Cartas do Editor

Confesso que chorei

 

25/04/2018 10:44

 

 
Chorei ao ver o vídeo do meu amigo Leonardo, impedido de levar amizade e palavra de conforto a Lula. Uma imagem forte da indignação, da resistência e da dignidade que tanto diz sobre a luta da esquerda neste país.

Como impedem alguém da estatura humana e intelectual de Leonardo Boff e de Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, de cumprirem sua missão? A troco de quê e sob qual concepção de Justiça? Tamanha vilania e desrespeito apenas rechaça a brutalidade da Operação Lava Jato.

Se a juíza Carolina Moura de Lebbo, da 12ª. Vara da Justiça Federal de Curitiba, que vem negando sistematicamente visitas de amigos a Lula, acha que prejudicou o ex-presidente, ela está redondamente enganada. Isso apenas aproximou de Lula, os verdadeiros cristãos e os católicos que seguem as palavras do Papa Francisco.

É essa proximidade que a perversidade notória dos agentes de Justiça está promovendo. Os que defendem os direitos humanos, petistas ou não petistas, de esquerda ou progressistas também acompanharam as palavras de Esquivel, atual presidente do Organismo de Tutela Internacional dos Direitos Humanos (SERPAJ), impedido de inspecionar as instalações dos presos na Polícia Federal de Curitiba, no último dia 18 de abril.

Palavras que engolem a pequenez de ex-presidentes que afirmam que Lula é um político preso. Não é. Lula é um preso político e encontra-se sequestrado pela direita brasileira, mantido em condição de isolamento, por uma corja de ignorantes políticos que ignoram ou preferem ignorar a História desse país.

Ignoram os personagens da História. Ignoram a democracia pela qual muitos lutaram e muitos morreram. Fazem de conta que não sabem onde meteram o país e o povo brasileiro. Sim, havia muitas dificuldades, mas nós estávamos finalmente trilhando o caminho. Foram oito anos que, finalmente, o Estado olhou para a maioria da nossa população com admiração e respeito. Oito anos em 518 anos de História do Brasil.

Incapazes de se localizarem no tempo e no espaço, presos às regalias fáceis do poder, aos tapinhas nas costas e microfones da imprensa, às promoções e regalias de uma casta que detêm o poder de mando. Os responsáveis pela prisão e isolamento de Lula violam a Justiça, reduzindo-a a essa justiça minúscula, irresponsável e desumana.

A imagem de Boff, de resistência paciente e imensurável humanidade ficará marcada para sempre na memória de todos. Junto a ele, sentado naquela cadeira, estão milhões de brasileiros que se pegam, ao longo do dia, pensando em Lula e em como ele está agora. Milhões que sentem sua prisão como a prisão de um ente querido. Suas palavras em São Bernardo do Campo servem de força a todos neste momento: “Vão fazer o que vocês têm para fazer”, disse o presidente Lula.

A ideia que Lula representa é a desse Brasil que não abaixa a cabeça. Ela está plantada e floresce a resistência ouvida nas ruas, na fala contra os diversos fascismos, no compromisso dos que afirmam sua posição política neste momento, na empatia que tanto nos aproxima enquanto humanidade, na amizade que nos une neste momento de angústia, na pluralidade de lutas que abraçamos e defendemos porque somos mais do que nossos umbigos.

Isso se chama dignidade, que só se aprende com a vida.

Carta Maior está fazendo o que tem para fazer e só conseguimos porque não estamos sozinhos nessa. Com a doação de nossos leitores, em 2017, produzimos 1.200 matérias, realizamos 43 entrevistas, promovemos quatro especiais, mudamos o layout do site e ainda criamos dez novas editorias, com o intuito de melhor responder aos desafios do tempo presente.

A qualidade e quantidade de análises e reportagens que vocês encontrarão nas nossas editorias falam por sim. Na editoria Poder e ContraPoder, reunimos textos de primeira linha sobre a geopolítica atual. Montamos o Especial 200 anos de Marx, sobre o pensamento que revolucionou o mundo. E, obviamente, criamos o especial Eleição sem Lula é Fraude.

Não deixem, também, de conferir o especial Realidade e Cinema, com vasto e riquíssimo conteúdo de filmes políticos e de alta qualidade cultural. Filmes que ampliam nossa capacidade de ver e pensar o mundo, que podem ser utilizados em salas de aula e iniciar excelentes debates.

Financiados exclusivamente pelos nossos leitores, sem comprometer nossa liberdade editorial, assumidamente 100% de esquerda, diariamente nós prestamos um serviço com o CM8, nosso clipping internacional elaborado, generosamente, pelo amigo e colaborador o economista Carlos Eduardo Silveira. O clipping é publicado de segunda a sexta-feira e conta com uma edição especial aos domingos, com o melhor da imprensa mundial. Todos os dias a sua espera, às oito horas da manhã.

Trazemos também para nossos leitores conteúdos atualizados das principais capitais do mundo. Já contamos com cartas de Montevidéu, Buenos Aires, Santiago do Chile, Assunção, La Paz, Lima, Quito, Bogotá, Caracas, Havana, San José da Costa Rica, Cidade do México, Lisboa, Barcelona, Manágua, Paris e Berlim. Em breve teremos a confirmação das cartas de Londres, Nova Iorque, Tel Aviv, Genebra, Ramallah, Moscou e Pequim, além de algumas capitais africanas. Esse material está reunido na editoria Cartas do Mundo que já conta com oito páginas.

Todo esse conteúdo está aqui e à disposição de vocês.

De forma inovadora, nós estamos cobrindo a conjuntura por meio de análises de fundo. Recuamos a pressa em busca da qualidade, mas não abandonamos o calor da hora: o nosso Twittão Maior, produzido por Saul Leblon, em que disseminamos o conteúdo nosso e compartilhamos o de vários veículos alternativos, fortalecendo a luta da Mídia Alternativa, alcançou número recorde de 5 milhões de visitas nos últimos trinta dias e conta com 158.000 mil seguidores.

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Sim, precisamos avançar: produzir mais matérias, mais reportagens, mais entrevistas, mais vídeos para a TV Carta Maior, pioneira em transmissão ao vivo no Brasil.

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Vamos fazer aquilo que temos de fazer. Lutar pelo nosso país. Lutar por uma comunicação democrática, plural, universal. O Brasil é maior que seus algozes. É a luta e a dignidade de companheiros como Leonardo Boff (leia a carta de Boff). É a coragem de Marielle e a luta das periferias brasileiras. É a força do enfrentamento dessa geração de dicentes e docentes que estão transformando as universidades brasileiras. É essa classe artística que lembra: cultura é luta contra a barbárie.

O Brasil é a força e a inteligência de milhões de trabalhadoras, grande maioria, mães de família e de milhões de trabalhadores que efetivamente constroem este país, à revelia dos que “não querem pagar o pato”, porque preferem especular com o dinheiro dos outros.

Este é o Brasil que vocês encontram aqui na Carta Maior. Essa a comunicação que acreditamos. O que temos para fazer. O que podemos fazer (graças à contribuição de vocês). O que fazemos com muita paixão.

Boas leituras e boa semana,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior







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