Carta Maior 20 anos

Carta Maior 2009: golpes na América Latina começam por Honduras

 

23/06/2021 10:48

Honduras sofreu golpe de Estado em 28 de junho de 2009 (Reprodução/Twitter)

Créditos da foto: Honduras sofreu golpe de Estado em 28 de junho de 2009 (Reprodução/Twitter)

 
O ano começou com a ratificação da nova Constituição na Bolívia, após um referendo proposto por Evo Morales; pela primeira vez na história do país, a Carta Magna era submetida ao voto popular. O texto fundou um Estado plurinacional e intercultural ao reconhecer sistemas diferentes de justiça, autoridade, conhecimento e propriedade para as comunidades indígenas e camponesas do país. No mês seguinte, Hugo Chávez derrotou o referendo revogatório de seu mandato, convocado pela oposição reacionária, com festa do povo nas ruas.

No contexto da crise econômica, a saída golpista, velha inimiga dos povos da América Latina, reapareceu com força para se contrapor aos projetos de soberania que avançaram no continente nos anos 2000. Em junho, o progressista Manuel Zelaya foi derrubado ilegalmente da presidência de Honduras. Este seria o primeiro de uma série de golpes de Estado na região perpetrados pelos Estados Unidos e pelas forças oligárquicas locais nesta última década. Ainda assim, os projetos soberanos e de justiça social seguiram avançando. O Paraguai, no governo de Fernando Lugo, passou a usar os recursos da usina de Itaipu para promover o desenvolvimento do país. No Brasil, o presidente Lula celebrou o feriado de 7 de setembro com um discurso anunciando a soberania da nação na exploração do Pré-sal pela Petrobras, com o direcionamento desses recursos para políticas sociais. A luta pela não extradição de Cesare Battisti, militante da guerrilha italiana PAC e à época exilado no Brasil, foi um capítulo central no campo da esquerda.

2009 foi o momento em que os debates em torno das políticas de comunicação da América Latina convergiram. A TV Brasil fez sua primeira audiência, em uma jogada do governo Lula para abrir espaço para o campo progressista em um meio controlado por conglomerados de informação privada. A 1ª edição da Conferência Nacional de Comunicação, a Confecom, envolveu também os veículos da imprensa contra-hegemônica e aprovou, entre outras teses, a criação de um Conselho Nacional de Comunicação e uma nova Lei de Imprensa. As atenções do continente se voltaram também para a vitoriosa aprovação da Ley de Medios na Argentina.

Além disso, como de costume, diversos intelectuais escreveram com exclusividade para Carta Maior, dando continuidade à nossa proposta de incidir sobre os debates programáticos da esquerda: Leda Paulani e Maria da Conceição Tavares escreveram sobre a dinâmica das crises do capital financeiro, respectivamente, no mundo e na América Latina; Leonardo Boff analisou como o avanço desenfreado do capital mina nossas possibilidades de existência; Ermínia Maricato apresentou os méritos e os limites do então novo programa federal de habitação Minha Casa Minha Vida; José Luis Fiori defendeu a necessidade de aprofundar as formulações teóricas sobre as formações econômico-sociais da América Latina; e por fim, Noam Chomsky expôs as mentiras contadas pelos Estados Unidos e por Israel para justificar o massacre do povo palestino, que nunca cessou, e neste ano de 2021 voltou a se intensificar.

Outra importante figura a contribuir para a Carta Maior em 2009 foi o jornalista e dirigente nacional do PCdoB José Carlos Ruy, que morreu há poucos meses. Ruy participou ativamente das lutas pela democratização da comunicação no período dos governos progressistas, e escreveu em nosso portal sobre os rumos da Confecom.

Os artigos abaixo selecionados fazem parte de mais um ano da retrospectiva que comemora o aniversário de 20 anos da Carta Maior, e cujos anos anteriores podem ser consultados no portal. Desejamos a todos uma boa leitura, que instigue a convicção de seguir lutando por justiça social e econômica no Brasil e no mundo.

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Janeiro

1 Os limites do capital são os limites da terra
15/01/2009
Por Leonardo Boff

Uma semana após o estouro da bolha econômico-financeira, no dia 23 de setembro, ocorreu o assim chamado Earth Overshoot Day , quer dizer, "o dia da ultrapassagem da Terra". Grandes institutos que acompanham sistematicamente o estado da Terra anunciaram: a partir deste dia o consumo da humanidade ultrapassou em 40% a capacidade de suporte e regeneração do sistema-Terra. Traduzindo: a humanidade está consumindo um planeta inteiro e mais 40% dele que não existe. O resultado é a manifestação insofismável da insustentabilidade global da Terra e do sistema de produção e consumo imperante. Entramos no vermelho e assim não poderemos continuar porque não temos mais fundos para cobrir nossas dívidas ecológicas.

2 Nova Constituição boliviana refunda país como “Estado plurinacional”
28/01/2009
Por Spensy Pimentel, de Cochabamba

É a primeira vez na história do país que uma Constituição é submetida a referendo popular. O novo texto vem sendo considerado uma inovação por instituir um "Estado plurinacional" e "intercultural", em que são reconhecidos regimes diferenciados de justiça, autoridade, conhecimento e propriedade para as comunidades indígenas (ditas "originárias") e camponesas.

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Fevereiro

3 “Exterminem todos os brutos”: Gaza 2009
13/02/2009
Por Noam Chomsky

Teve início o mais recente ataque de EUA-Israel contra palestinos indefesos. O ataque foi meticulosamente planejado, por mais de seis meses, de acordo com a imprensa israelense. O plano tinha dois componentes: militar e propaganda. Baseou-se nas lições da invasão israelense do Líbano em 2006, que foi considerada pobremente planejada e mal divulgada. Podemos, então, estar razoavelmente confiantes em que a maior parte do que vem sendo feito e dito foi intencional e programado.

4 A rua é dos chavistas; a oposição se refugia na mídia
16/02/2009
Por Rodrigo Vianna

Os fogos estouram no céu de Caracas. O Conselho Nacional Eleitoral acaba de dar o primeiro boletim oficial na noite de domingo. Com mais de 94% das urnas apuradas, o resultado já é irreversível: vitória do "sim" no referendo, vitória incontestável de Chavez.

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Março

5 As manchetes do Golpe Militar de 64
31/03/2009
Redação

Aqui está uma seleção do que foi destaque nos principais jornais do Brasil a partir do 1º de abril de 1964.

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Abril

6 América Latina, um continente sem teoria
22/04/2009
Por Jos
é Luis Fiori

No século XIX, o pensamento social europeu dedicou pouquíssima atenção ao continente americano. Mesmo os socialistas e marxistas que discutiram a “questão colonial”, no final do século, só estavam preocupados com a Ásia e a África. Nunca tiveram interesse teórico e político nos novos estados americanos, que alcançaram sua independência, mas se mantiveram sob a tutela diplomática e financeira da Grã Bretanha. Foi só no início do século XX, que a teoria marxista do imperialismo se dedicou ao estudo específico da internacionalização do capital e seu papel no desenvolvimento capitalista a escala global. Assim mesmo, seu objeto seguiu sendo a competição e a guerra entre os europeus e a maior parte dos autores marxistas ainda compartilhava a visão evolucionista de Marx.

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Maio

7 Marx, as crises e a “desregulação financeira”
19/05/2009
Por Leda Paulani

No terceiro texto da Série ‘Marxismo e Século XXI” - seminário virtual organizado por Carta Maior, com curadoria do sociólogo Chico de Oliveira - a economista Leda Paulani aborda a conceituação das crises cíclicas do capitalismo. Ela explica que Marx enxerga nas crises uma característica definidora do capitalismo, o modo pelo qual o sistema funciona, não o modo pelo qual ele falha. A causa das crises, do ponto de vista marxista, é sempre o excesso de acumulação de capital, que, a partir de determinado momento, não encontra condições de se realizar. Ao permitir a queima de capital, as crises liberam espaço para a continuidade do processo de acumulação. Há quase três décadas, porém, o capitalismo vem sendo comandado pelo lado financeiro, e isso introduziu mudanças significativas na forma de operar do sistema. Leia o artigo de Leda Paulani.

Há quase três décadas, porém, o capitalismo vem sendo comandado pelo lado financeiro, e isso introduziu mudanças significativas na forma de operar do sistema. A riqueza financeira, constituída em boa parte por aquilo que Marx denominou capital fictício, cresce exponencialmente, enquanto o crescimento da renda real (PIB) e, por conseguinte, da riqueza real, dá-se de modo muito mais lento.

8 O “Minha Casa” é um avanço, mas segregação urbana fica intocada
27/05/2009
Por Ermí
nia Maricato

O Pacote Habitacional lançado pelo Governo Federal em abril de 2009 – Minha Casa Minha Vida (MP n. 459, 25/03/2009) pretende financiar a produção de moradias para, antes de mais nada, minimizar o impacto da crise internacional sobre o emprego no Brasil. A prioridade é essa e ela não é pouco importante, ao contrário, ela é emergencial. A violência aumenta com o desemprego. Este não é a única causa daquela, mas uma das principais, senão a principal.

É por esse motivo, pelo fato de que os pobres não cabem nas cidades, que os conjuntos habitacionais têm sido construídos em terras baratas a longas distâncias. Levar a cidade até eles resulta socialmente muito caro, mas essa lógica de extensão da cidade alimenta aquilo que ocupa o lugar central da desigualdade urbana: a valorização imobiliária e fundiária. Grandes fortunas no Brasil se fazem sobre a renda imobiliária que decorre do crescimento urbano mas especialmente do investimento público sobre certas áreas da cidade. Já são milhares os livros e teses escritos sobre esse assunto, já temos base legal para fazer mudanças mas não avançamos um milímetro no combate à desigualdade e à segregação nas cidades dominadas pelo capital imobiliário rentista e pelo patrimonialismo visceral enquanto as favelas continuam a explodir em crescimento e se adensam a taxas verdadeiramente assustadoras. Não será um pacote emergencial que superará esse problema que mora no mais fundo da alma brasileira, já que não só a elite se aferra à propriedade de imóveis e percebe que pode ganhar com sua valorização.

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Junho

9 A crise financeira: duração e impacto no Brasil e na América Latina
05/06/2009
Por Maria da Conceição Tavares

A crise global que se originou no sistema financeiro norte-americano continua agravando-se e é impossível que se resolva enquanto o governo dos EUA não tiver os instrumentos de poder para fazer frente à “oligarquia de Wall Street”. A expressão “oligarquia financeira” não é mais apenas um slogan de esquerda e já foi utilizada recentemente pelo professor do MIT Simon Johnson, ex-economista chefe do FMI para expressar a conivência entre instituições poderosas que se recusam a admitir perdas e um governo cúmplice sob domínio de “cambistas”. O Prof. Johnson argumenta que o peso do setor financeiro, ao não aceitar demonstrar a sua inadimplência, está evitando a solução da crise.

Em contrapartida, estou relativamente otimista por não estar à vista “como solução” uma nova guerra mundial. Em relação ao Brasil não posso deixar de estar também moderadamente otimista, tendo em vista o seu baixo grau de inserção na globalização financeira, a sua pequena dívida de origem fiscal e a proporção tão alta entre o mercado interno e o mercado de comércio exterior. Tudo isso dá ao país um maior grau de autonomia e torna os seus governantes altamente responsáveis pelo destino de nossa recuperação.

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Julho

10 TV Brasil sinaliza nova etapa da comunicação pública
11/07/2009
Por Beto Almeida

Com a presença de 3 ministros de estados (Franklin Martins, Juca Ferreira e Sérgio Rezende) e transmitida ao vivo pelo canal NBR, a primeira audiência pública da TV Brasil inaugura uma nova etapa para a tv brasileira, dando continuidade a várias mudanças que o governo Lula tem realizado no sentido do fortalecimento da comunicação pública no Brasil. Esta audiência tem o simbolismo de se inscrever no processo de recuperação dos espaços públicos midiáticos, processo que ocorre também em vários países da América Latina, com o surgimento de emissoras públicas e estatais, com o nascimento de jornais públicos e de acesso popular como “Cambio”, na Bolívia, e o “Correo del Orinoco”, na Venezuela, e com políticas de estado que permitem concretamente que os povos já tenham alternativas ao jornalismo consumista e de manipulação informativa sob o controle dos conglomerados privados.

Aqui no Brasil, com esta primeira audiência pública, onde o diálogo de ministros e público foi televisionado na íntegra, sem edições, a Empresa Brasil de Comunicação EBC, criada pelo governo Lula , marcou um golaço em termos de democracia participativa. Além de desnudar toda a tagarelice acerca de interatividade alardeada pelas emissoras privadas, que jamais realizaram nem planejam realizar uma audiência pública - mesmo sendo detentoras de concessões públicas para uso do espaço rádio-elétrico que pertence à União. Na tv comercial, a democracia começa e termina no Departamento Comercial, no preço do anúncio, no jabaculê, no controle do mercado cartelizado sobre a programação, ditando seu vale-tudo rebaixador dos conteúdos cada vez mais animalizados.

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Agosto

11 Itaipu: Paraguai quer usar recursos para desenvolver o país
03/08/2009
Por Clarissa Pont

Com a decisão firmada após o encontro entre os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil praticamente triplicou o montante que paga ao vizinho pela energia elétrica que os paraguaios não consomem para abastecer a região Sudeste, além de permitir ao Paraguai a venda gradual do produto ao mercado brasileiro sem a intermediação da estatal Eletrobrás.

Em maio do ano passado, em entrevista à Carta Maior, o então candidato à presidência Fernando Lugo, já demonstrava confiança na reestruturação do Tratado de Itaipu. “O Paraguai é um dos poucos países que vende sua energia aos sócios na construção da represa a preço de custo. Isso mudará fundamentalmente a economia nacional”, afirmou na época. Foco da disputa eleitoral na época, as bases para a negociação com o Brasil existiam antes mesmo de Lugo assumir a candidatura. O debate começou no país vizinho com um ano e meio de antecedência às eleições, com os grandes sindicatos energéticos do país em uma série de encontros e fóruns sobre a questão, acompanhado de uma grande campanha de conscientização sobre a soberania energética paraguaia.

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Setembro

12 Lula pede para população participar do debate sobre o pré-sal
Por Redação - Carta Maior
07/09/2009

Íntegra do pronunciamento do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
à nação brasileira, ontem à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão:

"Queridas Brasileiras e Queridos Brasileiros,

Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal; seu conteúdo são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas do nosso mar; sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos, há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros.

(...)

Por isso, dei orientações bem claras aos ministros. Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo brasileiro. Como no pré-sal, os possíveis sócios terão poucos riscos, eles não podem ficar com a parte da renda. Ela tem que ser do povo. Segunda orientação: o Brasil não pode ser um mero exportador de óleo cru. Vamos agregar valor aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos construir uma poderosa indústria de equipamentos e serviços e gerar milhares e milhares de empregos brasileiros. Terceira orientação: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro.”

13 Nova lei de comunicação argentina compra briga contra monopólios
Por Clarissa Pont
21/09/2009

Durante as últimas semanas, os debates em Buenos Aires giram em torno da nova lei de comunicação proposta pelo governo de Cristina Kirchner: esteve em audiências públicas lotadas, nos jornais, televisões e nas ruas. Conhecida pelos portenhos como “Nueva Ley de Medios”, o projeto quer regulamentar o setor e, apesar das críticas de opositores, que temem um maior controle do Estado, na última quinta-feira (17), após quase 14 horas de debate, o projeto governista obteve 146 votos, contra três votos contrários e três abstenções. A medida ainda passa pelo Senado, possivelmente em outubro. Entre outros pontos, a nova lei cria uma comissão bicameral de controle, um Conselho Federal de Comunicação Audiovisual e a figura do Defensor Público de consumidores de serviços audiovisuais.

(...)

O projeto, com 157 artigos, realmente aumenta a regulação dos meios de comunicação audiovisuais por parte do Estado. Entre outras coisas, estabelece que uma mesma empresa não possa possuir canais de TV aberta e a cabo, além de reduzir de 24 para dez o limite das concessões de rádio e TV em mãos de um mesmo proprietário. Cria uma entidade de supervisão das comunicações, com a presença da sociedade civil e do governo. A recente revogação de uma cláusula que permitia que empresas telefônicas atuassem no mercado de TV a cabo assegurou o apoio de parlamentares de esquerda ao novo projeto. De acordo com a presidente, a nova redação da lei afastará os temores de que as telefônicas criem novos monopólios. A oposição tentou adiar a votação para dezembro, quando assumem os deputados e senadores eleitos no final de junho.

14 Honduras: uma tripla luta de alcance mundial
Por Guillermo Almeyra
22/09/2009

O retorno a Tegucigalgpa do presidente Manuel Zelaya eleva, com um único golpe, o conflito entre a maioria do povo hondurenho e a oligarquia golpista desse país e, além disso, a disputa entre o Brasil e a maioria dos governos latinoamericanos, por um lado, e o Departamento de Estado e o Pentágono (que apóiam os golpistas), por outro, assim como entre esse governo paralelo do establishment estadunidense (formado por essas duas instituições e apoiado por todos os ultradiretistas, sejam estes do Partido Democrata ou do Republicano) e o presidente Barack Obama.

É obvio que Zelaya não poderia ter cruzado a fronteira (supostamente da Nicarágua, mas poderia ter sido tambem da Guatemala) sem a proteção dos governos desses países (e a conivência ou a cegueira voluntária) de elementos das forças de segurança hondurenhas. É tambem igualmente evidente que o Brasil deu seu consentimento prévio ao ingresso de Zelaya na sua embaixada em Tegucigalpa e que o governo de Lula deu instruções nesse sentido a seu embaixador na OEA e a seu representante na capital hondurenha. O silêncio desconcertado de Hillary Clinton indica também que o Departamento de Estado não esperava essa medida, que o obrigará a tomar posição na OEA diante dos golpistas, enquanto a ultradireita estadunidense responde com fúria. O Washington Post publica na primeira página nada menos que uma foto de Micheletti, o chefe dos golpistas hondurenhos, apoiando assim abertamente os ditadores encurralados.

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Outubro

15 Brasil é apontado como exemplo no combate à fome no mundo
Por Redação - Carta Maior
17/10/2009

No dia 16 de outubro, a organização não-governamental ActionAid, que trabalha em mais de 40 países no combate à pobreza, divulgou documento afirmando que o Brasil é o líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento. Segundo o documento, lançado no Dia Mundial da Alimentação, o Brasil demonstra “o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome”. A ActionAid elaborou uma lista a partir de pesquisas sobre políticas sociais contra a fome aplicadas por governos de 50 países. A partir dessa análise, construiu dois rankings, um dos países desenvolvidos (liderada por Luxemburgo) e outra dos países em desenvolvimento (liderada pelo Brasil).

Em seu estudo, a organização elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país, destacando os programas Bolsa Família e Fome Zero. “O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos”, diz o documento. Além disso, acrescenta, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%.

(...)

Bolsa Família aumenta escolaridade da população

Dados divulgados esta semana pelo governo federal confirmam as avaliações da FAO e da Action Aid no que diz respeito à relação entre o combate à fome e a melhoria da qualidade de vida da população.

Cerca de 500 mil jovens e adultos beneficiários do Bolsa Família ou que estão no Cadastro Único foram alfabetizados em 2006 e 2007. O percentual de pessoas cadastradas atendidas por programas de alfabetização aumentou de 21,9%, em 2006, para 33,8% em 2007. A articulação do MDS com o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), do Ministério da Educação, possibilitou que essas pessoas iniciassem os estudos ou voltassem às salas de aula. Dos 536.289 alfabetizados no período, 379.465 são atendidos pelo programa de transferência de renda.

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Novembro

16 “Berlusconi transformou Battisti em um troféu político”
Por Marco Aurélio Weissheimer
19/11/2009

O advogado de Cesare Battisti, Luis Roberto Barroso, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidirá pela não extradição de seu cliente para a Itália. Professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Barroso diz que o presidente tem bons fundamentos jurídicos para negar a extradição, entre eles, a existência de um ambiente político fortemente desfavorável a Battisti na Itália.

Em entrevista à Carta Maior o advogado afirma que o governo Berlusconi transformou Battisti em um troféu político. “No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer. É quase inacreditável a quantidade de energia política que a Itália tem investido nisso, contratando advogados e ex-ministros do Supremo e obtendo imensos espaços na mídia. Está na hora de viverem a vida olhando de frente”.

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Dezembro

17 Memória: Victor Jara, 36 anos depois
Por Gustavo de Mello
07/12/2009

(...)

Este 4 de dezembro de 2009 é uma data para lembrar. Mais de 12.000 pessoas participaram do cortejo fúnebre após 36 anos do assassinato de Victor Jara em 1973. O crime cometido por militares nos dias que se seguiram ao golpe de Estado de Augusto Pinochet.

(...)

O cantor popular Victor Jara foi devolvido para a mesma sepultura onde esteve todos esses anos 36. No ataúde de madeira onde repousam os restos mortais de Jara sepultado no dia 18 de Setembro de 1973, a viúva o depositou, mas a diferença é que neste segundo enterro estava cercada pelo carinho popular e por uma multidão que sabia o valor de sua história e que cantou suas canções.

Foi uma marcha mais alegre que um funeral tradicional, sem nenhum incidente e sem a vigilância ostensiva da polícia. A multidão percorreu a pé, lentamente, cerca de 40 quarteirões de distância do cemitério, durante mais de cinco horas sob o sol impiedoso da primavera de Santiago. A homenagem a Victor Jara foi um concerto na voz de milhares de chilenos.

Em junho deste ano o juiz que investiga o assassinato de Jara decidiu exumar os restos mortais do cantor. O ataúde foi restaurado por Amanda, uma das filhas do artista, depois de o corpo de Victor Jara ter sido exumado para ser submetido a uma série de exames. Após a decisão tomada pelo juiz Fuentes Belmar, o Serviço Médico-Legal confirmou que o artista recebeu mais de 30 impactos de bala em todo o corpo.

Ao finalizar as perícias e devolver os restos mortais à viúva, Joan Turner, e às filhas, Manuela e Amanda, elas e a Fundação Victor Jara, que cuidam da memória do cantor, decidiram oferecer o funeral e uma vigília de dois dias, como merecia o autor de Te recordo, Amanda, O Cigarrinho e Manifesto canções antológicas que muitos artistas incorporaram em seus repertórios.

18 1ª Confecom: Mudar a mídia
Por José Carlos Ruy
22/12/2009

O motivo de toda esta aversão fica nítido quando se examina a lista das principais teses aprovadas na semana passada em Brasília. Elas incluem desde a criação do Conselho Nacional de Comunicação (que o baronato midiático tenta desqualificar chamando-o de Conselho Federal de Jornalismo para lembrar a proposta que foi debatida em 2004 e teve repulsa geral), uma nova Lei de Imprensa, o código de ética para o jornalismo (com a garantia explícita do direito de resposta do acusado por matéria jornalística, a definição de abuso do direito de liberdade de imprensa e as penalidades no caso de transgressões devidamente comprovadas), a cláusula de consciência (inaceitável para os patrões, costumeiros em impor aos jornalistas pautas que afrontam sua consciência, sua ética e suas convicções), a cota de 10% da programação educativas, culturais, informativas e artísticas no rádio e na tevê e de 50% de programação nacional nos pacotes de tevê por assinatura, a redução de 30% para 10% a presença de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de comunicação, além de medidas que favorecem a rádio e tevê comunitárias (as propostas aprovadas foram listadas no artigo “Veja quais foram as bandeiras históricas aprovadas na Confecom”, de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação.

Um dos saldos da Confecom foi explicitar a alienação profunda dos monopolistas brasileiros da mídia em relação ao Brasil e a seu povo, cuja imagem real não é aquela que seus meios de comunicação noticiam. Os delegados presentes à Confecom (não só da sociedade civil, mas também muitos empresários pequenos e médios) reiteraram a exigência de democratização profunda deste chamado "quarto poder" constituído pela mídia. Ele é um dos únicos "poderes", ou uma das únicas "instituições", que não viveram as mudanças democráticas do quarto de século desde o final da ditadura militar de 1964, e que vivem ainda num mundo onde impera a lógica coronelística anterior mesmo à revolução liberal de 1930. O Brasil está mudando e precisa de uma comunicação atualizada com suas novas exigências de aprofundamento da democracia, salvaguarda dos interesses populares e nacionais, e defesa da nação. O que se assistiu em Brasília, durante 14 a 17 de dezembro, foi a manifestação de que a mídia dominante não serve para isso, e precisa ser mudada. Desse ponto de vista, a 1ª Confecom foi vitoriosa, principalmente pela aprovação de medidas capazes de subordinar o caráter empresarial da mídia à sua função constitucional de informar livre, ampla e multilateralmente.

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Mais links

Sionismo, as armadilhas de origem
21/01/2009
Por Carlos Eduardo A. Martins e Gilson Caroni Filho

Revolução no embate das ideias e projeto de sociedade
11/01/2009
Por Marcio Pochmann


As batalhas de Obama e os limites da “presidência do Silício”
22/03/2009
Tradução do editorial da New Left Review

Os 15 anos do genocídio em Ruanda
06/04/2009

Carta do MST a Augusto Boal
03/05/2009

Vida Bandoneón: Uruguai se despede de Mario Benedetti
21/05/2009

Via Campesina convoca protestos nas Embaixadas de Honduras
29/06/2009

O pré-sal e os esforços dos tucanos contra a Petrobras
30/08/2009

Quem manda é a indústria
Por José Saramago
13/09/2009

O adeus a Mercedes Sosa
05/10/2009

Empresários da mídia alternativa podem criar entidade nacional
Por Maurício Thuswohl
22/11/2009

O mito do muro
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Os dilemas da comunicação no Brasil
Por Joaquim Ernesto Palhares

A morte de Carlos Marighella, 40 anos depois
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04/11/2009







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