Cartas do Editor

8 razões para você se tornar um doador da Carta Maior

 

04/01/2018 17:29

 
A conjuntura é de pós-verdades, avanço do conservadorismo, retirada de direitos, falência das instituições e atentados contra a democracia. Para agravar ainda mais, paira no ar a ameaça concreta do fim da liberdade na internet em todo o mundo. Por isso, é imprescindível fortalecer aqueles mecanismos que nos permitem ter acesso à informação de qualidade que não apenas nos ajude a compreender o complexo momento que vivemos, mas também nos aponte caminhos para a ação coletiva.

A Carta Maior significa exatamente isso. Saiba o porquê:

1 - A internet como conhecemos vai desaparecer – e a democracia sairá perdendo!

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos acabou, em 14 de dezembro, com a neutralidade da rede naquele país, desferindo o que o jornalista do The Nation, John Nichols, sintetizou como “o golpe mais brutal do governo Trump contra a democracia americana até hoje”. Isso – é claro - impactará em mudanças profundas na relação que internautas de todo o mundo têm com a internet. A neutralidade da rede é o princípio que garante a democratização do acesso aos conteúdos diversos, ao permitir que você escolha por onde navegar. É o que impede a sua operadora de acelerar a velocidade quando você acessa determinado conteúdo e reduzir quando você clicar em outro.

Agora, como afirma o criador da www e responsável por cunhar o termo ‘neutralidade da rede’, o professor de direito da Columbia Law School, Tim Wu, “esse poder que cada um tem de usar a Web para o que quiser pode simplesmente acabar”. Sem a neutralidade da rede, a escolha do que você terá acesso caberá ao mercado. E o mercado vai preferir que você se informe pela Globo, pela Veja... jamais pela imprensa alternativa que te apresenta uma outra visão de mundo, um outro lado da história... exatamente como faz a Carta Maior.

2 – A nova ofensiva neoliberal coloca o acesso a vozes independentes e ao conhecimento científico em perigo mortal!

O economista mexicano Alejandro Nadal é taxativo: o acesso a vozes independentes e ao conhecimento científico está em perigo mortal. De acordo com ele, os argumentos utilizados para respaldar o fim da democracia na internet são aqueles mesmos lançados quando se quer justificar qualquer desregulação: a intervenção governamental é um obstáculo para os investimentos e para a introdução de inovações. Mas você sabe bem o que essa cantilena neoliberal significa e precisa estar preparado quando ela invadir o discurso público brasileiro na campanha eleitoral de 2018.

O fato, conforme Nadal, é que, consciente ou não, perderemos o direito de escolher livremente nosso roteiro de navegação. A Internet deixará de ser o espaço livre a que estamos acostumados e se tornará um recinto cercado onde tudo é possível para os provedores, desde a discriminação por conteúdos até a descarada censura. Nada disso, porém, será informado pela mídia comercial que se beneficiará dessas mudanças. Apoiar iniciativas como a Carta Maior é essencial para garantir acesso à informação de qualidade e se organizar para a luta!

3 - A decisão norte-americana irá gerar um efeito cadeia mundo afora... precisamos resistir global e localmente!

A decisão estadunidense deve, em curto prazo, se propagar no mundo globalizado. Segundo o professor de Filosofia da UFES, Marcelo Barreira a quebra da neutralidade da rede na sede do império “funcionará como um elemento político-ideológico de pressão para que outros países adotem as mesmas regulamentações”. A perspectiva, portanto, é que neste Brasil do pós-golpe isso ocorra em prazo recorde: 2018 é ano eleitoral e a direita não está para brincadeira.

Segundo o professor da UFES, “no caso brasileiro, como vemos com a Lava Jato, nosso sistema de justiça tem sido crescentemente influenciado pela hermenêutica e jurisprudência estadunidenses”. Além disso, ele lembra que o fato de os EUA ser referência mundial em tecnologia de telecomunicações torna paradigmática a sua legislação sobre o tema.  A Carta Maior, que historicamente vem denunciando as mudanças na legislação e na jurisprudência que permitiram a Lava Jato rasgar a nossa Constituição, estará empenhada também em fazê-lo no que tange a nossa internet ainda democrática e plural!

4 - Haverá uma internet para os ricos e outra para os pobres – e todos pagarão mais caro por ela!

O fim da neutralidade resultará em um muro digital que separará a internet em pacotes para ricos e para pobres. Quem puder pagar caro, também poderá navegar em mares mais profundos. Quem não puder, ficará restrito a usar apenas o e-mail ou o Facebook. Mas uma coisa é certa: todos pagarão mais caro e terão muito menor liberdade de acesso. Conforme Barreira, a principal mudança é de eixo: da centralidade no usuário, em sintonia com a origem da internet, gira-se agora para a centralidade do mercado.

Barreira esclarece que a variação no preço das franquias de pacotes de dados terá como paradigma de preço a telefonia móvel. “Embora a narrativa seja de que pagará mais quem usar mais pacotes de dados e pagará menos quem usar menos, temos um frustrante exemplo recente quanto à desilusão desse discurso, especialmente em nossas terras. As franquias de bagagens para voos, além de não baratearem os preços das passagens aéreas, aumentaram a margem de lucro das empresas aéreas”, exemplifica.

5 - Os monopólios midiáticos que tanto mal fizeram à nossa democracia se intensificarão na internet.

Se você acha que a democracia brasileira sofre com o monopólio de TVs, rádios e impressos nas mãos daquelas sete famílias de sempre, imagina quando, associado a isso, tivermos uma internet controlada por apenas seis gigantes multinacionais? É verdade que a internet vem sendo capturada pelo mercado desde sua invenção. Nos Estados Unidos, o setor já é refém de um ferrenho oligopólio. Suas três principais companhias (AT&T, Verizon e COMCAST) controlam mais de 70% do mercado de banda larga de alta velocidade. E os dados do censo de telecomunicações mostram que somente 9% dos usuários podem escolher entre dois ou mais provedores do serviço de alta velocidade.

Mas com a quebra da neutralidade de rede, o quadro irá se agravar de forma intensa e rápida. No Brasil, que tem uma das mídias mais concentradas do mundo, as perspectivas são as piores possíveis. A Rede Globo, inclusive, já está entre as 20 maiores provedoras de conteúdos para a internet. E deverá concentrar ainda mais poder. A batalha em defensa da neutralidade da rede e da democracia na internet, porém, está apenas começando. E a Carta Maior está comprometida com esta luta, nem que isso signifique criar uma nova rede mundial pelos setores mais progressistas!

6 - A atenção humana será cada vez mais tratada como commodities e o mercado fará de tudo para capturar a sua!

O criador da www sustenta que existe uma indústria programada para capturar a sua atenção para revendê-la para anunciantes. Segundo ele, a atenção humana virou uma espécie de commodity – e o mercado fará qualquer coisa para atraí-la. A internet, por razões óbvias, é o terreno mais fértil para isso. E o modus operandi desta indústria é velho conhecido, por exemplo, de quem salta do Facebook para o Whatsapp: oferecer serviços ou produtos “grátis” de forma a atrair a atenção das pessoas e então vendê-los.

Nas suas pesquisas, porém, Wu percebeu que, ao longo do tempo, surgiram resistências às formas de captação da atenção. Exemplos é o uso de softwares livres, que não tabulam dados para fins de propaganda direcionada, e até a Netflix, que se traduz em uma experiência imersiva, sem propagandas, controlada pelo consumidor. No Brasil, a Carta Maior é ator importante desta trajetória de resistência, com seu compromisso histórico de não se deixar capitular pelas práticas do mercado publicitário. Por isso, ela precisa da sua ajuda para enfrentar esta conjuntura fortalecida!

7 - Em tempos de pós-verdades e Fake News, a mentira permanente é ameaça mortífera!
O jornalista estadunidense Chris Hedges vai além. Ele afirma que o grande perigo dos nossos tempos não é apenas o atentado à liberdade de expressão potencializada pela quebra da neutralidade da rede e nem mesmo a censura que possa emergir daí. Para ele, o desafio agora é enfrentar os mecanismos que fazem com que a “mentira permanente” ganhe status de verdade no debate público, ancorada inclusive por instituições (como a imprensa, a academia e o judiciário) que deveriam nos ajudar distinguir entre a verdade e a mentira.

Ele acredita que, como afirmou Hanna Arendt em “As Origens do Totalitarismo”, o resultado de uma substituição sólida e total da verdade fática por mentiras táticas destrói o sentido que nos orienta no mundo real. “A mentira permanente transforma o discurso político num teatro absurdo”, denuncia Hedges, lembrando que autoenganos defensivos, visões distorcidas, ausência de identificação emocional com os outros e a degradação da empatia são mecanismos de defesa que permitem à mente cegar a consciência. Contra isso, o antídoto é a informação de qualidade e em profundidade, como a Carta Maior vem trazendo para você nos seus 17 anos de trajetória!

8 - Em tempos de golpe, avanço do conservadorismo e retirada de direitos, é preciso mais  que nunca disputar as narrativas!

Como ensina o professor de Ciências Políticas da UFMG, Juarez Guimarães, e a doutoranda em Análise de Discurso da mesma instituição, Eliara Santana, no texto “A narrativa golpista e os possíveis caminhos para vencê-la”, o impeachment de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos jamais seria possível sem a construção de uma narrativa que associou os governos petistas a uma “corrupção nunca antes vista” e projetou para a população o cenário de “uma crise econômica sem precedentes”. “Para entender o golpe, precisamos, portanto, entender a narrativa. E precisamos, sobretudo, compreender o seu poder”, afirmam.

A primeira pista, conforme eles, é compreender esta narrativa como o processo, e não como ação. “A narrativa como ação implica o ato isolado de narrar. Compreendê-la como processo envolve a percepção de que há uma construção de efeitos de sentido”, ensinam. Assim, fica fácil concluir que este processo de construção da narrativa golpista continuará em 2018, ano eleitoral em que o ex-presidente Lula aparece como favorito nas pesquisas. Vale lembrar que o governo Temer jamais se comprometeu com as premissas do Marco Civil da Internet, sancionado pelo governo Dilma, que prevê a neutralidade da rede.

Fazer um 2018 diferente, portanto, significa garantir instrumentos informativos que nos ajudem a manter a internet livre para disputarmos esta narrativa. E, apesar de todas as dificuldades que tem enfrentado na sua trajetória, a Carta Maior sempre cumpriu bem esse papel!

Se você quer fazer parte desta luta, venha se tornar um dos nossos parceiros (saiba como aqui). E divulgue este texto para seus parentes, amigos, colegas e contatos em geral: sigamos juntos na luta por uma internet verdadeiramente democrática e emancipatória!

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior






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