que o ar pode não estar para pássaros em são paulo, como nos quer fazer crer, como sempre, a grande midia. São Paulo, que não tem vocação pra ser o túmulo do samba, pode enterrar o tucano implume em seu próprio ninho. Vai ser uma boa para a democracia.


Darcy Brasil Rodrigues da Silva - 28/02/2012
Pedro Castro, eu não considero o PMDB um partido de esquerda.Porém não o considero também um partido de direita, igual ao PSDB. Creio que você acredita em duas coisas que eu jamais acreditarei, quando tento conceber uma tática- que , no seu caso parece se confundir também com a estratégia- para produzir a situação mais favorável POSSÍVEL, e não IDEAL, a partir de uma determinada luta institucional- que no seu caso parece também se amalgamar com as lutas sociais.E em que você parece acreditar e que eu não acredito? É que devemos fazer alianças somente com as forças políticas que entendemos que são de esquerda. Na minha opinião, devemos fazer alianças com as forças políticas que fortaleçam a nossa influência junto às classes sociais que desejamos representar, e que enfraqueçam,ao mesmo tempo, os principais inimigos destas mesmas classes, embora , sem dúvida, os nossos aliados também possam vir a se fortalecer,podendo ser inimigos secundários aos quais nos aliamos momentaneamente. A questão abordada pelo artigo é de fato "político-eleitoreira", pois é das eleições municipais paulistanas de que ele trata. Nesse caso, para mim ( e não necessariamente para o professor Emir e, talvez, para a maioria de seus leitores) o que realmente conta é como colocar na prefeitura de São Paulo um governo que produza uma situação mais favorável POSSÍVEL, e não IDEAL, para os interesses dos trabalhadores e da maioria da população paulistana,por um lado, e para o desenvolvimento das lutas sociais, da luta de classes, por outro lado. Ser mais, ser menos, ou não ser de esquerda,nesse caso, não está em questão, pelo menos não da forma como você a coloca. Eu sou o sujeito de esquerda, socialista até os tutanos, empenhado em usar todos os meus parcos conhecimentos de Ciência Política para resolver estas duas questões, por mim propostas, envolvidas nas eleições. Nela, o mais importante, do ponto de vista IDEAL seria a derrota do PSDB,em um extremo, e a vitória da esquerda, tal como você a considera, em outro extremo. Porém, não posso me deixar seduzir pelo IDEAL, senão fico jogando para a galera, tenho que tentar me antecipar, com a minha modesta capacidade de utilizar a Ciência Política, a conceber a situação POSSÍVEL que melhor se aproximaria de meu modelo ideal. Posso até errar, como qualquer um o poderia, mas não posso deixar de proceder dessa maneira, conf


alice franca leite - 28/02/2012
BOA,ZILDA! FALOU:CURTO E GROSSO!!!


Pedro Castro - 27/02/2012
Caro Emir,

Tenho varias duvidas sobre esse seu "significado das

eleições em São Paulo".

Primeiro porque embora o PT seja diferente do PSDB

e do atual DEMO, não sei até que ponto de fato ele e seus aliados se constituem em real "contraponto do modelo neoliberal".Ao meu ver. não obstante as diferenças nas fases FHC e Lula, continuamos neste modelo.

Segundo. apesar do aprofundamento por parte dos

governos federal e alguns estaduais do PT e seus aliados no tocante às politicas sociais, estas já existiam ainda que em menor escala, inclusive nos governos do PSDB, além de serem bandeiras do Banco Mundial já faz tempo, para os chamados paises em desenvolvimento e/ou emergentes.

Terceiro, como falar do conservadorismo e/ou reacionarismo da grande imprensa no Brasil citando apenas os principais veiculos de comunicação de São Paulo, ou seja, deixando de fora o poderoso sistema Globo?

Em quarto lugar, a impressão que me dava até agora,em relação às eleições municipais de 2012, é que wem São Pasulo havia ao menos um namoro inicial do PT com o Kassab e seu anódino PSD (cruz, credo!!!). Agora, ao aparecer no cenário a possivel candidatura do Serra vejo uma mudança casuistica de avaliação do conteudo ideologico das forças politicas em pugna no Brasil e também em São Paulo.

Afinal, não chega a algum exagero chamar o PMDB e mesmo o PT de partidos de esquerda no atual quadro

politico eleitoral do pais?

Finalmente, ao meu juizo, há certa forçação de barra em

considerar a polarização PT/PSDB como polarização entre esquerda e direita no Brasil. Parece-me uma

definição marcadamente fortuita e eleitoreira para

uma real distinção entre esquerda e direita no atual

quadro politico partidário brasileliro.



Luiz Palma - 27/02/2012
Caro sociólogo vc sabe que o poder é constituído de executivo, legislativo e judiciário. Partidos que compõem a Câmara Municipal de SP estão na base desse governo e tb no Federal. Há trocas de favores motivadas por interesses escusos por todos os lados e é isso que não pode continuar. Não seja simplista mesmo tendo muito prestigio para queimar. Aliás vc já vem fazendo isso com seus próprios companheiros de partido. Não ponha as coisas como se vivêssemos em uma capitania hereditária. Tucanos, ora, deixe as aves em paz e diga nome e endereço de quem quer afrontar. Coragem!

Luiz Palma - SP



Darcy Brasil Rodrigues da Silva - 27/02/2012
Sabe ,professor,não sei quem é o senhor Luiz Palma - e tenho certeza que ele também não sabe quem eu sou. Pensei que o conhecia, que já tinha ouvido o seu nome antes, mas de repente me sobreveio a razão da confusão: tratou-se de uma inevitável associação sonora de seu nome com o repetido jargão futebolístico "espalma".... A semelhança entre "espalma" e "Luiz Palma" é mesmo muito grande, o senhor há de convir, de modo que não, infelizmente, não conheço o senhor Luiz Palma. Sei apenas que ele ficou ofendido. Porém,uma coisa eu gostei: a defesa que fez dos "tucanos", mas não os fajutos, os detratores de uma imagem construída mesmo antes de os portugueses teriam por aqui aportado, mas sim os autêntico, os que foram - e continuam a ser sem quem haja para defendê-los em um tribunal pelos irreparáveis prejuízos morais que vêem sofrendo- difamados, denegridos em suas imagens. Veja-se só o nome da CPI cogitada: "CPI da privataria TUCANA". Isto não é justo com os autênticos tucanos. Que teriam eles, afinal,a ver com desvios de recursos públicos para paraísos fiscais, com a entrega a preço de banana de fim de feira de grandes empresas estratégicas nacionais? Qual deles, um único apenas, pode ser associado à Verônica Serra ou à Verônica Dantas? Por isto concordo: já passou da hora de os tucanos - os autênticos, repito- serem deixados em paz, como nos propõe Luz Palma. Para concluir, não sei por onde o Senhor anda "queimando o seu prestígio", muito menos quem seriam os seus colegas de partido com quem o senhor "já vem fazendo isso". Infelizmente, o senhor Luiz Palma desembarca por aqui, nesse portal democrático, joga farofa no ventilador, e - de uma forma bastante comum ao denuncismo de direita- parte tal como chegou,deixando no ar uma acusação, sem provas e sem direito de defesa.Agora voltando ás vacas magras, ou melhor , aos bois sem nome,se entre estes houver um malhado, proponho que o nome seja precisamente esse: malhado. Podemos também dar o nome de Serra a um, de Alckmin, a outro. Agora, se for, como parece ter efetivamente sido, uma referência à toda agremiação conservadora, neoliberal, que governa o Estado de São Paulo, e que está lançando José Serra como seu candidato à prefeitura de São Paulo, então, fica difícil dar nome a todos os bois, mesmo sendo apenas 8.000 o número de filiados a que se deveria nomear. Melhor,então, lançar mão de um termo coletivo, que nomeie a "boiada" toda, considerada em seu conjunto; e esse termo, escolhido pelos próprios bois, que parece não terem aceito um nome mais apropriado como, por exemplo, "Zebu", foi "tucano". E retornamos, então, ao ponto de partida.


orlando f filho - 27/02/2012
tenho 57 anos nasci em São Paulo e não me acostumei com arrogância da elite, da classe média da cidade. Fui casado com uma pessoa raça negra e senti na pele a discriminação(sou neto de italianos), tanto por parte da família, quanto de supostos amigos e conhecidos. Dirão, racismo existe também no Sul, enfim, sdei de tudo isso. Porém em São Paulo a coisa é peculiar: as pessoas te recebem com um sorriso que demonstra acolhimento, cordialidade. Mas quando vc vira as costas, os comentários mordazes, as chacotas começam. Então, sinceramente, desprezo a classe média e a elite desta cidade que, arrogantemente, considera-se "a locomotiva do pais" relegando os outros Estados a um segundo plano. Vejam a maneira que a classe média paulistana trata os servidores domésticos.


decio - 26/02/2012
Vamos falar o pão-pão, queio-queijo dessa história?

Sem essa de analisar as coisas em SP com esse preconceito bobo de que aqui é todo mundo arrogante e conservador.

A periferia que vota, vota maciçamente no PT. A questão é que muitos não votam pq não têm título de eleitor em SP.

Ninguem desconhece que grande parte da população paulistana é de migrantes, tanto de outras cidades do Estado quanto do Brasil.

Tá certo que muitos desses migrantes são classe média que vêm trabalhar aqui, muitas vezes por apadrinhamento, seja na iniciativa privada quanto em empresas públicas, municipais, estaduais e federais.

Vejamos as empresas públicas federais, como BB, CEF, Petrobras, entra outras.

Neguinho presta concurso, mas sobe na carreira no mais das vezes por apadrinhamento, e apadrinhamento da base aliada federal que aqui é base aliada estadual e municipal.

Terceirizados de uma maneira geral são colocados também dessa forma.

É uma massa considerável de gente votando segundo seus interesses, porque arranjar trabalho nessa cidade sem isso é jogo duro.

O PSDB fala tanto de aparelhamento, mas eles são mestres nisso.

Orgãos públicos e mesmo professores seguem a mesma regra.

Então, não é por arrogância não que muitos votam no PSDB. Não que não hajam os arrogantes, os que odeiam votar em partido de pobre, mesmo que fiquem pouco acima disso.

É pelo favoritismo que se instalou em tudo por aqui.

Tente falar que vc é petista ou simpatizante no trabalho.

Isso também porque o PT deixou de brigar, de lutar contra isso, de proteger seus filiados e admiradores. E se vc denuncia algo nesse sentido recebe de volta insinuações pouco honrosas, como de estar criando armadilhas. É o cala boca por todos os lados.

Enfim, é se preparar para o pior se as coisas não mudarem e vai ser difícil mudarem em pouco tempo.

Depois que Alckim venceu no segundo turno por aquela diferença ridícula e todo mundo ficou quieto; depois que o PT escolheu um candidato para perder, não há muito o que esperar, infelizmente.

A não ser que surja algo muito novo.

Quanto a usar a Privataria Tucana contra Serra, esquece. O tempo de fazer isso já era e ninguém fez nada não vai ser agora que vão fazer.

A verdade é que o PT está se lixando para SP, para o sofrimento da população paulistana, enquanto for governo federal e está deixando a serpente crescer sem fazer absolutamente nada.

Petistas, simpatizantes e esquerdistas de forma geral estão em sua maioria no mato sem cachorro por aqui.







Fabio Faiad - 26/02/2012
Emir, fiquei bastante satisfeito com o afastamento do Kassab do polo de sustentação da candidatura do Fernando Haddad. O PT tem que negociar com o PMDB, com o PC do B e com outros partidos historicamente mais próximos a ele. Assim, a polarização entre quem apoia o atual prefeito (Kassab) e quem lhe faz oposição vai ficar limpa e cristalina, o que fará muito bem à política paulistana nos próximos anos...



Para mim, a periferia de São Paulo já vota majoritariamente CONTRA o PSDB/DEM. O que alguns costumam deixar passar despercebido é que, em uma cidade muito rica como São Paulo, a classe média é muito grande (e, infelizmente, esse grupo parece votar com força nos tucanos). Até por isso entendo ser aceitável a esquerda paulista se aliar a PMDB, PRB e outros, pois sem eles é praticamente impossível derrotar a "ditadura tucana/demista" em SP!



Qual é, a meu ver, o melhor cenário para Sampa? É ter somente um candidato de situação (o que já está acontecendo: José Serra) e pelo menos duas candidaturas fortes de oposição (o que também parece estar ocorrendo). Mas a campanha eleitoral da oposição tem que ser duríssima, com 2 ou mais candidatos mostrando diária e constantemente os podres do Serra (inclusive o livro Privataria Tucana) e do Kassab (inclusive sua péssima gestão), a fim de, se o Serra conseguir chegar ao segundo turno, pelo menos chegar DEVIDAMENTE MASSACRADO (facilitando a sua derrota no "segundo tempo " da eleição, se houver).



Abs, Fábio Faiad.


Claudio Rocha - 26/02/2012
Vamos ser práticos: a população trabalhadora vive diariamente "sequestrada" pelo dilema da mobilidade (eu diria imobilidade). Perde tempo precioso da vida dentro de coletivos nos engarrafamentos. Se o Haddad for claro e sucinto no planteamento do problema com a solução, então terá votos. Se for evasivo - "...veja bem..." - então, bye, bye.


Darcy Brasil Rodrigues da Silva - 26/02/2012
Só conheço São Paulo "de vista", nas 5 vezes que nela estive como delegado em encontros sindicais. Em todas essas ocasiões, só tivemos tempo para elogiar o pão francês, devorado apressado em uma padaria, ficar impressionado com a diversidade e beleza das meninas, e contemplar, na caminhada do metrô até o ginásio do sindicato dos bancários, onde sempre se deu nossos encontros, um pouco da decantada arquitetura do centro. Por isso, não conhecemos aquilo que é fundamental à uma análise política: as ideias circulantes em meio ao povo, que podem ser colhidas por qualquer paulistano de ouvidos atentos e que se mexa entre o povo interessado em descobrir o que ele pensa. Mas, a par desse conhecimento empírico inicial e indispensável, há também a necessidade de avaliar com precisão o real potencial das forças dispostas a concorrer à prefeitura. À primeira vista, a se levar em conta as pesquisas de intenção de votos, a situação de partida de Fernando Haddad não me parece confortável. O esquema PT x PSDB, fotografado pelas enquetes, nesse momento, não está consolidado como tendência eleitoral. Lembrando que tanto Paulo Maluf quanto seu pupilo, Celso Pita ( que Deus se apiede de sua alma pecadora!) conseguiram furar esse esquema, mostrando que, em quadro onde esta dupla fragilidade foi pré-configurada, uma surpresa pode realmente se confirmar. A mim, particularmente, não agrada a divisão da esquerda em São Paulo, justamente por ser o bastião do conservadorismo, onde o "Fênix da reação neoliberal" pode renascer das cinzas. Penso que o PT deveria tomar a iniciativa de dissipar a impressão de que é inflexível e insensível para fazer alianças com outros partidos de esquerda, abrindo mão da cabeça da chapa em uma cidade como Porto Alegre,por exemplo - onde a deputada Manuela d'Ávila seria, a meu ver, imbatível, se conciliasse o seu carisma pessoal, que lhe proporcionou mais de 400 mil votos ( algo equivalente a 1.500.000 votos, em São Paulo,ou 800.000 votos, no Rio de Janeiro) com a sustentação política de uma coligação contando com o PT, PSB e o PCdoB - para, em troca receber o apoio a Haddad já no primeiro turno do PCdoB e do PSB, no mínimo. Se Haddad concorrer apenas com o seu cacife político pessoal, pode ser derrotado,não indo ao segundo turno . Porém, respaldado por um leque de forças políticas, tendo como núcleo os partidos da esquerda que sempre foram seus aliados históricos,com suas respectivas militâncias e tempos de televisão agregáveis, aumentaria sensivelmente as suas chances em se credenciar para enfrentar Serra no segundo turno com a mesma base de sustentação política de Dilma. Se Haddad partir para o pleito contando apenas com o apoio do PT, como hoje se prenuncia, o nome que irá disputar com Serra no segundo turno pode, com probabilidade nada desprezível, não ser o dele. Não podemos superestimar a capacidade de transferência de votos de Lula- embora saibamos que esta não deve ser pequena. Política não pode ser tratada como jogo de azar, mas como uma ciência. Se o PT se agarrar a uma visão exclusivista em cidades onde candidatos de outros partidos da base tem melhores condições que os seus; se não proceder a uma grande negociação, partindo do nacional para o regional, que considere ser a derrota do PSDB/DEM tão importante quanto a sua vitória,dele PT, os resultados nas eleições municipais, mesmo que lhe venham a ser favoráveis,no cômputo geral, ficarão aquém do que podem ser conquistados. Flexionando, o PT será certamente o grande vencedor das eleições municipais, além de colaborar para o fortalecimento simultâneo de seus principais aliados. Isto sim seria o cenário ideal de uma grande vitória contra o neoliberalismo em nosso país.


zilda - 26/02/2012
E quem vai convencer os paulistanos, aferrados na sua arrogância e conservadorismo(conservar o quê não se sabe), de que estão cada vez menos importantes com tanto problema para enfrentar?


Marcia Eloy - 26/02/2012
Eu concordo com o senhor na teoria, mas quem mais deveria se interessar por esta mudança deveria ser a população da periferia de São Paulo que a meu ver é a maioria. Por que eles votam no PSDB? E, a meu ver, a primeira coisa que um candidato do PT deveria fazer, é saber quais os motivos que levam esta população a votar no PSDB. Conhecendo estes motivos poderiam ter em mãos um rico material, para sua campanha.


Pablo Oyarzún - 26/02/2012
Como paulistano digo que aqui em São Paulo o neoliberalismo encaixou como uma luva. A classe média é a concubina mór da classe rica! A classe média se arma contra a classe pobre sem perceber a coleira em seu pescoço. Coleira comandada pela elite (globo, veja, folha de são paulo). A classe média só tem argumentos políticos baseados em preconceitos, conservadorismo, facismo etc.

A classe pobre periférica não tem força suficiente para lutar contra isso... tem apenas alguns aliados conscientes.

...tomara que esse quadro mude logo!


José Osivan Barbosa de Lima - 05/03/2012
Gostei muito da analise feita no postem e concordo plenamente com a mensagem. A grande verdade é que o PSDB gosta de privatizar os bens públicos e de não ser fiscalizado. Tanto é que nunca deixaram a pequena oposição fazer uma CPI em seus governos. Se deixassem com certeza se descobriria muita sujeira. Mas como diz a sabedoria popular o bom da democracia é a alternância do poder vamos ver se em 2012 o povo faz a mudança que São Paulo tanto precisa.


Marcos Antônio - 02/03/2012
Acho que o Cerra vai ter que concorrer a vereador de São Paulo na próxima eleicão para ver se consegue se eleger!