Carta Maior 20 anos

Ao arqueólogo do futuro

 

25/01/2021 12:18

(Reprodução/Facebook)

Créditos da foto: (Reprodução/Facebook)

 
Eu já trabalhava com o Joaquim Palhares quando ele se inspirou pela criação de uma agência de notícias que ampliasse a repercussão do Fórum Social Mundial iniciado em 2001. Aderi e, logo, comecei a publicar conteúdo relacionado à Arte e Cultura, editoria que propiciaria a cobertura sistemática das políticas culturais nos âmbitos das capitais brasileiras, das secretarias estaduais e do Ministério da Cultura, bem como das comissões de Câmara e Senado na propositura de novos marcos legais para o setor.

A cobertura do mainstream também era extensiva, como parte da estratégia de trazer novos leitores via o Portal Uol, do qual participávamos com conteúdos exclusivos. Colunas de grande visibilidade, como Ao Arqueólogo do Futuro, Crônicas Diárias, Políticas Culturais, Lusofonia, Arte e Educação, Cultura e Mercado somavam-se às editorias dedicadas à música, literatura, cinema, teatro, dança, artes plásticas e outras que cobriam a produção artística, cujo conteúdo pudesse ter alguma relação com a propositura da construção de um outro mundo possível.

Um inestimável plantel de colaboradores estrangeiros e brasileiros garantiu a diversidade e pluralidade das fontes e contribuiu decisivamente para pautar os debates de então e incluir os temas em agendas sociais, governamentais ou não, com diversos tópicos que não se viam na grande imprensa e que instrumentalizavam a militância na argumentação pelas conquistas.

Foram anos únicos, ao menos no tocante à cobertura exclusiva que a agência fazia dessa pauta exilada dos demais órgãos de imprensa. Por ser independente, em pouco tempo, os recursos, sem acréscimos da publicidade, escassearam e Carta Maior precisou fechar a redação, mas conseguiu manter-se atuante como um portal da esquerda latino-americana, graças aos acordos de compartilhamento de conteúdos que sempre buscou firmar com importantes jornais da esquerda mundial e pela continuidade do trabalho voluntário de muitos de seus colaboradores. Assim, ainda luta, como célula de resistência à barbárie hoje disseminada pelo poder instituído que fez retroceder, em poucos meses, as conquistas asseguradas por anos de luta dos movimentos sociais.

Eduardo Carvalho foi Editor de Cultura da Carta Maior até 2007





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