Carta Maior 20 anos

Carta Maior e a urgente democratização da mídia

 

25/01/2021 19:50

(Arquivo pessoal)

Créditos da foto: (Arquivo pessoal)

 
Desde o início do curso de jornalismo, pra mim ficou explícita a urgência da democratização dos meios de comunicação e do fortalecimento de uma mídia contra-hegemônica no país, que desse voz a tantas opiniões e histórias excluídas desde sempre na imprensa brasileira. Ver o nascimento da Carta Maior durante o FSM de Porto Alegre e, pouco tempo depois, poder ingressar em sua equipe representaram pra mim a possibilidade de exercer, profissionalmente, a luta que travava na minha militância havia tanto tempo.

A redação constituída na primeira década da Carta Maior tinha repórteres em diversas regiões do Brasil e pode cobrir, como poucos veículos da época, as agendas de movimentos, organizações da sociedade civil e ativistas que, no dia-a-dia, atuam por direitos, para combater injustiças e transformar realidades, sem deixar de lançar um olhar crítico e aprofundado sobre os rumos da política e da economia nacionais. Foi um período extremamente enriquecedor para minha carreira, com muitas histórias que marcaram minha vida profissional.

Entre elas, a cobertura dos crimes de maio de 2006, que resultaram no assassinato de 564 pessoas no conflito entre o PCC e as forças de segurança de São Paulo; da absolvição de Ubiratan Guimarães, coronel que havia sido condenado a 623 anos pelo comando do massacre do Carandiru e foi então inocentado pela Justiça de São Paulo, fortalecendo o caminho para a posterior anulação da condenação do conjunto dos policiais envolvidos; e ainda o julgamento de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército que comandou operações no DOI-Codi durante a ditadura militar, em ação movida pela família Teles pedindo à Justiça sua declaração como torturador.

Olhando para o Brasil de hoje, não há qualquer dúvidas de que as histórias contadas e as análises feitas pela Carta Maior seguem mais relevantes do que nunca, assim como segue urgente a luta pela transformação da mídia brasileira e a disputa de ideias no espaço público da informação. Nesses 20 anos de jornalismo, saudamos o compromisso e dedicação de quem persiste, diante de tantos obstáculos, carregando essa bandeira. Parabéns!

Bia Barbosa, jornalista e mestra em políticas públicas, foi repórter e editora de Direitos Humanos da Carta Maior entre 2004 e 2007 e segue colaborando com o portal em Brasília e em temas relacionados à liberdade de expressão, mídia e internet



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