Cartas do Editor

Ainda um apelo aos leitores

 

29/03/2020 10:03

Em quarentena, homem toca guitarra em varanda de Turim, na Itália (Massimo Pinca/Reuters)

Créditos da foto: Em quarentena, homem toca guitarra em varanda de Turim, na Itália (Massimo Pinca/Reuters)

Caros leitores e leitoras de Carta Maior,

Boas notícias, conquistamos novos leitores. Em menos de trinta dias, 86 mil novos leitores visitaram Carta Maior. Porém, preciso voltar a vocês para pedir que nos ajudem a permanecer vivos. Como poderão ver a seguir há razões de sobra a justificar as doações reiteradamente solicitadas.

Por favor, precisamos chegar a 3.000 doadores ou 1% dos mais de 300.000 leitores.

Nosso sistema de controle da página mostra, através do acesso aos textos,  que o aumento de leitores é fruto da grande novidade de três novos grupos de conteúdos, além evidentemente da qualidade dos textos publicados nos últimos dias, em particular, os da coluna Nem Freud Explica, do especial A Comuna de Paris, da Editoria de Arte e Cultura, com centenas de resenhas de filmes indicados a vocês neste período de isolamento social através do Cinema em casa em tempos de coronavírus e mais especial ainda  A Pandemia do Capitalismo.

A coluna Nem Freud Explica conta com a colaboração das psicanalistas Glaucia Dunley, Maria Rita Kehl e Ivanisa Teitelroit Martins, além do psicólogo Julio Cesar Cordeiro do Nascimento, que estreia neste domingo, dia 29 de março. Em abril, o psicanalista Christian Dunker passará a fazer parte deste projeto, todos analisando a conjuntura política através da visão de Sigmund Freud.

A Comuna de Paris certamente despertou a necessidade de reconhecer esse glorioso episódio da vida dos trabalhadores franceses, vivido no longínquo ano de 1871, mas que serviu de fundamento para vários movimentos sociais ao redor do mundo, desde a “Revolução Russa (1917) à Guerra Civil da Espanha (1936), passando pelos movimentos de 1968 iniciado na França, e de 1974 em Portugal” (Japiassu, em a Comuna de Paris: o assalto aos céus), todos remetem à breve experiência vivida pelos communards, que já apontava para outro mundo possível, slogan adotado 130 anos após, pelo Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2001.

Cinema em casa em tempos de coronavírus, já está na sua terceira edição, caminhando para a IV, são mais de quinze (15) filmes resenhados e indicados aos nossos leitores, num trabalho inédito na nossa imprensa:

- Cinema em casa em tempos de coronavírus (I)

- Cinema em casa em tempos de coronavírus (II)

- Cinema em casa em tempos de coronavírus (III)

O Especial PANDEMIA DO CAPITALISMO se propõe apresentar textos com muita diversidade de opinião porque produzidos por autores nacionais e internacionais.

Convivemos com uma dupla crise, que envolve questões sanitárias e econômicas, com maior relevância para a sanitária porque ataca a saúde das pessoas e traz um alto risco de morte.

Os trabalhadores da saúde estão sendo violentamente atacados, em virtude da proximidade obrigatória com os doentes, mas também pela falta de insumos básicos para o exercício de suas nobres atividades.

É o capitalismo que desde os Estados Unidos espalha pelo mundo um criminoso abandono aos sistemas de saúde. Salve a existência do nosso SUS que, mesmo sem as verbas que necessita, sem os Médicos Cubanos, sem um investimento maciço em ciência e tecnologia, ainda consegue, GRATUITAMENTE, segundo o Dr.  Drauzio Varella, desenvolver o maior programa mundial de vacinações, de transplantes de órgãos, de hemodiálises, de tratamento dos que convivem com o HIV e de distribuição de medicamentos para diversas doenças crônicas.

Hoje o SUS controla a qualidade de nossos bancos de sangue, o resgate nas cidades e realiza 90% do total de cirurgias do país, entre outros serviços essenciais.

O programa Estratégia da Família, com agentes de saúde que batem às portas de dois terços dos brasileiros, é considerado pelos técnicos da Organização Mundial da Saúde como um dos melhores do mundo.

Estamos acompanhando de perto a crise econômico sanitária que se abate sobre o mundo e, em especial, sobre o Brasil. Inclusive, contamos com Cartas enviadas por companheiros que vivem nas principais capitais mundiais, como vocês podem conferir na editoria de Cartas do Mundo.

Além da nossa luta diária contra o capitalismo e, agora contra a pandemia do coronavírus, vocês também estão acompanhando nossa luta doméstica pela sobrevivência de Carta Maior.

Desde que começamos nossa última campanha de doação, em 4 de março, conquistamos a adesão de 178 novos parceiros-doadores. Um número significativo, mas insuficiente.

Crescemos em número de visitantes de forma expressiva (86 mil). Isso não foi acompanhado pelo aumento de parceiros doadores (178). Hoje, 1.322 leitores permitem que nosso conteúdo seja lido por 386 mil pessoas.

Minha gente, isso quer dizer que precisamos de doadores.

O ponto de equilíbrio de Carta Maior é 3 mil doadores, ou seja, 1% do número atual de leitores, com os quais poderemos investir em novos companheiros jornalistas, reportagens especiais, pesquisas, estagiários, em volume de traduções de textos, recriação da rádio Carta Maior, que outrora foi enorme sucesso, mais podcasts... E, o mais importante: nos preparar para a cobertura do Fórum Social Mundial do México, em 2021.

Imaginem vocês de casa, assistindo pela TV Carta Maior (que neste caso seria resgatada), ao desenrolar do Fórum Social Mundial do México. Lembrem-se: quase no muro que divide a nossa América Latina com o Império.

Sem dúvidas esse Fórum pode contribuir muito para um melhor desempenho das esquerdas nas nossas eleições de 2022.

Isso não é sonho. O maior Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi o que antecedeu a eleição presidencial de 2002. Lula, Mujica, Evo, Chávez, Lugo saíram de lá fortalecidos e venceram as eleições em seus países. Pintando a América Latina de vermelho.

O coronavírus está escancarando, como jamais presenciamos, a fragilidade do capitalismo no mundo.

O ambiente é de medo e, no Brasil, de espanto e pavor.

O Estado mínimo se mostra um dos principais vetores dessa Pandemia, porque impede a existência de um sistema gratuito, robusto e universal de saúde.

O capitalismo está fragilizado e luta para sobreviver. Somente o Estado e o compromisso coletivo são capazes de garantir a sobrevivência da população em situações como estas e para um novo modelo de produção.

A esquerda mundial está no seu pior momento. Perdeu raras oportunidades de se firmar como alternativa para um outro mundo possível. Entretanto, as finanças, as elites e a direita encontraram um adversário muito mais poderoso: o planeta Terra.

Pasmem, nos últimos dias, abandonaram as teses liberais e vivaram todos Keynesianos, economistas de Fernando Henrique Cardoso e jornalistas da Globo, liderados por Miriam Leitão, Merval Pereira e Demétrio Magnoli.

O certo é que não podemos deixar o COVID-19 nos levar ao autoritarismo e muito menos a um colapso social. É a hora daqueles que sempre lucraram pagarem impostos (taxas) sobre os enormes lucros dos últimos dez anos, para que possamos enfrentar esse vírus, garantir empregos e renda para todos os brasileiros e reconstruir o nosso país.

E porque falar em coronavírus é sim falar em capitalismo, convido todos a acompanhar e divulgar os mais de 80 artigos já publicados no nosso especial

A PANDEMIA DO CAPITALISMO - Link: https://bit.ly/2UrEasR

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Boas leituras, boa quarentena e sigamos juntos!

Joaquim Palhares
Diretor da Carta Maior



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