Antifascismo

O fosso que nos separa

Sem máscaras e aglomerados, seus fanáticos morrem por ele e nos arrastam junto

17/03/2021 10:07

(Alan Santos/PR)

Créditos da foto: (Alan Santos/PR)

 
Sempre fomos um país cindido por grave desigualdade social. De um lado a Casa Grande e, de outro, uma classe operária e sub operária a quem a elite trata com os modernos chicotes da neo-escravidão.

Além das diferenças econômicas geradoras de espaços vazios de alimentação, de instrução e de participação na vida política, devemos enfrentar o fato de que somos um povo estruturalmente racista, racismo esse fortemente visível em toda a ocupação da estrutura do Estado.

Como se já não bastasse a dificuldade que representa enfrentar esses desafios, agora nos deparamos com uma nova e gravíssima forma de cisão. Abriu-se a nossos pés um fosso moral com uma margem povoada por fanáticos, os únicos que na Alemanha nazista, segundo Goebbels, “podem ter a compreensão integral das verdades do nacional-socialismo” e, no Brasil, os únicos a ter a incompreensão daquilo em que estamos nos transformando.

Até quando nossas contemporizações não nos deixarão ouvir o alarme de que a cada dia estamos mais próximos de um, como todos os demais, estúpido regime totalitário.

Pazzuelo, apesar de sua tentativa precoce, pois feita em outubro de 2020, e inócua como o tratamento que leva esse nome, de se transformar num Eichmann ao dizer que “um manda e o outro obedece”, já perdeu o foro privilegiado e, ao ser julgado pela primeira instância é bem provável que se veja condenado.

A troca do obediente general por um fanático seguidor se resume a mais do mesmo. Com o agravante de que Marcelo Queiroga, ao invés da farda, usa jaleco – o que lhe permitirá dizer que sua veste branca lhe confere autoridade para receitar o tratamento precoce.

Como ditador, Bolsonaro não precisa provar. Sua palavra vale como tal e como verdade é trovejada por Zeus desde o Olimpo.

Não podemos permitir que encham o fosso que nos separa com os cadáveres que fabricam diariamente e que possam atravessá-lo para nos igualar a eles.

É urgente que nos tornemos fanáticos, mas fanáticos da democracia e do respeito ao próximo, da empatia e da resistência a tudo o que nos condene a uma morte física e moral. Se também não nos transformarmos em fanáticos, não vamos sobreviver.



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