Antifascismo

Os idos de março: A barbárie chega ao Rio

O retrocesso social, político, econômico e moral do governo Temer, com apoio da mídia, da maioria do Legislativo e até mesmo do Judiciário, abriu caminho para o retorno dos esquadrões da morte. O retrocesso desemboca na barbárie, como vimos agora, mais uma vez, com o assassinato da vereadora Marielle Franco

15/03/2018 13:25

Márcia Foletto / Agência O Globo

Créditos da foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

 
O historiador Boris Fausto, historicamente ligado ao PSDB de SP, disse certa vez que o impeachment da ex-presidente Dilma destapou a Caixa de Pandora.

O retrocesso social, político, econômico e moral do governo Temer, com apoio da mídia, da maioria do Legislativo e até mesmo do Judiciário, abriu caminho para o retorno dos esquadrões da morte. O retrocesso desemboca na barbárie, como vimos agora, mais uma vez, com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Os camponeses e indígenas que lutam por suas terras contra a invasão do agronegócio, das mineradoras, dos pecuaristas e das madeireiras já vêm sendo assassinados há vários anos. No Rio de Janeiro, porém, os policiais corruptos que apoiam o tráfico e ex-policiais que formaram as milícias dominando bairros inteiros da cidade é que são os maiores responsáveis pela violência. Em muitos bairros, os moradores pagam imposto ao Estado e às milícias se quiserem continuar vivos.

 Enquanto eles atuam livremente, o Exército se preocupa em cadastrar os moradores honestos das favelas onde apenas 0,5%  são bandidos. Na Rocinha, por exemplo, com cerca de no mínimo 80 mil habitantes, meio por cento dá 400 bandidos, o que não é pouco. Ou os militares responsáveis pela intervenção resolvem, enfim, atacar os setores corruptos da polícia e as milícias, ou então a violência vai continuar.

O Rio não produz arma nem droga. Os fuzis e as drogas entram pelo Galeão, por terra ou mar, mediante propina e vista grossa da polícia. Mas o alvo dos militares nunca é a polícia e sim as famílias pobres da favela. Nunca vi o FORNECEDOR de arma e droga ser preso. Na última intervenção militar, o Exército apreendeu 80 fuzis, o que é ridículo: existem milhares de fuzis na mão dos traficantes e seus agentes.

O programa segurança de Nova York, anos atrás, começou com uma limpeza na Polícia. Aqui, em geral atiram e matam jovens e crianças pobres, a maioria inocentes, atingidos por bala perdida ou por engano. E os grandes fornecedores e seus parceiros na Polícia não são incomodados.

Segurança pública não se resolve com Exército: soldado é treinado para atirar no inimigo. 99,5% dos moradores de favela são gente honesta. São eles que levam a pior, os traficantes se escondem, os fornecedores nunca são presos.  Vão prender meia dúzia de garotos, poucos fuzis e a mídia vai aplaudir. Isso fortalece um pouco o Governo, anestesia a classe média, poderá ter efeito eleitoral e depois volta tudo como era, com os fornecedores e policiais apoiando o tráfico, como sempre.

O retorno à barbárie na cidade do Rio de Janeiro é o grande teste da intervenção. Ou vai repetir as intervenções anteriores, que nada resolveram, ou os militares decidem, pela primeira vez, enfrentar o setor corrupto da Polícia e as milícias.





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