Carta Maior 20 anos

Carta Maior, 40 anos

 

25/01/2021 12:29

(Reprodução/Twitter)

Créditos da foto: (Reprodução/Twitter)

 
Sim, eu sei, a Carta Maior está completando 20 anos agora, e merece todos os parabéns possíveis por ter resistido duas décadas em um país cujas leis não incentivam a pluralidade na comunicação – bem ao contrário. Mas o que me estimulou a escrever este pequeno texto é justamente pensar o que pode ser da Carta Maior e do jornalismo alternativo daqui a 20 anos, em 2041. Nas últimas duas décadas, o jornalismo passou por diversas transformações, e uma das mais evidentes trata-se do advento das redes sociais como a fonte primária de informação para boa parte das pessoas. A Carta Maior, que nasceu antes desse fenômeno, teve de se adaptar a ele, inaugurando seus próprios canais nas redes. Como outros veículos de imprensa, teve também de lidar ainda com o fato de que as novas tecnologias digitais, depositadas nos smartphones, propiciaram que qualquer um se tornasse produtor de conteúdo. Surgiram, assim, novos protagonistas, ao lado dos próprios jornalistas, na criação de informações no seio de uma determinada comunidade. Dentro da área temática de cobertura da Carta Maior, hoje o debate sobre temas como políticas públicas, guerras, meio ambiente e direitos humanos chega forte à arena pública impulsionado por outros atores não jornalistas, como influenciadores digitais, acadêmicos e ativistas. O desafio, então, para um órgão de imprensa, é fazer com que o jornalismo e sua base ética sejam capazes de influenciar verdadeiramente esses fluxos de informação, de modo a desmascarar as mentiras e denunciar os mentirosos. Nessa linha, a Carta Maior e outros veículos alternativos que têm DNA digital parecem bem posicionados, por várias razões. Possuem suas próprias redes de influenciadores não jornalistas, e que aceitam se submeter às regras do jogo do jornalismo; historicamente, soube se articular com outros veículos similares, no país e no exterior, ampliando suas próprias comunidades de troca de informação; tem expertise para se colocar e até reorientar fluxos de notícia, uma vez que, ao nascer, um de seus papeis era justamente o de reorientar falsas narrativas construídas pela grande mídia contra o campo progressista e popular brasileiro. Me cobrem em 2041.

Marcel Gomes
Editor da Carta Maior de 2002 a 2007 e de 2013 a 2014

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