Colunista
10/10/2013 - Copyleft

Lula está pronto para voltar




É cedo para dizer se Lula voltará em 2018 para ser candidato a presidente da República. No entanto, pela entrevista concedida a Carta Maior, o que se pode afirmar, com toda a certeza, é que ele está pronto e motivado para encarar mais um mandato – ou melhor, dois. 

Ouçam bem e prestem atenção ao que diz o ex-presidente, lá pelas tantas, em sua conversa. Ele usa duas analogias que retomam uma metáfora do início da entrevista. As analogias são a da estação ferroviária e a dos Dobermans. Um governo, diz ele, é composto por uma locomotiva, que é o governo; e pelo serviço público, que são as estações. Os governos passam. As estações ficam. Os governos são efêmeros. A burocracia é permanente.

Os políticos são eleitos, têm mandato, precisam de voto e de aprovação popular. São especialistas na arte de conquistar apoio público para suas decisões. A burocracia, não. É preciso todo um trabalho de convencimento. Não adianta obrigá-la a fazer o que não está convencida. Se a burocracia for convencida, fará com prazer o que deve ser feito. Se não se convencer, não fará. "Se ela tiver medo, ela fingirá e mentirá para você" - assevera.

Os ministros, mestres do convencimento público, nem sempre agem com presteza burocrática. Para isso, Lula brinca, usaria uns três Dobermans. Naquilo que é mais importante fazer e de um presidente acompanhar, ele esfregaria as roupas de seus ministros no nariz dos farejadores e os soltaria para encontrar seus auxiliares, saber o que estão fazendo e por que trilhas.

Mas cobraria dos ministros, também, maior envolvimento com sua própria burocracia. As políticas andam mal das pernas se os ministros não são capazes de convencer a sua própria equipe técnica da clareza e correção de propósitos, da certeza dos objetivos, da lisura dos processos. O desafio duplo, político e burocrático, deve convergir para o objetivo de melhorar a ação de governo.

Em 2006, Lula pagou para ver se seria abatido pela maldição do segundo mandato, aquela que diz que os primeiros quatro anos são insuperáveis, e os últimos quatro são só ladeira abaixo. Mirando o horizonte, deixa nítido que não veria risco em uma futura presidência. Muito pelo contrário. Por melhor que seu governo tenha sido avaliado, ele ainda se considera longe do último degrau. Lula já faz parte da história, mas está distante de se pretender passado.

"Eu talvez fosse o melhor opositor ao meu governo, hoje, porque hoje eu sei o que eu deixei de fazer e sei que é possível fazer mais" - diz. "Nós temos uma escada de dez degraus; nós subimos dois degraus, três degraus; ainda falta muito degrau". Essa é a metáfora. Esse é o recado.

Em 2018, se precisarem de um maquinista experiente, Lula saberá, melhor do que ninguém, como colocar mais lenha na fogueira. Estará pronto para subir na máquina e fazê-la seguir em frente, a pleno vapor.