Antifascismo

'Isto é terrorismo': Imigração prende 30 em centro de ajuda humanitária no Arizona

Sem máscaras e sem mandado de prisão, agentes da Patrulha da Fronteira invadem uma estação de ajuda humanitária no Arizona e detêm 30 migrantes

03/08/2020 15:20

Agentes da Patrulha de Fronteira [Border Patrol] invadindo um campo de ajuda humanitária no Airzona na sexta-feira. (No More Deaths/Twitter)

Créditos da foto: Agentes da Patrulha de Fronteira [Border Patrol] invadindo um campo de ajuda humanitária no Airzona na sexta-feira. (No More Deaths/Twitter)

 

Como sempre, quando a ajuda humanitária nas regiões fronteiriças se torna o alvo, quem procura atendimento é quem enfrenta o peso dessas violentas escaladas".

Agentes da Patrulha de Fronteira invadiram na sexta-feira (31) à noite uma estação de ajuda humanitária administrada pelo grupo de defesa dos direitos dos imigrantes No More Deaths [Nenhuma Morte a Mais], detendo 30 pessoas, o que os ativistas descreveram como uma "demonstração maciça de força" com o objetivo de intimidar o grupo.

"Mais uma vez, a Patrulha da Fronteira está concentrando seus recursos em interferir na ajuda humanitária durante o período mais mortal do ano para as pessoas que atravessam a fronteira", disse Paige Corich-Kleim, voluntária do No More Deaths, ao jornal Tuscon Sentinel.

Os agentes teriam entrado no campo sem mandado e sem máscaras.

O ataque ocorreu menos de 24 horas depois que agentes da Patrulha de Fronteira entraram no campo de ajuda na quinta-feira, prendendo um migrante.

Corich-Kleim disse que a escalada foi parte de um esforço da agência para desencorajar os imigrantes de usar a estação.

"As pessoas estão morrendo no deserto por causa dessa política, e agora a Patrulha de Fronteira quer impedir que as pessoas acessem assistência que salva vidas", disse Corich-Kleim. "Vemos que isso é uma clara violação do direito internacional humanitário".

A voluntária Emily Saunders concordou, dizendo à Arizona Public Media que o ataque "é consistente com esse padrão que vemos na Patrulha da Fronteira de interferir na ajuda humanitária que salva vidas, infelizmente durante os dias mais quentes do verão".

"Isso parece uma escalada, uma retaliação e um alvo contra aqueles que trabalham em solidariedade e impedem a morte de pessoas no deserto", acrescentou Saunders.

O momento do ataque pareceu suspeito ao grupo, como a Arizona Public Media informou:

“A mudança ocorre alguns dias depois que No More Deaths divulgou documentos detalhando os antecedentes de uma invasão maior da Patrulha de Fronteira no Byrd Camp em 2017. Saunders disse que o grupo vê o novo ataque como uma retaliação.

Em um comunicado, o grupo de defesa dos direitos humanos e de ajuda em desastres, o Unitarian Universalist Service Committee [Comitê de Serviço Universalista Unitário], condenou o ataque "sem hesitação", chamando o ataque da agência à estação de ajuda de "uma campanha de retaliação impulsionada pela xenofobia e racismo".

"Não se engane, agora é a hora de acordarmos todos", disse o comitê. "O tratamento brutal e a interferência da Patrulha de Fronteira com o direito de fornecer ajuda compassiva ou protestar pacificamente é bastante próximo do totalitarismo e deve assustar - e mais importante ainda, causar indignação - a todos nós."

O voluntário do No More Deaths, Dr. Scott Warren, cuja prisão e acusações criminais subsequentes por abrigar pessoas e conspiração indocumentados resultaram em um julgamento e uma recusa de um júri em condená-lo, disse em um comunicado que o ataque à agência faz parte de um ataque contínuo a imigrantes no sudoeste.

"Ontem, a Patrulha da Fronteira prejudicou 30 pessoas de maneiras irreparáveis", disse Warren. "Todos os dias, aqueles que migram pelo deserto do Arizona são alvos, aterrorizados, detidos e deportados".

 "Como sempre, quando a ajuda humanitária nas regiões fronteiriças se torna o alvo, quem procura atendimento é quem enfrenta o peso dessas violentas escaladas".

*Publicado originalmente em 'Common Dreans' | Tradução de César Locatelli

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