Antifascismo

Ditadura nunca mais: solidariedade a Guilherme Boulos

''Aí, Bolsonaro, um lembrete pra você a dinastia de Luís XIV terminou na guilhotina''

23/04/2021 12:19

(Mídia Ninja)

Créditos da foto: (Mídia Ninja)

 
A monarquia absoluta dos Orleans acabaria com Luís XVI, guilhotinado pela Revolução Francesa, em 1792.

Mussolini também teve fim parecido, foi pendurado morto num posto de gasolina em Milão.

São lições da História que nenhuma "Lei de Segurança Nacional", lixo da ditadura militar, tem o poder de apagar.

Bolsonaro, numa tentativa de reviver o governo dos seus sonhos, a ditadura militar (de nefasta memória), ameaça opositores pertencentes ao serviço público, e fora dele.

E para isso faz uso de uma excrescência, a indevidamente denominada "Lei de Segurança Nacional", entulho autoritário da ditadura militar, desativado na prática após o fim da infame "Redentora" em 1985, mas que faltou banir e reduzir a cinzas.

A última investida policialesca foi contra o político popular Guilherme Boulos, do PSOL.

A Polícia Federal abriu inquérito e intimou Boulos a depor, "acusado" pela "lei de Segurança Nacional" por sua resposta democrática a um dos muitos arreganhos ditatoriais de Bolsonaro.

Em abril de 2020, na frente do quartel-general do Exército em Brasília, extremistas de direita descerebrados pediam intervenção militar, isto é, ditadura militar.

Bolsonaro, presente a esse ato, do qual foi instigador, fez então nova apologia da ditadura: "A Constituição sou eu".

Parodiava assim o monarca absolutista Luís XIV, autor da frase "L' Etat c'est moi" ("O Estado sou eu"). Luís XIV esteve à frente da França de 1661 até sua morte em 1715. Considerava de origem divina seu "direito" de ser rei.

A ideologia de extrema-direita, expressa por Bolsonaro, caracteriza a escória do mundo político: o que há de mais injusto, ditatorial, predatório, atrasado, obscurantista.

Ele citou, involuntariamente, Luís XIV, pois é espessa sua ignorância, a falta de referências culturais mínimas. Improvável que tenha lido um só livro durante sua já longa vida avessa ao trabalho.

Nessa manifestação de abril de 2020, ao instigar intervenção e ditadura militar, ao pretender se substituir à Constituição, o atual extremista do Planalto cometeu óbvios, pesados crimes de responsabilidade:

Sem falar que a aglomeração de abril de 2020 ocorreu em plena pandemia. Nada a estranhar, portanto, que, um ano depois, com tal governante negacionista, nos aproximemos dos 400 mil mortos.

Boulos tuitou com toda a razão após os desmandos de Bolsonaro, em abril de 2020:

"Um lembrete para Bolsonaro, a dinastia de Luís XIV acabou na guilhotina...".

A Polícia Federal, diante da adequada resposta de Boulos, fabrica pretexto, um ano depois, para tentar intimidar a oposição. Só na lógica de extremistas de direita tentar instituir como norma a perseguição a democratas.

ESCALADA AUTORITÁRIA

E BLINDAGEM DOS BOLSONAROS

Investigar e revelar culpados, sejam os mandantes do assassinato de Marielle Franco (o caso mais famoso), ou de muitos recentes crimes políticos hediondos Brasil afora (praticamente todos impunes, desde assassinatos de sem-terra, dirigentes sindicais, lideranças indígenas, integrantes de partidos políticos), que é bom, nada.

Necessário ter presente as evidências que tornam Bolsonaro passível de investigação para elucidar o assassinato de Marielle Franco. Mas isso está abafado, e se envidam todos os esforços para soterrar o assunto.

O atual diretor da Polícia Federal, Paulo Maiurino, se alinha estritamente a Bolsonaro; na contramão da decisão do STF, declarou-se a favor da intervenção da Polícia Federal para tornar sem efeito medidas de isolamento social de governadores e prefeitos.

No seu esforço para blindar o filho, senador Flávio Bolsonaro (PR), comprovadamente envolvido em rachadinhas e lavagem de dinheiro, Bolsonaro exigiu que ele próprio nomeasse o superintendente da Polícia Federal no Rio, à revelia de Sérgio Moro, então ministro da Justiça.

O atual ocupante da pasta, Alexandre Ramagem, caso inédito de um delegado de polícia federal neste alto cargo, foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que jamais se desvencilhou das espúrias ligações com seu órgão antecessor, o tenebroso Serviço Nacional de Informações (SNI), da ditadura militar.

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PR-RJ), ativo disseminador das permanentes "fake news" fascistas do gabinete do ódio, é amigo íntimo de Ramagem. A ligação "credenciou" o delegado para ocupar o ministério.

Na foto, "réveillon" de 2019, aparecem assinalados Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem.

Bolsonarismo e obscurantismo são indissociáveis: faz todo o sentido que Flávio e Carlos Bolsonaro estejam na sigla política da Igreja Universal.

A escalada autoritária de Bolsonaro, a ponto de querer ressuscitar a ditatorial Lei de Segurança Nacional; a aparelhagem do Ministério da Justiça, e de sua estrutura policial; pretendem pavimentar a volta de uma ditadura, e, no imediato, blindar a família Bolsonaro dos diversos processos e investigações a que está exposta.






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