Antifascismo

Preocupação mundial por crimes de ódio, violência racista e terrorismo supremacista branco nos Estados Unidos

 

06/08/2019 14:37

 

 
Com o mundo inteiro condenando os ataques a tiros no Texas e em Ohio, que causaram 31 mortes e mais de 60 feridos, com os governos de Uruguai e Venezuela recomendando aos seus cidadãos que tomem precauções extrema ao viajar aos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se viu obrigado a denunciar o que ele mesmo ajudou a fomentar: a violência racista e o terrorismo de supremacistas brancos.

As críticas continuam crescendo nos Estados Unidos pela venda indiscriminada de armas e a onda de ataques desse tipo nos últimos meses, o que levou Trump a reagir ao tema seguindo a tendência do momento, repudiando o racismo e a intolerância. Enquanto isso, no México, o mandatário Andrés Manuel López Obrador considerou que o assunto deve gerar um debate e reflexão, pois os ataques xenófobos não só ferem a sociedade estadunidense, mas também a mexicana.

Contudo, após esses primeiros comentários de Trump sobre os ataques massivos deste fim de semana, nos quais criticou as ideologias de ódio, seu passo seguinte foi dizer que ele não tem nenhuma responsabilidade sobre o que muitos já qualificam como um grave problema de terrorismo doméstico de ultranacionalistas brancos nos Estados Unidos.

“Nossa nação deve ter uma só voz neste momento, de repúdio ao racismo, à intolerância e à supremacia branca. Essas ideologias sinistras têm que ser derrotadas. O ódio não tem lugar nos Estados Unidos”, disse o presidente, lendo um comunicado escrito por seus assessores, de forma seca e sem grande emoção.

Após os atentados em El Paso e em Dayton, os analistas estadunidenses recordaram que Trump ignorou as advertências de que suas palavras soavam como um contive a este tipo de violência, e se recusou a reconhecer que os crimes de ódio e atos de terrorismo doméstico vinculado à supremacia branca aumentaram durante sua presidência, segundo dados do Departamento Federal de Investigações (FBI, por sua sigla em inglês).

Alguns analistas de meios impressos, rádio e canais de televisão recordaram que durante as últimas semanas Trump intensificou seus ataques abertamente racistas contra legisladores federais minoritários e suas comunidades, acusando-os de traição e repetindo suas frases favoritas sobre a invasão de imigrantes latino-americanos, o mesmo vocabulário usado pelo atirador de El Paso.

Em maio, durante um comício político na Flórida, Trump perguntou: como podemos parar essa gente? Fazia referência aos migrantes, e um dos seus fanáticos gritou: “atirando neles”. O presidente respondeu com uma risadinha.

A chancelaria uruguaia emitiu uma nota esta semana na qual aconselha evitar lugares com grandes concentrações de pessoas, (parques temáticos, centros comerciais, festivais artísticos, atividades religiosas, feiras gastronômicas ou manifestações culturais e esportivas, devido à violência indiscriminada, em sua maior parte por crimes de ódio, entre os quais estão o racismo e a discriminação.

Esses crimes custaram a vida de mais de 250 pessoas nos primeiros sete meses deste ano nos Estados Unidos, e as recomendações da chancelaria uruguaia são reflexo da impossibilidade das autoridades estadunidenses de prevenir essas situações da violência, devido à posse indiscriminada de armas de fogo por parte da população.

Esses crescentes atos de violência encontraram e eco e sustentação nos discursos e ações impregnadas de discriminação racial e ódio contra as populações migrantes, pronunciados e executados pela elite supremacista, que tem poder político em Washington. Nas 250 mortes reportadas há um fator fundamental em comum: a facilidade para obter a posse de armas de fogo da população, fomentada também pelo núcleo do governo federal do país.

Em Bruxelas, Mina Andreeva, porta-voz da Comissão Europeia, expressou que a comunidade está “comovida pelos terríveis acontecimentos deste fim de semana nos Estados Unidos”, e condenou “com firmeza os ataques em massa que estão destroçando vidas e comunidades em todo o mundo”. Enquanto isso, a Anistia Internacional considerou que a violência armada nos Estados Unidos é uma manifestação da crise dos direitos humanos existente nesse país.

O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, se manifestou em sua conta de Twitter: “minha solidariedade com a dor do povo mexicano. A matança de El Paso é o resultado do discurso de ódio. O criminoso buscou as vítimas por sua procedência. Racismo em estado puro, o que condeno e lamento com toda a força da razão e do coração”.

Por Mirko C. Trudeau é economista do Observatório de Estudos Macroeconômicos (Nova York) e analista de temas sobre os Estados Unidos e a Europa associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE).

*Publicado originalmente em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli




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