Antifascismo

O novo monstro do Lago Paranoá

O que faltou na sessão da Câmara que julgou o impeachment de Dilma foi vergonha na cara dos ali presentes

04/01/2021 12:45

(Reprodução/Internet)

Créditos da foto: (Reprodução/Internet)

 
No fim do ano de 2020 fomos brindados por mais dois atos que evidenciam o sadismo do tenente que nos governa.

No dia 28 de dezembro ridicularizou as torturas sofrida pela ex Presidenta Dilma Rousseff durante a Ditadura Empresarial, Civil, Militar de 1964, obrigando a todos aqueles que possuam rudimentares sentimentos de humanidade a repudiar sua fala.

Mas consegue se superar a cada dia. Quando achamos que já vimos toda a sua imundície, nos surpreende subindo mais um degrau na escala da maldade, desrespeito e desprezo pela vida alheia.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias, publicada em edição extra do Diário Oficial em 31 de dezembro de 2020, apenas três dias depois da canalhice contra Dilma, foi sancionada com diversos vetos. Passaram a ser passíveis de contingenciamento as despesas com ações vinculadas à produção e disponibilização de vacinas contra o corona vírus (Covid-19) e a imunização da população brasileira. Também as despesas relacionadas com o combate à pandemia da COVID-19 e o combate à pobreza, a execução de ações do programa de reforma agrária e de apoio à agricultura familiar, saneamento, comunidades indígenas e demarcação de suas terras, comunidades quilombolas e ações de combate ao desmatamento e queimadas, a implementação de programas voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres e aquelas relacionadas ao Programa Mudança do Clima.

Uma relação de vetos de fazer inveja ao Monstro do Lago Ness, mas que no Lago Paranoá, habituado aos monstros da Ditadura, não faz nem marola...

Passaram incólumes as despesas com o programa de desenvolvimento de um submarino nuclear, da compra de caças suecos, de um blindado Guarani e de cargueiro militar KC390.

Ninguém pode dizer que desconhecia suas características inumanas, pois ele jamais fez segredo de seu sadismo, de seu gosto pela morte, de sua admiração por torturadores e apoio à tortura em si. Jamais disfarçou seu desprezo por indígenas e negros, em especial quilombolas a quem comparou a animais, jamais escondeu sua chularia nem sua purulenta verborragia, com a qual nos ofende todos os dias.

Nunca o país viu tantos e tão orgulhosos racistas, misóginos e homofóbicos. Nunca assistimos a cenas tão violentas como a do assassinato de João Alberto, socado como se fosse um saco de pancadas num treino de boxe, no Carrefour de Porto Alegre.

Sua busca explícita pelo confronto armado assume contornos cada vez mais perigosos. No dia 24 de dezembro, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, de forma direta incitou a população dizendo: "O povo armado acaba com essa brincadeirinha de vai ficar todo mundo em casa que eu vou passear em Miami. Ah, pelo amor de Deus". Sem citar o nome de João Doria ficou claro ser sobre ele que falava. Está descaradamente armando o povo, os milicianos seus amigos e adulando as baixas patentes das Forças Armadas bem como os policiais militares. Em seus dois anos de governo compareceu, conforme informa O Globo, a 24 formaturas das categorias.

Ele não deve procurar o calo na mandíbula de Dilma. Ele deve procurar dentro de si o calo que o impede de ter o sentimento de empatia e de compaixão. O calo que o faz escarnecer dos brasileiros mortos pela Covid-19 ao dizer “E daí”. O mesmo que o faz prosseguir na sua criminosa política de eugenia ao deixar morrer os mais fracos e os mais facilmente substituíveis dizendo “Não dou bola” para a falta de vacina e, agora sabemos também, de seringas.

Deve procurar o calo que o torna sub-humano ao jogar na miséria, com o possível contingenciamento das despesas que a combatam, milhares de brasileiros que não terão o que comer e morrerão de subnutrição. Cabe agora aos parlamentares a obrigação de ter a dignidade de derrubar os vetos.

O que faltou na sessão da Câmara dos Deputados, em que foi julgado o impeachment da então Presidenta Dilma, foi vergonha na cara dos ali presentes. Ao permitirem que o tenente saísse solto do recinto, depois de fazer apologia a Carlos Alberto Brilhante Ustra, o mais famoso de nossos torturadores e como tal condenado pela Justiça, abriram a porteira para todas as ignomínias que, não só diz, como pratica e que seus empedernidos seguidores não se avexam de imitar.



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