Cartas do Editor

Boas novas!

Trago novidades nesta semana e muita leitura de qualidade para a apreciação de todos

04/02/2019 15:18

 

 
Meus queridos,

Trago boas novidades nesta semana e muita leitura de qualidade para a apreciação de todos.

Começo com a indicação de “O intocável clã Bolsonaro cada vez mais entrelaçado ao crime organizado”, reportagem de Mariana Serafini, excelente jornalista que se integra à Carta Maior, sobre a relação entre as milícias e a família Bolsonaro. Uma bomba no colo do atual governo. O tema é difícil, as pessoas se negam a falar e as fontes confiáveis são insuficientes. Não deixem de ler e de recomendar para os seus contatos.

Outra boa nova é que, a partir deste mês, Carta Maior contará com a participação do jornalista, escritor e roteirista José Roberto Torero. Com bom humor, Torero comentará a conjuntura nacional na seção Diário do Bolso. Em seu último texto, aliás, é possível encontrar a seguinte pérola:

“Por exemplo, hoje eu sonhei com uma partida de futebol. Era a final do campeonato. O campo estava meio enlameado e tinha um time de amarelo e outro de vermelho.

O juiz marcava tudo contra o time de vermelho. Invertia lateral, não via as faltas dos amarelos, só dava impedimento dos vermelhos e acabou até expulsando o 10 deles.

Quando o juiz apitou o fim do jogo, o time amarelo tinha vencido de 5 a 4. E aí, em vez do cara ir pro vestiário, ele tirou a camisa preta, colocou uma amarela e foi comemorar o título. Abraçou todo mundo, deu beijo na taça e até fez a volta olímpica com os campeões”.

Recomendo, também, o editorial de Saul Leblon: “O capitão do capital é um desastre. E agora, Brasil?”. Partindo da “fulminante exposição de despreparo político” do atual governo, Leblon avalia que “imerso em um hiato de baixo crescimento que salgou seu conflagrado tecido social”, neste momento, o país não dispõe de “ferramentas democráticas à altura da repactuação urgente do seu desenvolvimento (... ), o risco de que isso possa romper a barragem que nos separa de uma tragédia desesperadora não deve ser subestimado”, alerta.

Ele observa, ainda, a densidade da insatisfação social hoje no país: “apenas 11% dos brasileiros acreditam, de fato, que a falange no poder beneficiária os trabalhadores, conforme informou discretamente a Folha, em página interna, na edição de 26 de janeiro”.

Aproveito este espaço, também, para informar que estamos publicando selecionadas análises sobre a gravíssima situação na Venezuela. Recomendo, particularmente, “O Golpe do Capital Financeiro na Venezuela: os abutres e a divisão do Botim”, de Simón Andrés Zuñiga; “No es Venezuela, es América Latina: el injerencismo trompista em tempos de guerra comercial”, de Jorge Elbaum; e ´Isso é muito perigoso´: governo Trump apodera-se de recursos venezuelanos de petróleo e renova a ameaça de ação militar se Maduro ficar”, de Jessica Corbett.

Importante frisar que, como sempre, Carta Maior está do lado do povo venezuelano e respeita, incondicionalmente, a soberania da Venezuela. Ninguém pode se auto intitular presidente da República sem ter tido o aval das urnas. Repudiamos qualquer guerra ou intromissão de outros Estados na Venezuela. Da mesma forma, enquanto presidente de todos, Nicolas Maduro precisa entrar em diálogo com a oposição.

Nós sabemos muito bem, aqui no Brasil, no que dá não conversar com a oposição.

Por fim, toda nossa solidariedade ao jornal L´Humanité que corre sério risco de fechar suas atividades. Fundado em 1904, o jornal do Partido Comunista Francês acaba de abrir uma campanha para garantir sua sobrevivência. Eles precisam de 3 milhões de euros. Triste notícia que comprova o que sempre dizemos aqui: o problema da comunicação é global. Não se restringe à realidade da mídia alternativa brasileira ou latino-americana.

Basta reparar os veículos internacionais. É possível encontrar fortes apelos por doação ou assinaturas no The Nation, fundado em 1865; New York Times e The Guardian, dois dos maiores veículos de imprensa do mundo; Thruthout; Eurasia Review...

E também em veículos como Democracy Now!, Mother Jones ou PróPública (vencedor do Pulitzer Prize em 2017); o inglês New Statesman, o francês Mediapart, todos independentes e financiados exclusivamente por seus leitores. O Mediapart é um exemplo vitorioso e relativamente recente, em apenas uma década, ele se tornou um dos mais importantes veículos de jornalismo independente da França, pautando a imprensa várias vezes. Começaram com 25 funcionários, hoje são 80 (confira “Como pioneiro Mediapart passou a pautar a imprensa francesa”).

Como vocês sabem, na contramão do que acontece em outros países, o jornalismo independente no Brasil não é financiado pelo público leitor. Raramente nós debatemos a necessidade de criarmos veículos autossustentáveis e editorialmente independentes, financiados exclusivamente pelos leitores, à semelhança dessas experiências internacionais.

Aos poucos, isso está mudando. Não temos dúvida de que, com a ajuda de todos, Carta Maior vai voltar a crescer e ultrapassar seu recorde de 20 jornalistas e vários correspondentes internacionais. Ajude-nos a reforçar a nossa equipe e a expandir nossas editorias. Trabalho e projeto não nos faltam.

De novembro de 2018, quando iniciamos esta campanha, até agora, conquistamos novos 300 doadores. Chegamos a 1.400 parceiros e para atingirmos nossa meta de 2 mil parceiros doadores, precisamos de mais 600 pessoas. Torne-se parceiro da Carta Maior (clique aqui e saiba como) e nos ajude nesta batalha. Converse com seus amigos e familiares. Divulguem nosso conteúdo em suas redes de contato.

Sigamos juntos em defesa do Brasil e do nosso povo.

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior

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