Carta Maior 20 anos

Carta Maior

 

25/01/2021 18:39

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Créditos da foto: (Reprodução/blogoosfero.cc)

 
“Porto Alegre, naquele começo de 2002 não estava tão abafada como sempre, nessa época do ano. Ao contrário, sopravam ventos democráticos embalados pelo segundo Fórum Social Mundial, um evento sério no conteúdo e alegre na forma, com pessoas de todas as partes unidas pela ideia de que um novo mundo era possível.

Foi nesse clima que tive meu primeiro contato com a Carta Maior, através de sua TV. Participante de um dos debates do Fórum, fui ouvido pela emissora, falando da necessidade de democratizarmos os meios de comunicação, como pressuposto para a democratização de toda a sociedade. Meu tema recorrente, infelizmente mais atual ainda hoje.

Ali estava, sempre agitado, coordenando todo o trabalho, o companheiro Joaquim Palhares. Também o conheci naquele momento, sem prever que ao longo dos anos, ele se tornaria, além de companheiro, um querido amigo. Amizade construída tendo como chão as ideias comuns, a esperança de novos tempos. Sentimentos, expectativas e análises que pude demonstrar ao longo desses quase 20 anos, nos espaços generosos que o Palhares me abriu na Carta Maior.

Participei de debates, seminários, cobertura de eventos e escrevi bastante. Textos que, graças ao alcance das páginas da Carta Maior, tinham boa repercussão. Foram inúmeras contribuições, tratando em cada conjuntura, do papel dos meios de comunicação aqui e no mundo. Falei até de cinema, e vou me servir de um exemplo a respeito para mostrar a satisfação que esse trabalho sempre me deu.

Em 2010 escrevia semanalmente para a Carta Maior. Num texto, logo no começo do ano, de forma pretensiosa, já que não sou crítico de cinema, elogiei com ímpeto o filme argentino “O Segredo dos Seus Olhos”, dirigido por Juan José Campanella. E não escondi a minha torcida para que ele recebesse, naquele ano, o Oscar de melhor filme estrangeiro, o que acabou acontecendo.

Lembro dos comentários entusiasmados do Palhares sobre o texto e sobre o filme, animando o debate. Esse envolvimento apaixonado com o que se produz para Carta Maior continua até hoje, fato que sem dúvida é a principal razão de sua longa vida e do seu êxito permanente”.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor aposentado da ECA/USP





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