Arte

Todos na rua! A cidade - e o país - são de quem os ocupa

Na série de episódios 'Causando na rua', a arte dos coletivos e das minorias, e a energia da cultura do povo confrontam o retrocesso atual

17/07/2019 11:53

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∴ Leia mais: O que rola de arte coletiva no espaço público
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Estamos na segunda temporada de exibição, no CinebrasilTV* da segunda leva de episódios da série Causando na rua dirigidos por Caru Alves de Souza e Mari Palumbo com direção geral da importante cineasta paulista Tata Amaral, autora, dentre outros filmes, de Sequestro relâmpago, e festejada realizadora do cinema brasileiro.

Trata-se de um dos projetos cinematográficos mais interessantes deste ano, mais originais, com mini documentários que chegam nestas duas semanas de férias escolares – e se estendem em agosto. Nós os sugerimos com entusiasmo. São importantes para que o espectador, cada vez mais, conheça e reconheça, com maior apuro, a cultura, a diversidade e, sobretudo, a rua brasileira, o espaço mais adequado para a identificação das profundas mudanças sociais vividas no país, nas décadas mais recentes, antes de entrarmos no desastre dessa fase sombria e desgovernada do atual retrocesso; mas impotente para reprimir forças populares.

Nada mais genuíno hoje, no Brasil, do que as ruas das nossas cidades, descuidadas, abandonadas, sujas e carentes, entretanto cenário inconteste da originalidade, das ações firmes, da sensibilidade e da energia das manifestações de uma população antes confinada em guetos e com acesso restrito às ruas bem comportadas, em particular dos bairros das classes médias brancas - que chegavam, no passado, a inspirar telenovelas reforçando a desigualdade e a farsa de cidades higienizadas e em paz.

Na linha de frente da ocupação das nossas ruas, primeiro os artistas. Por isto, inaceitável, por exemplo, a proibição recente das pequenas apresentações de música, poesia e cantorias no interior dos vagões das linhas de metrô do Rio de Janeiro e nos corredores das suas estações.

Como pontas de lança, primeiro as minorias se apresentando, na sua rica diversidade, um dos traços mais fortes do perfil atual do país, apesar da desatenção e do desprezo das falsas elites políticas, econômicas e sociais. Trata-se de uma diversidade que emergiu, floresceu e continua se afirmando com orgulho e coragem.

Coletivos de cidadãos e cidadãs LGBT em performances dentro de ônibus. Grupos se apresentando nas margens do Capibaribe poluído. Fotógrafas feministas. Grafiteiros, pixadores, grupos de danças afro, hip hop com certeza, e o grande xadrez irônico na periferia paulistana – por aí vai.

Assistir Causando na rua é necessário. É inspiração. Em uma segunda fase é que se seguem as ocupações políticas e de massa.

O calendário das apresentações:

Dia 20/07 - Terminal 10mg por Grupo Mexa - Caru Alves de Souza

Coletivo formado por artistas LGBT , que através de táticas performativas realizam cenas definidas e improvisadas dentro de um trajeto, feito dentro de ônibus coletivos, criadas a partir de depoimentos dos integrantes do grupo, em sua maioria mulheres trans que vivem em centros de acolhidas na região central da cidade de São Paulo.

Dia 27/07 - Encruzilhada por Fragmento Urbano - Caru Alves de Souza

Grupo de dança de jovens de Guaianazes, extremo leste de São Paulo, que une danças urbanas a procedimentos de dança contemporânea, concebido para atuar no espaço urbano. Unindo a dança a uma investigação da corporeidade periférica afro-orientada, tensionam o espaço público buscando ressaltar a heterogeneidade social, étnica e social presentes na zona urbana.

Dia 03/08 - Praia do Baobá por Coletivo Praias do Capibaribe – de Mari Palumbo

A cidade do Recife é cortada pelo Rio Capibaribe, que evocada por Manuel Bandeira passou a ser o "cão sem plumas" de João Cabral de Melo Neto. O coletivo busca, através da montagem de uma praia à beira do poluído rio, conscientizar a população de sua importância e resgatar, por meio de atividades lúdicas, o convívio da população com suas margens.

Dia 10/08 - Mulheres na Rua por Coletivo Deixa Ela em Paz- de Mari Palumbo

Coletivo feminista, situado em Recife-PE, faz intervenções urbanas, como colagem de lambe-lambe, para transformar a realidade cotidiana das mulheres e suas vivências nas cidades buscando o enfrentamento ao machismo e à discriminação de gênero.

Dia 17/08 - Batalha de MCS por Batalha do Terminal - de Mari Palumbo

Na periferia de Recife, no bairro da Água Fria, acontece a Batalha do Terminal, uma batalha de MCs que promove o hip hop nas comunidades e contribui com a formação cultural dos jovens periféricos. Segunda maior batalha da cidade, ela pretende difundir a conquista do espaço público e a resistência nas ruas através das rimas, entendendo o hip hop como agente de transformação.

Dia 24/08 - Humildade Sem Falsidade por Exorcity – de Caru Alves de Souza

Uma das turmas de pixadores mais antigas de São Paulo, o Exorcity é uma referência do pixo na capital. Através de uma atitude essencialmente transgressora colocam seu nome nos muros de uma cidade que os quer esquecer, lembrando a todos que a cidade é de quem a ocupa.

Dia 31/08 - Corpos de Saia por Coletivo Bichx Soltx – de Caru Alves de Souza

Formado no extremo leste de São Paulo, no bairro do Itaim Paulista, usaram a letra "X" no lugar do "a" ou "o" para afirmar a diversidade, buscar a desconstrução de gênero e disseminação e desmistificação da cultura LGBT na periferia. A apresentação une performances que versam sobre a cultura LGBT e o Candomblé, religião da maioria dos integrantes do grupo.

07/09 - Vela na Billings por Navegando nas Artes – de Caru Alves de Souza

No Grajaú, as margens da Represa Billings, o coletivo promove a inclusão de jovens do bairro através de aulas de navegação nos barcos à vela, grafitadas por artistas locais. Através da prática esportiva e artística pretendem lançar um novo olhar para o reservatório, para a sua importância e para a necessidade de sua preservação.

Dia 14/09 - Sobre Linhas por Ser à linha_do – de Caru Alves de Souza

A necessidade de conexão entre as pessoas, nos grandes centros urbanos, é encarnada na performance da artista Tamara Faifman, que conecta as pessoas que passam na ruas através de uma linha enquanto escreve e declama um poema em seus corpos.

Dia 21/09 - Xadrez sem Muros por Xemalami – de Caru Alves de Souza

O grupo de RAP Xemalami faz uma analogia entre os peões do xadrez e os habitantes de zonas periféricas de São Paulo afirmando que "os peões não podem recuar". O projeto "Xadrez sem Muros" une grafite, hip hop e um xadrez gigante com o objetivo de instrumentalizar o jovem periférico a lutar contra as opressões do dia-a-dia através da palavra e do desenvolvimento do raciocínio lógico.

Na internet:

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