Arte

O amor nos tempos de Tien An Men

17/05/2006 00:00

CANNES - O único filme chinês em concurso apresentado nesta quarta-feira, 17 de maio, no Festival de Cannes, "Summer Palace" de Lou Ye, aterrissa na Croisette com dois pecados capitais. Duas culpas que teriam atiçado a censura prévia das autoridades chinesas, que ainda não o liberaram no país. A primeira são as muitas cenas de sexo explícito. A segunda, que o filme trata daquele movimento estudantil que provocou os confrontos na praça de Tien An Men em 1989. Na verdade, mais que pecados capitais, no caso de "Summer Palace" deveria falar-se de pecados veniais.

O sexo está lá de forma bem explícita mas é passional e envolve a protagonista Yu Hong com o grande amor de sua vida: o jovem Zhou Wei. Os dois estudantes de Pequim são envolvidos no movimento estudantil de Tien An Men, mas na verdade pouco se vê das cenas violentas na praça. O filme trata mais de uma geração chinesa aberta pela primeira vez para uma vontade de mudança que até pratica um sexo liberatório, politicamente transgressivo.

Do ponto de vista histórico, "Summer Palace" não se limita aos anos 80. Com flashback volta no tempo a partir da queda do Muro de Berlim e chega até 2003.

O centro é a história de amor obsessiva da protagonista pelo seu Zhou Wei. Uma mulher romântica e muito racional que afirma que no amor "a moral existe quando dois corpos se unem".

No entanto também é verdade que aquele período histórico não pode certamente ser tolerado pelas autoridades chinesas, como o próprio diretor reconhece quando afirma que "a primavera de Pequim não morreu. Ainda vive dentro de nós". (ANSA)



Conteúdo Relacionado