Antifascismo

Aumenta a desigualdade: 1% da população tem mais recursos que todo o resto da humanidade

A mega concentração de riqueza segue seu ritmo incontrolável. No ano passado, o 1% mais rico ficou com 82% do crescimento do patrimônio global, fazendo com que a lista de multimilionários terminasse 2017 ainda mais concentrada que em 2016

26/01/2018 12:39

 

A desigualdade de renda continuou aumentando no ano passado. Somente oito empresários, todos homens, possuem uma riqueza que equivale  à renda de 3,6 bilhões de pessoas, a metade mais pobre da humanidade, segundo cifras reveladas pela organização humanitária Oxfam, em informe publicado especialmente esta semana, para ser difundido em paralelo com a realização do Foro Econômico Mundial, que reúne nesta cidade a elite da política e dos negócios no mundo.

A riqueza extrema de alguns poucos está sendo construída a partir do trabalho perigoso e mal remunerado de uma enorme maioria. Os governos devem favorecer a criação de uma sociedade mais igualitária, dando prioridade aos trabalhadores e aos pequenos produtores agrários, em vez dos mais ricos e poderosos.

A Oxfam adverte neste último informe que a poucos dias da reunião anual de líderes políticos e econômicos em Davos, que uma desigualdade fora de controle levou a um mundo onde só 62 pessoas possuem tanta riqueza quanto todo o resto da população – há cinco anos atrás, essa relação era entre os 388 mais ricos e o resto, e já era alarmante.

A mega concentração de riqueza segue seu ritmo incontrolável. O crescimento econômico só beneficia os que têm mais. As cifras do informe revelam que esse 1% mais rico da população mundial possui mais que todos os outros 99%. No ano passado, essa minoria ficou com 82% do crescimento do patrimônio global, fazendo com que a lista de multimilionários terminasse 2017 ainda mais concentrada que em 2016.
“A desigualdade social é uma trava para a eliminação da pobreza no mundo”, advertiu Jörn Kalinski, da Oxfam Alemanha. Ainda assim, a Oxfam comemorou os avanços na luta contra a pobreza extrema.

Segundo dados do Banco Mundial, a cifra de pessoas que contam com menos de 1,9 dólares por dia se reduziu à metade entre 1990 e 2010, e baixou ainda mais desde então. Ainda assim, a crescente desigualdade de renda impede que o número de pessoas que saem da extrema pobreza seja mais elevado. A ONG também criticou a recente reforma tributária dos Estados Unidos.

“Apesar de os líderes mundiais se comprometerem com o objetivo de reduzir a desigualdade, a brecha entre os mais ricos e o resto da população se amplia”, aponta o informe da Oxfam. “O boom dos multimilionários não é um sinal de economia próspera, e sim um sintoma de fracasso do sistema econômico”, afirmou a diretora da Oxfam, Winnie Byanyima. Desde 2010 – em plena crise pós estouro da bolha financeira – a riqueza da elite econômica aumentou numa média de 13% ao ano.

O ponto máximo dessa concentração foram registrados nos meses entre março de 2016 e março de 2017, período no qual se produziu o maior aumento da história de pessoas cuja fortuna ultrapassa o bilhão de dólares, num ritmo de nove novos multimilionários por ano.

A Oxfam baseia seus cálculos em dados do banco Credit Suisse e da revista estadunidense Forbes. As 1,8 mil pessoas com fortuna superior a um bilhão de dólares estadunidenses, integrantes da lista Forbes de 2016, possuem em conjunto 6,5 trilhões de dólares, a mesma riqueza que 70% da população mais pobre da humanidade.

Se os multimilionários mantêm seu nível de rentabilidade, dentro de 25 anos já teremos o primeiro trilionário do mundo, alguém que sozinho possuam uma fortuna de ao menos 1 trilhão de dólares (aproximadamente, o equivalente ao PIB da Espanha).

Mulheres e América Latina

Na América Latina, a riqueza dos multimilionários cresceu em 155 bilhões de dólares no ano passado. Tal quantidade de riqueza seria suficiente para acabar quase duas vezes com toda a pobreza monetária na região por um ano e meio, de acordo com a Oxfam.

Para a organização, as mulheres operárias se encontram na parte mais baixa dessa pirâmide. Em todo o mundo, elas ganham menos que os homens e estão ocupando majoritariamente os empregos com menores salários e as condições mais precárias.

Na América Latina, as mulheres trabalham quase o dobro de horas que os homens em trabalhos não remunerados. A superconcentração de riqueza continua imparável. O crescimento econômico só beneficia os que têm mais. As cifras mostradas no reporte revelam que o 1% mais rico da população possui mais que todos os demais 99%.

Tradução Victor Farinelli





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