Cartas do Editor

Comunicação não é mercadoria. É direito!

Imaginem, apenas por um segundo, se essa imprensa, caída a máscara da isenção que prega, fosse efetivamente responsabilizada pela perseguição política que comete?

26/02/2018 20:01

Latuff

Créditos da foto: Latuff

 
O que seria deste país se a Comunicação não estivesse nas mãos de golpistas?

Se suas empresas, no devido respeito às leis, garantissem a pluralidade de opinião, de representação e universalidade?

Se em vez de atacar, elas defendessem as instituições democráticas?

Em outras palavras:

O que seria da nossa direita, deste golpe absurdo, dos sucessivos retrocessos de direitos, sem o comando e a manipulação diuturna das Organizações Globo?

Imaginem, apenas por um segundo, se essa imprensa, caída a máscara da isenção que prega, fosse efetivamente responsabilizada pela perseguição política que comete?  

E o que dizer dos crimes que oculta e justifica no balcão de suas negociatas?

Basta ligar a TV para ver o empenho dessa mídia em impedir o retorno de um governo progressista e, tão escandaloso quanto, o seu esforço em naturalizar a série de roubos garantidos pelo golpe – do sequestro de direitos trabalhistas ao roubo escancarado das riquezas nacionais –, vide a farra das estrangeiras que agora drenam as oportunidades trazidas pelo pré-sal.

Exemplos não faltam. Aliás, pudemos acompanhar a cobertura vapt-vupt de mais uma conta dos tucanos que apareceu na Suíça: 113 milhões de reais em nome do Paulo Preto, ex-presidente do Dersa, amigo de José Serra. Mais uma notícia que, certamente, cairá no buraco negro das demais envolvendo os tucanos.

A lição é dura, mas clara.

Enquanto a Comunicação for propriedade exclusiva dos coronéis midiáticos, nossa democracia estará ameaçada. Não haverá candidato, partido ou projeto que sobreviva enquanto houver monopólio no setor de Comunicação.

A ditadura do pensamento único precisa ser substituída pela pluralidade de ideias, visões políticas, pautas e opiniões. Afinal, o Brasil é muito maior do que o Leblon.

Neste sentido, a Mídia Alternativa é fundamental.

Ao contrário da mídia corporativa que concebe a Comunicação como mercadoria e a apresenta embalada no discurso do poder econômico (que a financia), nós sabemos que a Comunicação não é mercadoria, mas Direito Fundamental.

Como qualquer instituição democrática, a Comunicação precisa ser protegida de interesses econômicos. Esta, aliás, foi a luta que travamos nos últimos anos justamente para evitar o golpe que estamos vivendo.

Perdemos, é fato, mas resistimos e o nosso trabalho precisa continuar.

Não à toa, a primeira medida de Temer, ainda no governo interino, visou nos asfixiar economicamente, com a interrupção dos contratos de publicidade entre veículos alternativos de mídia e instituições públicas.

Contratos aliás irrisórios perto dos firmados com a Globo e cia.

Eles têm o mercado, nós temos uns aos outros.

A Mídia Alternativa precisa ser empoderada e esse poder será conferido não pelas corporações ou pelos golpistas, mas pelos leitores da Mídia Alternativa.

Se queremos, efetivamente, abrir espaço para narrativas que escapem do discurso neoliberal, esta é a única saída.

Após dois anos de imensas dificuldades, estamos convencidos de que somente a parceria entre Carta Maior e seus leitores poderá garantir a sustentabilidade deste projeto que, há mais de 17 anos, apresenta-se como “portal de esquerda”.

Nós jamais nos escondemos ou pretendemos uma isenção política que, definitivamente, nunca existiu na chamada “grande mídia”, sobretudo, nas Organizações Globo, cria da ditadura militar.

Aos leitores que acessam nossa página, respeitam o nosso trabalho e estão conosco na resistência contra o golpe, pedimos: torne-se parceiro da Carta Maior (saiba como aqui) e nos ajude a garantir a autossustentabilidade deste projeto. Urge criarmos uma rede progressista de comunicação independente e mobilizável a qualquer momento.

Não se esqueçam, também, de se inscrever em nosso cadastro (clique aqui) para receber diretamente, por e-mail, nossos boletins regulares ou as edições extraordinárias que a hora exigir.

Sigamos juntos,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior





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