Arte

''Alujá'': clipe de Baobá aborda religiosidade de matriz africana sob novo contexto

Narrando a dança que evoca Xangô, o orixá rei, ''Alujá'' relata a religiosidade africana a partir de representação afrofuturista. Sonoridade é marcada pelos ritmos da Diáspora Africana

21/07/2021 18:54

(Camila Rhodes)

Créditos da foto: (Camila Rhodes)

 
Em clipe de estreia, Baobá usa os três minutos do single para sintetizar suas amplas referências e mostrar a que veio. Com vestes vermelhas que representam Xangô, o senhor do fogo, dos raios e do trovão, Baobá cria sua própria narrativa no tempo e espaço: um diálogo entre a ancestralidade do povo preto em diáspora e as múltiplas possibilidades das vivências pretas contemporâneas.

Na espiritualidade africana, que vive das relações com a natureza, “Baobá” é uma árvore ancestral, presente principalmente em Madagascar e no Senegal. Trazendo em seu próprio nome a história de tempos imemoriais, Baobá começa seu clipe partindo da raiz. “Alujá” tem como primeiro plano a religiosidade, o som do tambor e as representações vivas dos ritos, desde a dança do Alujá à oferenda para Xangô com o quiabo, alimento que assim como Baobá, fez diáspora da África às Américas.

Fincando suas raízes na terra, a narrativa de Baobá é ancestral ao mesmo passo em que é afrofuturista e não-binária, mostrando o futuro dentro de uma perspectiva não somente afro, mas afro e apartada da hétero-cis-normatividade. Afro, livre e imperativa como o trovão de Xangô.

Na sonoridade, “Alujá” mergulha de cabeça nas amplas referências negras, tendo o Drum & Bass do Blues como base e o funk, afrobeat e tambor como tempero. O resultado musical é a miscelânea de artista que bebe da água de nomes como Tim Maia, Bob Marley, Os Tincoãs, Gilberto Gil, Juçara Marçal, Metá-Metá e Baiana System.

Baobá representando Xangô

Além da parte musical, o clipe de “Alujá” se completa com a performance de Baobá adquirida no estudo das Artes Cênicas. Tomando a cena, explora outras linguagens artísticas na dança, coreografada por Vitória Mbengue, e na escolha dos figurinos, que Baobá assina como stylist. Celebrando uma pegada contemporânea tanto na sonoridade quanto na estética e apresentação corporal, Baobá também se define como um nome do afropop.

“Alujá” foi gravado pelo Estúdio SigoSom. O clipe contou com a presença dos dançarinos e uma equipe de profissionais independentes na sua produção, Direção Geral; Monalisa Amaral, Roteiro e Direção de Arte; Baobá, Direção de Fotografia; Renato Pascoal, Produção; Felipe Demori e Maiara Terumi, Montagem; Ingrid Felix, Elenco; Caio Moura, John Barros, Jhow Caillou, Rafa Bernadete, Assistente de Arte e Assistente de Produção; Elizabeth Regina, Operador de Câmera; Gustrago, Assistente de Fotografia e Making Off; Camila Rhodes, Beauty; Éris Bennett; Beatriz Gomes; Anuby Messias, Styling; Baobá; Assistente de Styling; Leticia Pompeu, Acessórios; Arthur Olly, Coreografia; Vitória Mbengue, Correção de Cor; Júlio Cardoso, Finalização; Renato Pascoal, Catering; Renata Soul, Transporte; Raul Vicente, Produção Musical; Arielly Porto e SigoSom, Composição; Baobá).

Clipe Alujá: Baobá - Alujá - YouTube



Baobá

Baobá canta, compõe e performa. Sua sonoridade é marcada pela cultura popular negra de tradição e da contemporaneidade. Com isso, une os ritmos africanos do coco de roda e do jongo aos elementos do funk, soul e afrobeat. Nessa construção, se posiciona na música afropop e afrofuturista, entendendo que só há futuro a partir do fortalecimento do passado.

Lançou em Dezembro de 2020 seu primeiro single nas plataformas digitais, chamado Olhos D'Água, em parceria com a artista Renata Soul. O single foi produzido pelo Estúdio Jhama.

Seu trabalho, hoje solo, partiu da banda Raízes de Baobá com outras nove pessoas. A banda emergiu após uma pesquisa sobre akilombamento, vivências e conhecimentos ancestrais, oriundos dos candomblés, das curandeiras, cantadeiras e lavadeiras. Com o grupo, fez shows e performances em 2019.

Natural de Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo, Baobá iniciou sua trajetória com 8 anos no teatro e em aulas de canto coral infanto-juvenil. Aos 15 anos conheceu os saraus e espaços culturais, onde passou a performar. Desde ali, não parou mais, estudando também Teatro na Escola Viva de Artes Cênicas em 2017 e Canto Popular na ETEC de Artes em 2019.

Baobá é árvore que conta história dos tempos imemoriais, que guarda os segredos e os transforma em poesia, em canção, suas Raízes fincam cada vez mais fundo nesta terra”

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