Antifascismo

Ameaçado de morte por seguidores de Bolsonaro, Jean Wyllys abandona seu mandato e vai embora do Brasil

Wyllys se encontra de férias fora do país, e assegurou que não pensa em voltar, devido às constantes ameaças recebidas. O agora ex-deputado citou uma conversa que teve com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica para justificar sua decisão: ''me disse que os mártires não sempre são recordados como heróis, e que eu tenho o direito de priorizar minha vida diante dessas ameaças''

25/01/2019 12:16

Eleito com 24.295 votos nas eleições de outubro no Rio, Wyllys fez despedida em sua conta de Twitter (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Créditos da foto: Eleito com 24.295 votos nas eleições de outubro no Rio, Wyllys fez despedida em sua conta de Twitter (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

 
As informações são do diário Folha de São Paulo, que publicou nesta quinta-feira (24/1) uma entrevista onde afirma que o deputado federal brasileiro Jean Wyllys, um dos mais conhecidos e relevantes ativistas políticos da causa LGBTI em seu país, e recentemente eleito para seu terceiro mandato no Congresso, decidiu abandonar seu cargo por causa das constantes ameaças de morte dirigidas a ele pelos seguidores do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Eleito pela terceira vez como deputado pelo Estado do Rio de Janeiro, Wyllys se encontra de férias fora do Brasil (não foi revelado em que país), mas afirmou que não pensa em regressar, porque precisa cuidar de sua integridade física, e citou uma conversa que teve com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica para justificar sua decisão: “ele me disse que os mártires nem sempre são recordados como heróis, e que eu tenho o direito de priorizar minha vida diante dessas ameaças”, contou o agora ex-deputado.

É importante destacar que Wyllys é integrante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o mesmo de Marielle Franco, a vereadora carioca que foi assassinada em março de 2018, após dois anos sendo ameaçada de morte por impulsar uma agenda de defesa dos direitos humanos. Ademais, nesta semana se descobriu um vínculo entre Flávio Bolsonaro, filho maior do presidente, e o principal suspeito de assassinar Marielle.

Além das ameaças de morte, Jean Wyllys conviveu também com diferentes ataques contra si por parte das redes de difusão de notícias falsas dos seguidores de Jair Bolsonaro. Em uma das tantas falsidades promovidas com seu nome está a de que ele “defende a pedofilia”, afirmada pelo ator pornô e deputado federal bolsonarista Alexandre Frota.

O caso, muito parecido ao que envolve a deputada comunista chilena Camila Vallejo e o âncora da Rádio Agricultura, Gonzalo de la Carrera, também terminou na Justiça e com sentença favorável a Wyllys: Frota foi condenado por calúnia e difamação, se sua pena foi uma multa de 295 mil reais. “Não sei se saiu barata, mas o preço que pago pelos danos à minha imagem são muito maiores, e irreversíveis”, comentou o ativista sobre o caso.

Longe da política, Wyllys afirmou na mesma entrevista que pretende se dedicar à sua carreira acadêmica, e assegurou que não abandonará o ativismo em favor da causa LGBTI.

*Publicado originalmente em eldesconcierto.cl | Tradução do autor



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