Antifascismo

Censura à literatura em São José dos Campos

'Beirage', Livro de poesias com críticas sociais, financiado pelo Fundo Municipal de Cultura de São José dos campos, é censurado

22/05/2019 12:21

George Furlan, autor de 'Beirage' (Daniel Brás)

Créditos da foto: George Furlan, autor de 'Beirage' (Daniel Brás)

 
O projeto literatura Fractal e Acessibilidade é uma ação cultural que possibilitou a impressão de cinco mil exemplares e a produção do livro/áudio Beirage além de seis outros lançamentos propostos. Um deles, que deveria ocorrer na Biblioteca Pública Hélio Pinto Ferreira, foi barrado pela coordenadora desse espaço, mesmo sendo autorizado pela Biblioteca Pública Cassiano Ricardo.

Essa foi a primeira censura ao Beirage que, ao que parece,incomoda porque parte da criação inquietante de quem é posto à beira do macrossistema econômico e social por motivos quaisquer e tem como fonte de poesia cenas recortadas do quotidiano, manchetes e reportagens televisivas. Ou seja; a matéria prima são os acontecimentos reais.

Mas, se são os acontecimentos matéria prima, como se omitir diante de polêmicas?

No último dia 15 deste mês de maio foi publicada pelo portal Meón a matéria "Com palavrões e críticas a Bolsonaro, livro pago pelo Fundo Municipal de Cultura gera polêmica em São José", que privilegia a concepção do Movimento Brasil Livre e censura palavras dos poemas não contextualizando o projeto nem a obra.

O projeto e o livro são direcionados a maiores de 16 anos, e as palavra utilizadas em poemas específicos estão de acordo com a classificação etária. O livro não é, nem nunca será baseado em Olavo de Carvalho, como fora divulgado nas redes sociais.

E os comentários hostis decorrentes da publicação são de pessoas que não leram a obra. Em verdade, todo ato produzido em sociedade é um ato político. Toda arte é política porque é compartilhada e envolve ou busca envolver o outro. Por isto são indissociáveis (a arte e a política).

Beirage é mais um manifesto, um livro de poemas que trata de diversos assuntos de seu tempo, através de poemas em diversos formatos.

Em resposta à deputada do PSL: não há criação sem ideologia, não há arte sem ideologia, não há ensino sem ideologia, não há gente sem ideologia, nem matéria de jornal existe sem ideologia.

Beirage é um livro de poemas, mas para o pessoal do PSL e do MBL, Beirage é uma arma, uma resposta. O problema é que eles não toleram outras ideologias que sejam diferentes das deles, não suportam a opinião contrária.

Eis aí a fragilidade da atual democracia. Sobre o que dizem ser uma "ofensa" ao Bolsonaro, o que diriam dele ter chamado os manifestantes de 15/05/19 de "imbecis úteis"? Sobre o financiamento publico da obra: o Estado tem um compromisso com o povo, com sua seguridade, com o ensino com a cultura, e quando se leva ao povo o acesso ou patrimônio imaterial, à arte, se faz o papel do Estado.

O Estado deve, sim, financiar projetos culturais e a presente polêmica ocorre por ser uma afronta às atrocidades do atual governo.

O fato é que o jornal 'O Vale' surpreende com manchete anunciando que o livro será recolhido das bibliotecas, o que é inadimissível.

Os coletivos independentes (como Balaioo e Cia Pataquada) se reuniram para tratar da censura aos projetos culturais e mobilizar ações para quando a pauta for abordada na Câmara dos Vereadores de São José dos Campos.



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