Cartas do Editor

PGR vs. Lava Jato no ringue da direita

 

09/07/2020 18:26

 

 
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PGR vs. Lava Jato

Na última sexta-feira (03.07), a força tarefa da Operação Lava Jato de São Paulo, excepcionalmente, bateu na porta do tucanato. Após quatro anos, a investigação da corrupção tucana no Rodoanel chegou em José Serra e em sua filha, Verônica Serra, blindados por Moro e pela imprensa que, possivelmente, aguardavam a prescrição dos crimes investigados (leia mais).

Para entender por que agora e somente agora eles resolveram perturbar o tucanato é preciso observar as disputas em curso no interior da direita brasileira. É consenso que a guerra é interna, e não apenas entre Bolsonaro e Alexandre de Moraes ou Bolsonaro e Maia/Alcolumbre, de onde, aliás, já é possível sentir o cheiro podre de um grande acordão.

A guerra que está sendo travada hoje é entre Bolsonaro e Sérgio Moro para ver quem chega em 2022. Nessa guerra, estamos vendo a batalha entre a Procuradoria Geral da República (PGR) de Augusto Aras; e os procuradores da famigerada Lava Jato, umbilicalmente ligada a Sérgio Moro e às Organizações Globo.

O imbróglio é a criação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), defendida por Aras e que nasceu de um projeto iniciado pelo hoje insignificante Rodrigo Janot.

O objetivo é que a Unac, como um órgão diretamente ligado ao PGR, tenha livre acesso a todos os bancos de dados e informações colhidas em investigações do MPF, de Norte a Sul do país. O projeto prevê a submissão de todas as forças-tarefas ou grupos de procuradores que venham a ser criados ao PGR.

Os “éticos” procuradores da Lava Jato se manifestaram. Quatro deles, que trabalhavam na PGR, renunciaram em 26 de junho, depois que a subprocuradora Lindora Maria Araújo, obedecendo ordens do PGR, foi a Curitiba para analisar o banco de dados que contém as investigações da Lava Jato.

São, portanto, procuradores ligados a Sergio Moro que acusam a PGR de “interferência ilegal” nas investigações da Operação, e garantem que Araújo não apresentou pedidos formais no caso. O que não parece ser o caso da Lava Jato de São Paulo que, ao investigar o PSDB, demonstra independência e um possível alinhamento ao novo Ministro da Justiça, a conferir...

Vejamos a sequência dos fatos: a ida da procuradora em Curitiba, a defesa da Unac e, agora, a retomada de um processo contra Serra, há anos parado. Soma-se a isso o fato de Aras estar negociando a delação premiada do advogado Rodrigo Tacla Duran, que acusa Moro e a força tarefa de Curitiba de pretenderem extorqui-lo para livrá-lo de acusações, já que ex-advogado da Odebrecht e partícipe, segundo os procuradores, de corrupção.

Brasil, laboratório da ultradireita

Em artigo publicado na CM - Brasil, laboratório mundial da ultradireitao jornalista uruguaio, Aram Aharonian, fundador da Telesur , lembra que a principal causa da renúncia de Moro ao Ministério da Justiça, é de separar-se de Bolsonaro.

“A causa específica foi que, sob sua proteção, a Polícia Federal estava prestes a incriminar os filhos de Bolsonaro (e talvez até o próprio presidente) em atos de corrupção e vínculos com máfias paramilitares”.

Como explica Aram, “Moro é um homem dos Estados Unidos e candidato de Washington para as eleições de 2022, e é por isso que ele teve que sair de um governo em declínio”.

Ele lembra, ainda, que durante a Operação Lava Jato, Moro “executou, ponto por ponto, o plano de destruir a economia e as instituições brasileiras, além de aniquilar a esquerda para permitir que a extrema-direita abrisse caminho para sua candidatura”.

Enquanto isso, a pandemia corre solta...

Essa é a crise política, mas o país se debate em uma combinação de crises –sanitária, política, social, econômica, cultural, ambiental, trabalhista e ética –com enorme potencial de destruição e com consequências imprevisíveis.

A nossa sociedade, desigual e injusta, permitiu que a pandemia revelasse fragilidades já conhecidas, mas que nos levaram a uma paralisia perigosa e provisoriamente sem saída.

Não existem recursos para atender à população desamparada e sem emprego; aos micros e pequenos empresários e fundamentalmente ao nosso inigualável Sistema Único de Saúde.

Também não existe vontade política de Bolsonaro e das forças que o apoiam em liberar recursos para atender os mais necessitados, afinal são pobres, negros, índios, quilombolas, minorias que rejeitam e que gostariam de se livrarem a qualquer custo.

O desastre está ocorrendo, hoje são mais de 67.000 mortes oficiais. Os especialistas afirmam que vamos ultrapassar as 150.000 vítimas num curto espaço de tempo, sem contar as subnotificações.

A autoridade máxima do país é negacionista, sempre desrespeitou as determinações das autoridades mundiais e nacionais de saúde. Agora, confirmada a sua infecção, afirma utilizar medicamentos vetados por quase todos os especialistas do mundo e do Brasil.

Estamos a caminho do caos.      

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Sigamos juntos,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior



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