Arte

Aki Kaurismaki mostra o mais solitário dos homens

22/05/2006 00:00

CANNES - Koistinen é o último dos homens, o mais solitário. É um perdedor, um "idiota romântico", como define um dos protagonistas de "Laitakaupungan Valot" (“As luzes da Cidade”, em português), filme do diretor finlandês Aki Kaurismaki apresentado neste dia 22 de maio no concurso pela Palma de Ouro em Cannes.

Koistinen (Jamme Hyytiainen) é vigia em um cinza e labiríntico bairro de Helsinki, capital da Finlândia, e tem o ritmo dos homens simples que esperam alguma coisa acontecer na sua vida, que uma luz preencha o seu coração. Homem de poucas palavras, ridicularizado pelos colegas de trabalho, divide a vida entre seu monótono emprego e freqüentando alguns bares e o quiosque de bebidas de Aila, próximo a sua casa.

Será exatamente durante uma solitária ida a um destes tristes bares que encontra Mirja (Maria Jarbenhelmi), uma bela mulher que demonstra interesse por ele. Na realidade, Mirja é apenas o instrumento de uma gangue que quer utilizar os códigos de acesso de Koistinen para assaltar a joalheria de um centro comercial.

Mas graças à mulher, o pobre Koistinen sofrerá também outras desgraças. Será preso e condenado a um ano de prisão. E quando sair, encontrará novamente a sua paixão junto ao malvado chefe do bando.

"Laitakaupungan Valot" (“As luzes da Cidade”) é a última parte de uma trilogia iniciada pelo diretor finlandês com “Nuvens Passageiras” (1996) e “O Homem sem Passado” (2002). "Desta vez abordo o tema da solidão de uma pessoa que não pode nem mesmo sonhar algo", explica o diretor.

Kaurismaki faz até mesmo uma brincadeira sobre Pedro Almodóvar, pois, no seu filme, há uma canção, “Volver”, que tem o mesmo nome do título do último filme do diretor espanhol. "Almodóvar sempre quis me imitar em toda sua carreira, e nunca conseguiu, mas certamente é muito bom", brinca Kaurismaki.

Kaurismaki também confirma a semelhança entre o personagem Koistinen e os personagens de Charles Chaplin. "Para mim Chaplin é o melhor diretor da história do cinema. O único capaz de colocar na mesma cena ironia, tristeza e divertimento. Certamente influenciou todo meu trabalho", afirma o diretor finlandês. (ANSA)



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