Cartas do Editor

CARTA MAIOR não pode parar!

 

28/03/2018 07:48

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Em rápida passagem por alguns veículos internacionais, vários deles com reportagens indicadas no nosso clipping diário CM8 Internacional, você encontrará fortes apelos por doação ou assinaturas.

Grande parte desses veículos são norte-americanos, com muito tempo de estrada, que sempre tiveram suporte de seus leitores. Vale relacionar alguns: The Nation, fundado em 1865; New York Times e The Guardian, dois dos maiores veículos de imprensa do mundo; Thruthout; Eurasia Review.

Na contramão do que acontece em outros países, sobretudo Estados Unidos e na Europa, o jornalismo independente no Brasil não é financiado pelo público leitor. Raramente, aliás, nós debatemos a necessidade de criarmos veículos autossustentáveis e editorialmente independentes, financiados exclusivamente pelos leitores, à semelhança das experiências internacionais.

Exemplos não faltam, além dos acima referidos, como os veículos norte-americanos Democracy Now!, Mother Jones ou PróPública que ganhou o Pulitzer Prize em 2017; o inglês New Statesman, o francês Mediapart, entre outros. Todos exemplos de veículos independentes, financiados exclusivamente por seus leitores e apenas com eles compromissados.

O mais recente projeto vitorioso é o Mediapart. Em apenas uma década, ele se tornou um dos mais importantes veículos de jornalismo independente da França, pautando a imprensa várias vezes, com reportagens de grande impacto na vida política. No início, eles contavam com 25 funcionários, hoje são 80 (confira também: “Como pioneiro Mediapart passou a pautar a imprensa francesa”).

Isso é possível, mas depende do engajamento de todos.

À frente e no dia a dia da Carta Maior desde sua criação, em 2001, quando do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, eu pude acompanhar períodos de maiores ou menores dificuldades deste projeto.

Ao longo desses 17 anos, nós publicamos análises das melhores mentes do pensamento de esquerda e progressista deste país e do mundo. Muitos, aliás, que hoje publicam artigos e análises na Carta Maior acompanham nosso trabalho desde os tempos de universidade.

Neste período, Carta Maior contou com a solidariedade de seus colaboradores e colunistas. Solidariedade que é fruto de um compromisso mútuo: o de transformar este país.

Por aqui também passaram várias equipes de jornalistas e profissionais que realizaram memoráveis coberturas de fóruns, conferências, seminários, encontros, palestras, debates nacionais e internacionais, além de excelentes entrevistas e reportagens. Nós também lançamos vários livros, revistas digitais, especiais e até documentários.

Aos que não conhecem nossa história, Carta Maior foi o primeiro site de mídia alternativa na internet. Surgimos em 2001, quando ainda não existiam os blogs, eles seriam criados a partir de 2005. Também não havia Facebook (lançado em 2004), nem Youtube (2005), muito menos Twitter (2006).

A internet engatinhava. As conexões eram discadas. O envio de mensagens eletrônicas, hoje conhecidas por e-mail, começaram a ser utilizadas no final dos anos 90, mas foi a partir do início da década de 2000, que efetivamente passaram a ter relevância.

Nós fomos, também, pioneiros em transmissão ao vivo pela web no Brasil. Em 2002, realizamos a transmissão e cobertura jornalística da Rio 10, desde Johanesburgo, na África do Sul; em 2004, transmitimos o Primeiro Fórum Mundial da Reforma Agrária, ocorrido em Valência, na Espanha. Foram dezenas de coberturas nacionais e internacionais, inclusive com vídeo.

No próximo ano, Carta Maior completará sua maioridade.

Nosso objetivo é mantê-la no ar e acessível a todos, até porque temos o compromisso de divulgar a concepção de mundo, as propostas e os principais debates da esquerda nacional e internacional.

Frente à vilania da grande imprensa, ou melhor, grande empresa no Brasil, temos exata consciência da nossa responsabilidade neste momento. Na realidade, nunca houve Comunicação neste país. O que existe é um arremedo, poucas reportagens que mereçam este título, em meio ao lodaçal da panfletagem política (e rasteira) do ideário neoliberal.

O que existe é a grande empresa que transformou Comunicação em Mercadoria e daí obtém seus lucros, sob a premissa do “quanto pior, melhor”. No ano de 2017 o governo golpista aumentou em 50% as verbas da Globo. A grande empresa que resiste à regulação dos meios de comunicação, mesmo nos moldes britânicos, da mesma forma que não admite a existência da TV pública. E o que dizer da manipulação das massas que realiza, sobretudo, em períodos eleitorais?

Carta Maior não impõe ideologias, ao contrário dessa grande empresa que se diz “neutra", mas martela diuturnamente o neoliberalismo como único caminho para o país, criminalizando qualquer alternativa a isso, mesmo que ela se comprove a mais eficaz.

Carta Maior jamais apela para o ódio de seus leitores. Nós politizamos através de argumentos sólidos defendidos pelos que pesquisam, com profundidade, aquilo que afirmam.

Estamos seguros de que as propostas da esquerda são o melhor caminho, o mais lógico, não apenas para vivermos em um mundo plural e com equidade; mas para que possamos sobreviver à ferocidade de um sistema que está destruindo, em escala cada vez maior, as possibilidades de existência neste planeta.

Carta Maior não pode parar!

Temos exata consciência da quantidade de trabalho que temos pela frente, fortalecendo as editorias que criamos e pensando novos projetos. Tendo em vista o quadro geopolítico, de quase enfrentamento entre as grandes potências, criamos a editoria Poder e ContraPoder, com artigos de professores e pesquisadores que se debruçam sobre o tema, salientado aspectos e aprofundando debates que, definitivamente, vocês jamais encontrarão nos veículos das empresas de comunicação.

Aliás, é impressionante a superficialidade da cobertura internacional praticada por esta mídia. Daí o destaque que demos ao clipping CM8-Internacional que traz, todas as manhãs, reportagens e análises de veículos estrangeiros aos que anseiam saber o que está acontecendo no mundo.

Conquistamos, também, novos colaboradores, exclusivamente por compromissos políticos. Carlos Alberto Mattos trará análises sobre os filmes mais relevantes em cartaz e o jornalista João Batista da Silva Negrão nos brindará, nas Cartas de Brasília, com análises sobre a semana do Congresso Nacional.

Essas são apenas algumas novidades que criamos. Por isso, diante de tantos projetos e, também, da imensa dificuldade financeira que atravessamos, nós pedimos seu investimento no jornalismo independente.

Torne-se parceiro da Carta Maior (clique aqui e saiba como). Ajude-nos a enfrentar este momento com, no mínimo, R$ 1,00 por dia, o equivalente a R$ 29,90 por mês. Se puder, contribua com mais, confira aqui as opções de doação. Sua contribuição é decisiva para garantirmos a continuidade deste projeto.

Nós precisamos, urgentemente, dar os primeiros passos em direção à criação de uma rede autossustentável e independente de comunicação alternativa. É a forma mais sensata e inteligente de enfrentarmos, sem medo de fechar as portas a cada virada de mês, as turbulências internas e externas que acenam no horizonte.

Boas leituras e sigamos juntos,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior

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