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Minha história na Carta Maior: da gestação ao golpe de 2016

 

25/01/2021 11:53

(Reprodução/Facebook)

Créditos da foto: (Reprodução/Facebook)

 
Cursei jornalismo e me formei na década de 1990, quando a mídia comercial decantava uníssona as benesses do neoliberalismo que chegava ao Brasil com Collor e se consolidava com FHC. Na imprensa convencional, onde atuei no início da carreira, ouvia elogios reiterados à “globalização inexorável” e ao “fim da história”, mas o que via nas coberturas jornalísticas eram as privatizações pilharem o patrimônio público, além de reduzirem direitos dos trabalhadores e turbinarem os números do desemprego.

Os anos 2000, felizmente, começaram com fortes ventos de mudanças. O Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), mostrou que não eram poucas as vozes já convencidas de que o neoliberalismo não era o caminho e que “um outro mundo era possível”. Dentre essas vozes se destacava a da Carta Maior (CM), criada para ecoar as bandeiras do FSM e, naquele momento, fazer “do Sul o nosso norte”.

Rapidamente, a CM se tornou leitura obrigatória para a intelectualidade e a militância brasileira, ajudando a consolidar a mídia alternativa. E, principalmente, ajudando a plantar a ideia de que merecíamos fazer diferente, de que merecíamos ter um governo diferente. A América Latina, então, mudou...

Em 2011, o Brasil elegeu sua primeira mulher presidenta e passei a atuar na Carta Maior – que eu tanto admirava - como correspondente em Brasília. No Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no STF, testemunhei todas as artimanhas que resultaram no dito golpe contra o governo Dilma Rousseff.

O julgamento do “mensalão”, os protestos de 2013, a ascensão da direita, as demonstrações de ódio e preconceitos da classe média, o despontar o “mito” chamado Bolsonaro e a institucionalização do fascismo no Brasil, que resultaram no golpe de 2016.

Tudo isso constituiu a mais longa, dura e difícil cobertura da minha carreira jornalística. Deixou marcas profundas que só não doeram mais porque pude dividi-las com a equipe incrível que faz a Carta e seus fiéis e críticos leitores.

Najla Passos: Correspondente em Brasília da Carta Maior, de 2011 a 2016



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