Antifascismo

Recordar é reviver

''Cale a boca, deixa eu falar e desligue essa droga'' - General Newton Cruz, 1983. ''Vontade de encher tua boca de uma porrada'' - Presidente Jair Messias Bolsonaro, 2020

21/10/2020 19:55

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Em maio deste ano o capitão de prontidão no Planalto afirmou ''Eu sou, realmente, a Constituição.'' Ledo engano. A Constituição é um livrinho ao qual, num estado laico como o nosso, todos se curvam. É o livro supremo, ela sim acima de tudo e de todos.

Em seu artigo 220 está escrito, de forma clara, que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, não sofrerão qualquer restrição. Para que não reste dúvida ainda diz que nenhuma lei poderá limitar a plena liberdade de informação jornalística.

Na Ditadura Militar, que o capitão nega ter existido, a Constituição era outra e a censura era oficializada e regida pela Lei de Imprensa, assinada pelo General Castello Branco, Ditador 01. Os generais, quando questionados, nos brindavam com frases como a proferida, em 1983, no governo Figueiredo, Ditador 05, pelo General Newton Cruz ao ser questionado sobre a falta de democracia por um jornalista da Rádio Planalto.: ''Cale a boca, deixa eu falar e desligue essa droga''.

Não é possível esquecer que uma democracia está diretamente condicionada à liberdade de imprensa, sem a qual não existe. Para que seja plena é necessário o respeito a profissionais e o livro acesso às informações que não sejam classificadas como segredo de Estado.

Assim, se no dia 17 passado, foi a Anistia Internacional que se manifestou sobre o absurdo do envio de agentes da ABIN para espionar a COP 25, hoje foi a ONG
Repórteres Sem Fronteiras que, em seu informe trimestral, denunciou ''uma série de mecanismos de censura indireta'' e o fato de terem sido feitos mais de cem ataques a jornalistas e meios de comunicação.

 Diante das inúmeras
grosserias e descalabros verbais com os quais o capitão no Planalto costuma agredir e tentar intimidar a imprensa, afirmam que, não só a hostilidade se tornou marca registrada do governo, como também denunciam a omissão de informações e restrição de acesso de jornalistas a informações oficiais. Acrescente-se a isso o uso político de canais oficiais de comunicação.

Se os insultos descontrolados aos jornalistas, feitos pelo capitão, fossem gritados em público, como de fato são, tivessem sido proferidos na Ditadura, ele poderia ser enquadrado no artigo 17 da Lei de Imprensa por ofender a moral e os bons costumes. São comuns as agressões machistas, misóginas, referência às mães, alusões sexistas e palavrões. Até mesmo ameaças físicas, como ''Vontade de encher tua boca de uma porrada'', quando perguntado por que Dona Michele teria recebido R$ 89.000,00 de Fabrício Queiroz não faltam em sua coleção. Não deu a porrada mas, o que é muito grave, até hoje também não respondeu à pergunta...

A informação, se manipulada ou omitida, é sem dúvida a forma mais eficiente de dominação. E contra isso que devemos lutar pois não podemos nos deixar dominar mansamente por um governo fascista.



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