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30/01/2005 - Copyleft

Terceiro-mundismo renovado








Em entrevista realizada na tarde deste domingo (30), aqui em Porto Alegre, o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, insistiu várias vezes num amplo elogio da Conferência dos Povos Afro-Asiáticos realizada em Bandung (Indonésia), em 1955. Lembrando a necessidade de comemorar a Conferência de Bandung como um grito dos povos coloniais e pós-coloniais, Chávez insistiu em caracterizar o Movimento dos Países Não-Alinhados, sob a direção de líderes como Tito (Iugoslávia), Nehru ( Índia ) e Nasser ( Egito ) como capaz de obrigar as grandes potências da época ¿ EUA e a URSS ¿ a fazer concessões e aceitar a soberania dos povos.



Aproveitando a oportunidade dos 50 anos de Bandung, Chávez insistiu na esterilidade do grande número de declarações e reuniões entre países, inclusive da América do Sul, que não resultam em uma ação efetiva. Para Chávez, é chegado o momento de partir para ação, deixando para trás os discursos diplomáticos. O presidente venezuelano afirmou que a ação conjunta de países como Venezuela, Brasil, Cuba e Argentina, na América do Sul, da Nigéria e África do Sul, na África, e de Irã, entre outros, na Ásia, seria capaz de modificar os termos do comércio internacional e as relações desiguais entre o Norte e o Sul do planeta. Aliás, Chávez diz ter chegado a hora de transformar a idéia de ¿Sul¿.



Não estaríamos mais frente a um conceito geográfico; o ¿Sul¿ seria a expressão geopolítica da vontade dos povos e das nações emergentes, visando a organização de uma nova ordem mundial. É nesse sentido, que o terceiro-mundismo dos anos ´50 surge como um elemento inspirador na construção de uma ordem mundial mais justa, onde, por exemplo, o comércio de bens naturais não mais tenha um caráter espoliador.



Chávez exemplificou com o caso da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que estava quase morta e, através da ação da Venezuela ¿ ministro Ali Rodriguez ¿, reassumiu um papel central na manutenção dos preços e no retorno de tais riquezas para o bem-estar de seus povos. Chávez aproveitou para reafirma sua amizade pessoal e afinidade política com Fidel Castro, além de citar o Irã ¿ dois países reafirmados por Codoleeza Rice como tiranias na mira da Doutrina Bush ¿ como um país-chave na formulação de uma nova ordem mundial.



Como exemplo de ação, Chávez insistiu na criação imediata de uma TV Sul, não só sul-americana, mas capaz de dar voz autônoma ¿ fora dos monopólios de notícias, como a CNN, citada pelo presidente ¿ aos povos da África e da Ásia.



Um dia depois de um longo editorial do Financial Times, onde o presidente venezuelano foi duramente criticado (embora tenham reconhecido o óbvio: que seus programas sociais funcionam e obtém grande sucesso eleitoral), Chávez reafirma seu estilo frente ao que denomina de interferência americana ao justificar a criação da TV Sul: (...) a melhor defesa é o ataque!










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