Carta Maior 20 anos

Carta Maior 2004: a resistência ao neoliberalismo vem do Sul Global

 

11/04/2021 13:00

(Reprodução/Revista Anfibia)

Créditos da foto: (Reprodução/Revista Anfibia)

 
Tendo como início uma edição marcante do Fórum Social Mun-dial na Índia, o ano de 2004 foi o auge de um ciclo de lutas pela integração da América Latina e dos países em desenvolvimento, com forte protagonismo político e diplomático do Brasil.

O comandante Hugo Chávez, principal inimigo do imperialismo em Nuestra América, derrotou uma tentativa de interrupção de seu mandato e deu os primeiros passos para a criação da Telesur e da ALBA. As políticas de austeridade impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) foram fortemente rechaçadas pelos povos do continente.

Se por um lado o ano foi marcado pela pressão dos movimentos sociais contra a lentidão do processo da reforma agrária liderado pelo governo Lula, por outro, importantes vitórias foram alcançadas, como a implantação do programa Farmácia Popular pelo SUS.

Também neste ano, os repórteres de Carta Maior entrevistaram o cantor e ativista Manu Chao, o militante sem-terra João Pedro Stédile e Raúl Reyes, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), entre outros políticos e intelectuais. O escritor Eduardo Galeano também contribuiu para nosso especial “Arqueólogos do Futuro”.

Estes 18 artigos publicados em 2004 compõem nossa retrospectiva do ano 4 da Carta Maior.

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Janeiro

(Reprodução/Youtube)


FSM deve priorizar alternativas para a mídia, defende Cassen
Por Jéferson Assumção
19/1/2004

O jornalista francês Bernard Cassen, diretor do jornal Le Monde Diplomatique, defendeu domingo (18) pela manhã durante conferência no Fórum Social Mundial a criação de um “quinto poder”, que faça a crítica e a elaboração de alternativas para a mídia. Na opinião dele, essa deve ser uma frente de luta prioritária para os movimentos sociais. “Necessitamos de um quinto poder, que se oponha ao sistema dominante, um poder de denúncia sobre os outros quatro", salientou. Ele expressou sua posição após relatar uma breve história da mídia no século 20.

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(Raju Bhagwat/World Vision)

Crônicas de Mumbai
Por Flávio Aguiar
15/01/2004

Duas matérias publicadas pela Carta Maior, em que Flávio Aguiar escreve crônicas de Mumbai, na Índia, palco do Fórum Social Mundial de 2004. Aguiar estava cobrindo o Fórum para a Carta.

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Fevereiro

(Fernando Lemos)


Morre Hilda Hilst
Por Mauro Rosso
04/02/2004

Taxada desde sempre de “maldita”, “pornográfica”, “escandalosa”, Hilda Hilst foi, no entanto, uma das mais talentosas escritoras brasileiras. Numa avaliação a sério, a crítica especializada já sentenciara: “a poesia de Hilda de-senha um arco de coerência e inspiração sem igual em qualquer outro autor vivo no Brasil.”

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Março

(Daniel García/AFP)


Argentina terá jornada de protestos contra Alca e dívida
Por Marco Aurélio Weissheimer
08/03/2004

O tema da dívida enfrenta uma semana decisiva na Argentina. O governo argentino deve definir nos próximos dias se paga ou não uma parcela atrasada de US$ 3,1 bilhões ao Fundo Monetário Internacional.

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Abril

Darc Costa (Reprodução/Youtube)


Nenhum país deixou periferia com políticas liberais, diz Darc
Por Marco Aurélio Weisshei-mer
26/04/2004

O engenheiro Darc Costa, vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), diz que não es-tamos condenados a ser periferia; a tarefa do Brasil é construir o processo de mundiali-zação. O debate foi durante o plenarinho da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

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Maio

(Marcelo Salinas/AFP/Getty Images)


Chávez declara “guerra” à CNN e quer rede de TV sul-americana
Por Marco Aurélio Weissheimer
06/05/2004

A América do Sul deve tra-balhar unida para construir uma rede de televisão capaz de se contrapor ao domínio midiático das grandes redes norte-americanas. A proposta é do presidente da Vene-zuela, Hugo Chávez, que declarou uma "guerra comunicacional" à rede CNN (Cable News Network), pertencente ao grupo Time Warner, acusan-do-a de patrocinar uma campanha sistemática de desmoralização de seu go-verno. Após anunciar a "guerra" à CNN, Chávez manifestou apoio ao projeto do governo argentino que pretende colocar uma plataforma de satélites de comunicação em órbita, defendendo também a inte-gração do Brasil ao projeto. A rede sul-americana, segundo o presidente venezuelano, poderia funcionar como o embrião para uma rede de comunicação que articu-lasse todo o Hemisfério Sul.

A declaração de Chávez contra a CNN foi feita no dia 2 de abril, durante seu programa de rádio e TV dominical, o "Alô Presidente". Segundo ele, a rede dos EUA continua implementando uma campanha de mentiras e desinformações dirigida contra o governo venezuelano. "É bom que saibamos todos de uma coisa: quando você está vendo a CNN, tenha certeza de que isso vem envenenado", disse Chávez. Ao fazer a denúncia, o presidente venezuelano declarou "guerra comunicacional" à rede de TV dos EUA, defendendo a criação de um canal de televisão internacional patro-cinado por países do hemisfério Sul.

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(Jose Gomez/Reuters)

Espírito revolucionário continua vivo, diz líder das FARC
por Stéphanie Gendron
26/05/2004

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia celebram seus 40 anos tendo de enfrentar uma nova ofensiva militar empreendida pelos governos colombiano e norte-americano. Depois de haverem sido acusadas como narcotraficantes, estão agora identifica-dos como terroristas. No entanto, Raúl Reyes, um dos principais membros da Secretaria Central do Estado Maior das Farc, disse que o grupo não teme a derrota e segue com seus mesmos ideais revolucionários. Em entrevista concedida por correio eletrônico à Agência Carta Maior, Raúl Reyes faz um balanço de sua organização, que soma hoje mais de 18 mil sodlados.

CM Quais são os objetivos finais de sua luta?

RR – Uma Pátria, um Governo e Instituições que construam com o povo um Novo Poder que proporcione o maior grau de felicidade possível. E isto apenas se alcança derrotando o Estado burguês, violento e corrupto, transformando os costumes políticos, criando uma economia soberana e re-lações internacionais em pé de igualdade, de convivência pacífica e mútuo benefício. Lutamos pela Nova Colômbia, indepen-dente, justa, digna e soberana, entendida como uma só Nação, uma só Pátria depositária da justiça social e da paz duradoura e definitiva.

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Junho

(Ricardo Chaves/Arquivo pessoal)


Morte de Brizola é símbolo de um país que deixou de existir
Por Marco Aurélio Weissheimer
22/06/2004

Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República, anunciou que um dos princi-pais objetivos de seu governo seria o de enterrar a era Vargas e seus arcaicos projetos desenvolvi-mentistas. Os oito anos do período FHC cumpriram boa parte dessa agenda e a idéia de um projeto nacional de desenvolvimento foi soterrada por uma política que apostou nas privatizações e na abertura da economia ao mundo globalizado. Os capitais abun-dantes desse admirável mundo novo levariam o país, segundo a intelectualidade do PSDB, à modernidade exigida pelo final do século XX. Brizola foi uma das princi-pais personagens desse período que FHC quis – e, em grande medida, conseguiu – enterrar. Ironicamente, no final de seus dias, Brizola costurava alianças com esses setores da política nacional que elegeram o fim da era Vargas como objetivo es-tratégico. Esse capítulo final de sua vida não é representativo de sua história de luta contra as oligarquias nacionais que se opuseram, política e militar-mente, ao reformismo trabalhista e a qualquer projeto de transformação da estrutura de poder econômico no Brasil.

Descanse em paz com a promessa de que muitos não descansarão em tornar realidade as palavras expressas na Carta de Lisboa, em 1979: “A experiência histórica nos ensina, de um lado, que nenhum partido pode chegar e se manter no governo sem contar com o povo organizado e, de outro lado, que as organizações populares não podem realizar suas aspirações sem partidos que as transformem em realidade através do poder do Estado”.

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(Reprodução/Mubi)

Manu Chao: o mundo precisa de milhares de revo-luções
Por Verena Glass
28/06/2004

Aos 43 anos, o músico franco-espanhol Manu Chao é uma das unanimidades entre altermundistas de todas as gerações e graduações de rebeldia e engajamento. Nascido em Paris como filho do jornalista espanhol Ramon Chao (colaborador do jornal de esquerda francês Le Monde Diplomatique), Manu conviveu desde cedo com intelectuais, compositores, músicos e pintores, refugiados das várias ditaduras latinoamericanas que freqüentavam a casa de seus pais. Esta certamente foi a base tanto do multiculturalismo que impregna seu trabalho musical – iniciado com as bandas Joint de Culasse, Hot Pants e Los Carayos, e que estourou com o grupo de rock multi-étnico Mano Negra (nome de uma organização extremista da ex-Iugoslávia), quanto da postura política que o aproximou do movimento zapatista no México, do MST no Brasil e dos movimentos antiglobalização neoliberal europeus.

“Eu apoio a permanência do presidente Hugo Chávez no governo [em relação ao referendo revogatório de 15 de agosto]. Ele foi eleito democraticamente, e não é admissível que os EUA interfiram em assuntos internos do país. A democracia está com Chavéz no poder até as próximas eleições regulares.”

bit.ly/3fX3a6h

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Julho

(Reprodução/America 2.1/bit.ly/3uA9CUU)


Mercosul busca unidade política e não só comercial, diz Kirchner
Por Marco Aurélio Weissheimer
08/07/2004

O presidente argentino, Néstor Kirchner, fez um chamamento pela unidade, fortalecimento e ampliação do Mercosul, nesta quinta-feira (8), em discurso feito na 16ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, em Puerto Iguazú, Argentina. Como passos nessa direção, Kirchner anunciou a criação de um tribunal para a solução de conflitos entre os países do Mercosul (que será composto por cinco juízes, já designados) e deu como certa a incorporação da Venezuela e do México como sócios do bloco. Dizendo ser hora de avançar nos temas mais sensíveis, o presidente argentino defendeu um modelo mais profundo de integração que não se restrinja a acordos comerciais mas que busque uma unidade política e o combate à pobreza e à exclusão social.

Segundo Lula, a economia brasileira entrou em fase de sólido crescimento e isso cria as condições necessárias para ampliar o intercâmbio e a cooperação com os demais países da região. Ao fazer um balanço de dez anos de negociações, Lula destacou a ampliação do Mercosul, com a associação de Chile, Bolívia e Peru, e disse que espera para breve a entrada do México no bloco. Também mencionou as negociações atualmente em curso com a Índia, África do Sul, Egito, China e Japão, ressaltando que o Brasil está assumindo a liderança do Mercosul com um sentido de "responsabilidade e urgência". Por fim, defendeu que os países do bloco devem unir esforços e partir para a exploração de novos campos do conhecimento, como os da energia nuc-lear e da exploração espacial.

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Agosto

(Reprodução/Twitter)


Hugo Chávez se fortalece, opositores denunciam fraude
Por Gilberto Maringoni
09/08/2004

Uma chuva fina, porém constante, caiu sobre Caracas durante toda a madrugada de segunda-feira (16). As ruas dos bairros de classe média estavam praticamente vazias e pouquíssimos táxis circulavam. Mas na avenida Urdaneta, em frente ao palácio de Miraflores e em vários bairros populares, o clima era outro. Milhares de pessoas, já encharcadas, começavam a comemoração de uma vitória que se anunciava nas horas anteriores. Eram exatamente 3h47 quando o presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Francisco Carrasquero, em rede nacional de rádio e televisão, anunciou o primeiro resultado parcial das apurações do referendo revogatório do mandato do presidente Hugo Chávez. Foi um pronunciamento curto e seco de menos de dois minutos: – Apurados 94,49% do total, a opção "Não" obteve 4.991.483 votos, correspondentes a 58,25% da totalidade válida, e a opção "Sim" alcançou 3.576.517 votos, chegando a 41,74% do número de eleitores. Muito obrigado".

Hugo Chávez se fortalece imensamente com os resultados. É sua oitava vitória eleitoral consecutiva, desde que se sagrou presidente em dezembro de 1998. Com um dado a mais: sua aceitação cresceu, tanto em número absoluto de votos (3,67 milhões naquela época), quanto em termos percentuais (57% há seis anos). E ganha musculatura internacionalmente, por mostrar ser possível seguir governando sem contar com o beneplácito de Washington.

bit.ly/3wR0Nbp

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(Reprodução)

Quase 1 milhão de remédios vendidos. Sem esquecer do SUS
Por Maurício Hashizume
30/08/2004

Mais de 10 mil medicamentos vendidos a cada dia, em uma rede que chega hoje a 23 pontos de venda. Lançado há três meses, o programa Farmácia Popular do Brasil alcançou, segundo nota divulgada pelo Ministério da Saúde (MS) na última sexta-feira (27), a significativa marca da venda de 960 mil unidades de remédios.

Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa federal vem provocando alvoroço principalmente entre representantes de entidades das redes privadas de farmácias, atingidas em cheio pelos balcões 100% estatais que vendem remédios com preços até 85% menores. O min-istério instalou farmácias em quatro capitais: 16 em São Paulo; 5 em Salvador; 1 no Rio de Janeiro e 1 em Goiânia. A meta do programa é chegar a 100 pontos de venda no país até o final deste ano.

bit.ly/3dNMqeZ

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Setembro

(Wikimedia)


“Às vezes, governo Lula não é patriótico”, diz Stédile
Por Bia Barbosa
08/09/2004

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra integra a organização do Grito dos Excluídos desde seu início. Presente ao ato deste ano em Aparecida do Norte (SP), João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional do MST, conversou com alguns jornalistas. Nesta entrevista, ele fala da importância do protagonismo da popu-lação para as mudanças sociais e, em Dia de Independência, critica o pagamento da dívida externa, as negociações da Alca e a falta de patriotismo de determinados setores do governo Lula. Leia a seguir os principais trechos desta conversa feita no pátio do Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

O presidente ex-altou nos jornais a importância do patriotismo do brasileiro. É possível ser patriota quando o país ainda enfrenta tantos problemas sociais. Isso não é contraditório?

João Pedro Stédile – São duas coisas diferentes. O patriotismo e a soberania nacional nós temos que defender todos os dias. E o governo deveria dar o maior exemplo disso em todos os momentos. O que posso criticar é que várias áreas do governo Lula estão afetan-do a soberania nacional, como é o caso dos leilões dos poços de petróleo, que entregaram nossa riqueza para as multinacionais. Está na Consti-tuição que o petróleo é nosso. Mas o governo fez uma lici-tação e o entregou para empresas multinacionais. Isso não é patriotis-mo. Em outros momentos, nossa política econômica é de uma total subser-viência aos interesses do Fundo Monetário Internacional. O representante do Fundo, que representa na verdade o interesse dos banqueiros internacionais, veio aqui e o governo bateu palma. Isso é antipatriotismo. O governo deveria fazer auto-crítica. Patriotismo não é só cantar o hino e reverenciar a bandeira. Patriotismo é defender em primeiro lugar os interesses do povo brasileiro. E cada vez que o governo atende antes aos interesses da banca internacional, das multinacionais, do que os interesses do povo, ele não está sendo patriótico.

bit.ly/31Y5TnX

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Cândido Grzybowski (Reprodução/Youtube)

Diálogo inédito quer aproximar povos da África e do Merco-sul
Por Marco Aurélio Weissheimer
05/09/2004

Um diálogo entre os povos africanos a latino-americanos sobre a construção de alternativas regionais à globali-zação capitalista. Esse é um dos principais objetivos do encontro que reu-nirá em Johanesburgo, África do Sul, de 7 a 9 de setembro, um conjunto de organi-zações da sociedade civil de doze países da Southern African Devel-opment Community (SADC) e dos países membros do Mercosul. Participarão do encontro representantes de movimentos sociais, redes e ONGs feministas, sindicatos e organi-zações populares do sul da África e do sul da América Latina. (...) O encontro da África do Sul pretende ser um pontapé inicial de um processo mais sis-temático e articulado de aproximação, tendo como uma de suas re-ferências centrais o Fórum Social Mundial.

Cândido Grzybowski: As motivações mais gerais estão relacionadas à novidade representada pelo movimento por uma outra globalização em torno do processo do Fórum Social Mundial e à necessidade de aprofundar o debate sobre a produção de alternativas. Aprofundar esse debate significa também ampliá-lo, internacionalizá-lo. Essa foi a razão pela qual o Conselho Interna-cional do Fórum Social Mundial decidiu realizar o FSM 2007 na África. Agora nesse encontro em Johanesburgo queremos aproximar as organizações da sociedade civil da África e da América Latina. Na verdade, estamos indo para lá, em boa medida, para nos conhecer melhor, conversar e começar a definir temas, ações e estratégias em comum. Outra idéia geral que nos motiva é que as conversas que vêm sendo mantidas entre os governos do Brasil, Índia e África do Sul, entre outros países, visando uma maior integração no hemisfério Sul, são importantes mas não podem ficar restritos à esfera comercial (em abril de 2003, Brasil, Índia e África do Sul lançaram o IBSA - India-Brazil-South Africa, Dialogue Forum Trilateral Commission Meeting). O diálogo que queremos construir pretende incluir outros temas nesta agenda.

bit.ly/39XQhF7

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Outubro

(Reprodução/Wikipedia)


Carta ao Senhor Futuro
Por Eduardo Galeano
01/10/2004

“Prezado Senhor Futuro,

Com a minha maior consideração

(...)

E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.

Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estarmos, para sermos, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.

Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.

Saúda-te atentamente,

Um Terrestre”

bit.ly/3dTjO40

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(Reprodução/bit.ly/39XNHPr)

Novembro

Quem defende os trabalhadores?
Por Leonardo Sakamoto
08/11/2004

A transformação de José de Alencar em ministro da Defesa pode criar difi-culdades para o combate ao trabalho escravo caso o vice-presidente não mude sua forma de pensar a respeito do tema. Alencar já havia declarado publicamente que não tem cer-teza da existência de escravidão contemporânea no Brasil. O apoio do Min-istério, que controla as Forças Armadas, é importante, pois algumas proprie-dades rurais na Amazônia só podem ser atingidas por aviões ou hel-icópteros devido à dificuldade de acesso.

Durante o 6º Congresso de Agronegócio da Sociedade Nacional da Agricultura, realizado no Rio de Janeiro, no dia 26 de agosto, o vice-presidente afirmou: “Não posso dizer que haja trabalho escravo. Há trabalho degradante. Escravo é quem não tem liberdade e tem do-no”. A afirmação é temerária e há duas hipóteses para explicá-la: ou Alencar, apesar de grande empresário do setor agrícola, não faz mínima idéia da situação dos direitos humanos na região de expansão agrícola ou está minando a iniciativa do seu patrão, que lançou pessoalmente em março de 2003 o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.

bit.ly/31Y5Us1

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Dezembro

(Ricardo Stuckert)


Brasil pauta debate sobre reforma agrária no mundo
Por Verena Glass
09/12/2004

O Fórum Mundial da Reforma Agrária (FMRA), que terminou quarta (8) em Valência, na Espanha, reuniu por volta de 600 partici-pantes de cerca de 70 países, mas foi o Brasil que pautou o cerne do debate político do evento – tanto na qualidade de vanguarda mundial da luta social, protagonizada pelo Mo-vimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), quanto pelo compromisso assumido pelo Go-verno de implantar a reforma agrária e as dificuldades no cumprimento dessa que foi a mais importante promessa de campanha do presidente Lula.

(...)

A partici-pação dos dirigentes das três instituições mais importantes do Brasil na promoção da reforma agrária e da agricultura familiar - o Min-istério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Instituto Nacional de Coloni-zação e Reforma Agrária (Incra) e o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do MDA (Nead) - no FMRA propiciou um debate tão qualificado como acalorado das ações do governo brasileiro.

bit.ly/3d1zhQr

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(Guillermo Alvarado)


Fidel e Chávez firmam acordo de inte-gração em oposição à ALCA
Por Verena Glass
16/12/2004

A visita do presidente venezuelano Hugo Chávez a Cuba esta semana deu um novo impulso ao projeto de cooperação entre os dois países, firmado inicialmente em outubro de 2000. Além dos aspectos econômicos, no entanto, Chávez e Fidel Castro também selaram uma união política de oposição aberta ao projeto da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), adotando os princípios da chamada Alter-nativa Bolivariana para as Américas (ALBA), projeto de integração he-misférica idealizado pelo presidente venezuelano.

(...)

Segundo o documento, “ambos Chefes de Estado acordaram subscrever o seguinte ponto de vista: (...) a Área de Livre Comercio para das Américas (ALCA) é a expressão mais acabada dos apetites de dominação sobre a região e, ao entrar em vigor, constituiria um aprofundamento do neoliberalismo e criaria níveis de dependência e subordinação sem precedentes”.

bit.ly/39Xn8u2







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