Arte

Claire Fontaine: arte feminista sobre lucro e objetificação para ver em Lisboa

Inaugura esta terça-feira na Galeria Avenida da Índia, em Lisboa, uma exposição do coletivo feminista Claire Fontaine. ''Your money and your life'' apresenta um conjunto de obras que pretendem refletir sobre o lucro e objetificação do ser humano

22/10/2019 18:58

 

 
Claire Fontaine  é um coletivo artístico fundado em 2004. Tomou o nome de uma famosa marca francesa de blocos de notas e assume-se como um coletivo feminista que pega em formas e materiais existentes para fazer uma crítica política e às normas dominantes do mundo artístico.

É este grupo que traz a Portugal a exposição “Claire Fontaine. Your money and your life.” que vai ser inaugurada às 18.00 de terça-feira na Galeria Avenida da Índia em Lisboa , uma das galerias municipais de Lisboa .

Esta exposição é a reedição de uma outra realizada em Génova no início do ano. Nela, segundo a apresentação oficial  “obras novas e antigas, que giram em torno de valor, do lucro, da propriedade privada e da objetificação de seres humanos, mantêm um diálogo vivo entre si”.

Assim, dada a forma que tomaram lucro e propriedade privada, a escolha que os bandidos de tempos idos imponham entre o “dinheiro ou a vida” já não tem lugar porque “hoje, o capitalismo exige ambos: o nosso dinheiro e o nosso tempo, a mobilização constante da nossa capacidade relacional e da nossa adaptabilidade para suportar condições de vida cada vez mais precárias”.

Para os artistas da Claire Fontaine “a violência política contemporânea requer respostas criativas” de forma a “resistir ao nosso ambiente tóxico e mercantilizado”. Por isso definem a sua forma de fazer arte como estando “a meio caminho entre pirataria e apropriação”, criando uma “atribuição de um valor de uso diferente às obras de arte que ela cita e transforma”.

Entre outras provocações e ironias, poderão ser encontradas nesta exposição caixas de luz que colocam em questão noções de autoria e apresentam apelos à rebelião criativa feminista, cartões postais que questionam a autoridade artística, desenhos de prisioneiros do Iémen mostrados em telemóveis de ecrã partido, vídeos sobre violência.

A entrada nesta exposição, que irá estar patente até 5 de janeiro de 2020, é livre.

*Publicado originalmente em esquerda.net



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