Carta Maior 20 anos

Carta Maior, Fórum Social Mundial e ''um outro mundo possível''

 

25/01/2021 12:25

(Pedro Revillion/Palácio Piratini)

Créditos da foto: (Pedro Revillion/Palácio Piratini)

 
Vinte anos passam rápido se o tempo histórico é de conquistas, construção, liberdade e sonhos. Passam lentamente, se são anos de chumbo, ditadura, tensão da próxima violência e vedação maldita das utopias que pretendam festejar um mundo de livres e iguais. Perante a lei e perante a vida.

Em 2001 nasciam a "Carta Maior" e o "Fórum Social Mundial", ambos obras de mãos solidárias, que se atavam para afirmar que um "novo mundo é possível", revertendo na consciência de milhares a falsidade do fim da História e do caminho único, que lhe sucedera como conceito, para uma plateia de palermas dispostos a crer que a vida, no capitalismo liberal, seria a última forma de socialidade no planeta Terra.

A solidariedade na luta social e operária, a sustentação do "direito de defesa" da nação - nas guerras de libertação nacional - a defesa do direito à revolução contra a opressão vinham lentamente fenecendo. O Fórum Social Mundial se erguia como um facho de luz contra o esquecimento das grandes lutas do Século XX e recuperava as duas ideias-chaves das revoluções modernas: a ideia de solidariedade na luta e a ideia dos movimentos de fraternidade necessária no sofrimento.

Não é casual o surgimento, naquele ano, da Carta Maior, que abria brechas na propagação de ideias e na difusão dos fatos que a grande mídia, com raras exceções tratava, ou com desdém, ou com as deformações que correspondessem aos seus interesses.

A Carta Maior foi pioneira na aventura de criar uma grande rede de comunicação alternativa ao grande mundo fechado dos negócios da comunicação no Brasil e passou a prestar um serviço inestimável aos movimentos democráticos e sociais que forjariam os Governos de Lula e Dilma.

A Carta Maior foi uma força constitutiva do próprio Fórum e dos importantes instrumentos de luta da esquerda e dos democratas progressistas, para os anos de Governo que melhoraram a vida dos pobres, a saúde, a educação e os níveis de democracia no país. Foram os grandes feitos históricos que e projetaram o Brasil no mundo como país soberano, que então combatia a miséria e a fome, não o seu próprio povo.

A experiência da Carta Maior, ainda vigente e forte, tem um nome na sua base, ao seu lado, dentro dela e junto dela. Um nome que colocou toda a sua vida - a partir daquele ano - a serviço da construção de uma imprensa livre, madura e rebelde, para servir ao povo e a verdade. O nome é Joaquim Ernesto Palhares, que marcou a história do país com a força das suas e das nossas ideias, e com a generosidade dos seus gestos de coragem nas contendas mais importantes que travamos a partir dali.

Grande Carta Maior, grande Fórum Social Mundial, grande Joaquim Ernesto Palhares, um incômodo transportador de verdades para afrontar os poderosos e acomodados e um semeador de esperança e de lucidez, para os que lutam pela Igualdade, pela Democracia e pela Justiça.

Tarso Genro, Ex-prefeito de Porto Alegre durante as primeiras edições do Fórum Social Mundial



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