Carta Maior 20 anos

Vinte anos do Fórum Social Mundial e da Carta Maior

 

25/01/2021 11:11

(Reprodução/Youtube)

Créditos da foto: (Reprodução/Youtube)

 
A Democracia é uma construção civilizatória e no Ocidente, desde a ágora grega até nossos dias, é uma obra aberta. Incompleta, avança aqui, recua ali, não raras vezes é golpeada, sua luz bruxuleia, logo depois se encandece, se revigora e se enfraquece segundo a correlação de forças sociais e políticas que disputam o controle do Estado, que deve ser inspirado por ela, a desejada dos povos”, como prenunciam os poetas.

Décadas atrás, a democracia brasileira, depois de romper as trevas de uma ditadura de 21 anos, desabrochava para um novo ciclo de reconquistas e ampliações de direitos alinhavados e trançados por mobilizações sociais amplas no país inteiro, que repercutiam no Congresso e arejavam as demais instituições, retirando-lhes o bolor autoritário. A Constituição de 88 foi o corolário desse processo. A Frente Popular ganhou várias prefeituras, entre elas a de Porto Alegre. Dez anos depois conquistou o governo do Rio Grande do Sul.

Foi nesse clima e com uma conjuntura mundial eivada de movimentos sociais contestadores do discurso único” do capitalismo neoliberal, propagado pelo Fórum Econômico Mundial, reunião com ocorrência anual em Davos, na Suíça, patrocinada por megaempresas transnacionais, que aconteceu a primeira edição do FÓRUM SOCIAL MUNDIAL em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, América Latina. As lideranças com tradição internacionalista e protagonismo humanitário de diversos países e continentes buscavam unificar ações e discurso em torno da ideia de que UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL, socialmente justo, ambientalmente sustentável e economicamente viável e que o lugar adequado para que o primeiro Encontro deflagrador dessa busca devia acontecer aqui onde já havia sementes de Democracia Participativa germinando.

Os governos da Frente Popular, na capital e no estado, conjugaram-se e junto com os movimentos sociais, locais, regionais e nacional – os verdadeiros anfitriões - , superando preconceitos localizados na sociedade, construíram um ambiente receptivo, hospitaleiro, de companheirismo e camaradagem para receber bem e hospedar as centenas de delegações de diferentes países, continentes, etnias e culturas que aqui aportaram. Porto Alegre passou a ser considerada, no globo, a cidade do Orçamento Participativo e do FÓRUM SOCIAL MUNDIAL!

A mobilização e as iniciativas da Imprensa alternativa para divulgar, opinar, avaliar e instigar reflexões sobre o acontecimento, além dos boletins e jornais dos sindicatos e entidades diversas da sociedade civil, foram fundamentais. A urgência de uma mídia comprometida com essa luta, integrada nela através de seus proponentes, como o Palhares e trabalhadores da comunicação, capaz de sobrevivência própria para além da 1ª edição do FSM, fez surgir a CARTA MAIOR. Essa mídia alternativa é símbolo da resistência imprescindível nos dias de hoje para enfrentar o vírus da Covid-19 com notícias sérias, verdadeiras e responsáveis e combater o verme que continua disseminando fake-news”(que o elegeram), ódios, ignorância, falsidade e preconceitos. Resistir e lutar é preciso! Que esse seja o maior significado da comemoração dos 20 ANOS DO FSM E DA CARTA MAIOR!

Olívio Dutra, Governador do Rio Grande do Sul quando da primeira edição do Fórum Social Mundial, e da fundação da Carta Maior, em Porto Alegre, janeiro de 2001





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