29/09/2013 - Copyleft

Vitórias da multipolaridade mundial

por Emir Sader em 29/09/2013 às 10:15



Emir Sader

O que parecia impossível há 3 semanas, agora é uma realidade consolidada. O Conselho de Segurança da ONU aprovou o acordo da Rússia com os EUA para a crise síria.

O ultimo obstáculo foi superado, de forma favorável à Rússia, concedendo apenas formalmente aos EUA, à Grã Bretanha e à França. Foi incluído um capitulo do regulamento da ONU, que prevê ações armadas, caso o governo da Síria não obedeça as demandas do acordo. Mas a Rússia conseguiu o essencial para ela: só haveria uma ação armada produto de uma nova decisão, o que possibilitaria a Rússia de exercer o seu direito de veto.

A Russia e a China aprenderam do caso da Libia – que poderia ter sido evitado, como o está sendo o da Siria -, quando os EUA, a Grã Bretanha e a França se valeram de uma vaga resolução do Conselho de Segurança, autorizando ações de “proteção da população civil”, para que a OTAN bombardeasse indiscriminadamente o país durenta meses, até a queda do regime.

Desta vez a Rússia e a China se opuseram a algo similar, até que o governo russo pegou pela palavra do Secretaria de Estado John Kerry, formulou uma proposta de acordo e conseguiu o apoio do governo sírio.

A proposta prosperou porque Obama não conseguiu gerar as condições políticas para o bombardeio, com o qual já tinha se comprometido, com o apoio solitário da França. De repente, foi se consolidando um marco de negociação entre a Russia e os EUA – este, depois de suspender reunião de Obama com Puttin, pelo caso Snowden, teve que se dirigir, mesmo a contragosto, à reunião de Kerry com o Ministro de Relações Exteriores da Rússia.

Somado a essa grande vitória das soluções politicas, pacificas, negociadas – que o Brasil, entre outros países, sempre pregou -, está a retomada de relações entre os EUA e o Irã. Juntos, configuram um novo cenário internacional, com o avanço da multipolaridade, em detrimento das vias bélicas usadas pelos EUA.

Perdem Israel, a oposição síria, a Arábia Saudita, o Qatar. Ganham os que pregam o enfraquecimento da hegemonia norte-americana em favor da multipolaridade mundial.

Tags: Internacional




8 Comentários Insira o seu Coméntario !

Euclides Pereira Duque - 30/09/2013
O Irã é o Pearl Harbor atual dos americanos, está engasgado, entalado na goela o episódio da embaixada, eles não aprenderam nada com o Vietnan saíram com o rabo entre as pernas, o declínio do império é evidente e isto é o que preocupa, quanto mais encurralados mais perigosos e claro, como você diz urge uma multipolaridade, para evitar uma nova "enola gay".


dani7 - 30/09/2013
Saul, visao afiada da verdadeira historia q se desenrola em nosso mundo. Eu quero uma tv aberta com programacao pop e jornalismo de verdade.


Piragibe Silva Borges - 30/09/2013
Um prazer observar o mundo se dobrar à chamada às falas dos países que estão mantendo suas economias em pé através de venda de armamentos, proteção bélica e ações militares. Dilma trouxe à luz uma posição que é a de muitos países, mas estavam tíbios para assumi-la abertamente, pois todos temem o poder de coerção dos americanos (vai do diplomático ao militar). Sua atuação no tocante à Líbia, onde manifestou-se contra a atuação externa, passou desapercebida, pois já estava a intervenção indireta acordada. E, agora, ao censurar em assembleia internacional a intromissão dos EUA nos assuntos privados e internos, comerciais e estratégicos dos países, principalmente do Brasil, Dilma assumiu uma postura histórica. Incitou os demais governantes e conseguiu o recuo dos EUA em sua caminhada belicista! Está o mundo inteiro atônito, pois os americanos viram-se, de repente, expostos. Independente dos resultados à frente e sabendo que sofreremos retaliações de vários tipos, a atitude foi histórica e mostrou que o rei está nu. Gostaria imensamente que esse ato encerrasse esse ciclo de carnificina, mas aí já é pedir demais.


Piragibe Silva Borges - 30/09/2013
Um prazer observar o mundo se dobrar à chamada às falas dos países que estão mantendo suas economias em pé através de venda de armamentos, proteção bélica e ações militares. Dilma trouxe à luz uma posição que é a de muitos países, mas estavam tíbios para assumi-la abertamente, pois todos temem o poder de coerção dos americanos (vai do diplomático ao militar). Sua atuação no tocante à Líbia, onde manifestou-se contra a atuação externa, passou desapercebida, pois já estava a intervenção indireta acordada. E, agora, ao censurar em assembleia internacional a intromissão dos EUA nos assuntos privados e internos, comerciais e estratégicos dos países, principalmente do Brasil, Dilma assumiu uma postura histórica. Incitou os demais governantes e conseguiu o recuo dos EUA em sua caminhada belicista! Está o mundo inteiro atônito, pois os americanos viram-se, de repente, expostos. Independente dos resultados à frente e sabendo que sofreremos retaliações de vários tipos, a atitude foi histórica e mostrou que o rei está nu. Gostaria imensamente que esse ato encerrasse esse ciclo de carnificina, mas aí já é pedir demais.


dani7 - 30/09/2013
Saul, visao afiada da verdadeira historia q se desenrola em nosso mundo. Eu quero uma tv aberta com programacao pop e jornalismo de verdade.


Euclides Pereira Duque - 30/09/2013
O Irã é o Pearl Harbor atual dos americanos, está engasgado, entalado na goela o episódio da embaixada, eles não aprenderam nada com o Vietnan saíram com o rabo entre as pernas, o declínio do império é evidente e isto é o que preocupa, quanto mais encurralados mais perigosos e claro, como você diz urge uma multipolaridade, para evitar uma nova "enola gay".


Riobaldo - 29/09/2013
Emir, faltou você considerar como ganhador da parada, os congressista do partido republicano dos EUA, que não vai permitir que presidente-ignóbil-da-paz, continue a razer sucesso em suas incursões ´pacifistas`pelo Oriente Médio.Você sabe que o alvo dos falcões do pentágono não é a Síria, e sim o Irã que constitui séria ameaça aos aliados incondicionais de Tio Sam.Mas, para mexer com a Síria o buraco é mais embaixo, posto que o tabuleiro conta com protagonistas de peso, como a Rússia e a China, e nomeio disso, uma jugular por onde jorrará 90% do ouro negro pela antiga Rota da Seda. Quem dominar o pedaço vai dominar o resto do mundo...


Riobaldo - 29/09/2013
Emir, faltou você considerar como ganhador da parada, os congressista do partido republicano dos EUA, que não vai permitir que presidente-ignóbil-da-paz, continue a razer sucesso em suas incursões ´pacifistas`pelo Oriente Médio.Você sabe que o alvo dos falcões do pentágono não é a Síria, e sim o Irã que constitui séria ameaça aos aliados incondicionais de Tio Sam.Mas, para mexer com a Síria o buraco é mais embaixo, posto que o tabuleiro conta com protagonistas de peso, como a Rússia e a China, e nomeio disso, uma jugular por onde jorrará 90% do ouro negro pela antiga Rota da Seda. Quem dominar o pedaço vai dominar o resto do mundo...