Arte

Rica em temas sociais e políticos, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa hoje

Rica em temas sociais e políticos, Mostra Internacional de Cinema aposta nas obras que se destacaram nos principais festivais internacionais deste ano.

17/10/2013 00:00

Divulgação

Créditos da foto: Divulgação

Há mais de uma semana que basta passar pelo Conjunto Nacional, na Av. Paulista, para saber que um dos principais eventos culturais da cidade se aproxima. O cartaz no prédio anuncia a 37ª edição da Mostra Internacional de São Paulo, a qual tem início sexta-feira, dia 18.
 
Ao longo de duas semanas, cinemas, espaços culturais e museus serão tomados por cerca de 350 títulos, número consideravelmente maior do que os 16 longas-metragens de sua primeira edição, em 1977, quando criada por Leon Cakoff (falecido em 2011) em homenagem aos 30 anos do MASP.
 
A programação da Mostra foca em produções contemporâneas às quais o público dificilmente teria acesso. Isso ajudou a construir uma característica própria do evento, que se diferencia de seu análogo carioca, de caráter mais mercadológico. Enquanto o Festival do Rio exibiu os novos filmes dos já celebrados Woody Allen, Gus Van Sant e Alexander Payne, além dos blockbusters “Gravidade” e “Mato sem Cachorro”, a Mostra preferiu apostar nas obras que se destacaram nos principais festivais internacionais deste ano: “Cães Errantes” (prêmio do júri em Veneza), "Pais e Filhos” (prêmio do júri em Cannes) e “Child’s Pose” (Urso de Ouro em Berlim) são algumas dessas produções.
 
Com filmes de mais de 70 países, é dada a chance ao público de entrar em contato com temas e estéticas que não seguem o padrão dominante. Dos mais de 50 filmes em cartaz no circuito comercial paulistano hoje, apenas um vem do Oriente e este é a animação japonesa “Dragon Ball Z”. Fugir do olhar ocidentalizado será possível com sessões especiais que a Mostra dará a filmes chineses e coreanos. Além disso, a programação ainda contempla produções de países como Armênia, Cazaquistão, Chade, Jordânia, entre outros.
Outro destaque da programação são as retrospectivas. Stanley Kubrick, Eduardo Coutinho e Lav Diaz são os homenageados desta edição. Kubrick é um dos mais importantes diretores da história do cinema, sua crítica ácida e irônica em relação às consequências da guerra poderá ser vista em “Glória Feita de Sangue”, “Dr. Fantástico” e “Nascido para Matar”. Coutinho é possivelmente o maior documentarista brasileiro, com seu método único deu voz a personagens e classes marginalizadas. Vale a pena rever “Cabra Marcado para Morrer”, sua principal obra, que pretendia tratar do líder camponês João Pedro Teixeira, mas foi interrompida pelos militares em 1964, só podendo ser retomada 17 anos depois. Por fim, Lav Diaz é um renomado cineasta independente filipino cujos filmes dedicam-se à situação política e social de seu país.
 
No vão livre do MASP, serão exibidos gratuitamente filmes que fazem parte de uma programação especial que tem como tema “Cidade: modos de fazer, modos de usar”, a qual pretende discutir questões como mobilidade e ocupação do espaço público. “São Paulo S.A.”, de Luis Sérgio Person, e “Alma Corsária”, de Carlos Reinchenbach, são duas das produções que fazem parte desta apresentação especial.
 
 
São vários os filmes de temática política e social que fazem parte da programação, algo comum na Mostra e que remete à sua história: as sete primeiras edições tiveram que passar por censura prévia do regime militar. A cobertura da Carta Maior dará especial atenção a tais obras, a fim de alavancar o diálogo entre cultura e questões relacionadas à política, movimentos sociais e direitos humanos.



Conteúdo Relacionado