Arte

Quem diz é o vovô Carlos: a luta continua!

Uma história para aproximar pais e filhos do pensamento de Karl Marx e da luta dos trabalhadores

28/02/2018 09:27

Reprodução - Blog da Boitempo

Créditos da foto: Reprodução - Blog da Boitempo

 
‘’O vovô Carlos é um barato! Sempre que vão visitá-lo, seus netos pedem que ele conte uma história. Só que dessa vez ele vai contar uma história diferente. Nada de princesas ou dragões! A história de hoje aconteceu de verdade, não faz tanto tempo assim e continua se repetindo em muitos lugares do mundo... A história da luta dos trabalhadores. ’’

Esta é a introdução do original livro ‘’O Capital’’ para crianças (Editora Boitempo/Selo Boitatá), lançado há apenas duas semanas, no Brasil, com grande sucesso de vendas. O autor que adaptou a obra seminal de Karl Marx para leitura de meninos e meninas é o catalão Joan R. Riera, de Barcelona, 40 anos, editor da espanhola Edicions Els Llums. Há sete anos ele se dedica a publicar poesias e pensamentos e esta é sua primeira incursão na literatura infantil.

Sua co-autora e ilustradora do texto que é animado com divertidos quadrinhos de excelente qualidade e em cores vibrantes, é Liliana Fortuny, autora do pequeno conto de apresentação no qual o próprio Karl Marx é transformado por ela em avô Carlos. Ele é quem explica aos netinhos como o capitalismo funciona.

Fortuny é conhecida pelo seu trabalho, na Europa, através de ilustrações para livros infantis, capas de discos para crianças, videoclipes, desenhos animados e contos para os pequenos. Dentre os livros que ilustrou: Salvemos El Nautilus!, La canción del parque e El día del libro de las galáxias, este lançado ano passado.  

‘’O Capital’’ para crianças, agora traduzido para o português por Thaisa Burani, foi projetado de modo a que os pais possam contar aos filhos, de forma sensível e divertida, as principais ideias do filósofo alemão acerca da exploração trabalhista e da mais-valia. 

É recomendado para crianças a partir de sete anos e tem como objetivo principal estimular o pensamento crítico através de conversas sobre o mundo do trabalho (inclusive dos pais), os direitos dos trabalhadores, os salários recebidos por eles e, eventualmente, as greve por melhores condições laborais.

Ao final da obra, o leitor encontra uma página de questões instigantes sobre a história para uso em grupo, na escola ou em casa. 

A crítica uruguaia Rosana Peveroni, especialista em literatura infantil, de La Diaria, escreveu sobre o trabalho – sobre o texto e os quadrinhos.  ‘’ O estranhamento surge da aparente distância radical entre ambos os universos – por um lado, a economia, a política e a ideologia, o mundo dos adultos; por outro, o universo da fantasia, que se assume próprio da infância e dos contos infantis -, mas se resolve com naturalidade ao instaurar, mediante a estrutura de quadrinhos, a situação de criar um texto com os elementos próprios do conto de fadas ”.

No mais, é mergulhar na deliciosa edição de 32 páginas onde o velho Marx logo no início avisa á garotada: “Me chamam de O Diabo porque quis acabar com o capitalismo e libertar a Humanidade da miséria, desemprego, exploração, desigualdade.”

Em seguida, acompanhar a grande aventura do protagonista: “... Nasci em Trier, Renana, Prússia”... ‘’Estudei Direito em Bonn’’... ”Quando descobri a Filosofia foi um choque... mas Filosofia não serve para nada, dizia minha família’’.

Ao longo das 32 páginas, o pequeno leitor é apresentado também a ilustres personagens coadjuvantes: Fourier, Proudhon, Heine, o louro Engels, grande amigo e o barbudo Bakunin! E aprende também o que é o Manifesto Comunista (‘’... um espectro ronda a Europa’’), e encontra uma página vibrante desenhada por Fortuny onde há um grito de esperança: “... proletários de todos os países, uni-vos!”

No final, a palavra ‘’Fim’’ vem acrescida de uma interrogação e esta é seguida de uma afirmação.

’Fim”? A luta continua!”

Em tempo: ‘’O capital’’ para crianças esgotou rapidamente e a primeira edição está sendo reimpressa.



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