Cartas do Editor

O futuro a nós pertence

Não podemos cair nas armadilhas da direita, muito menos comprar a sua pauta. A opinião pública precisa se distanciar da opinião publicada que se encontra engessada em dois grandes temas: as polêmicas, totalmente estratégicas, e as pautas que visam naturalizar o desmonte e o sequestro dos direitos constitucionais do nosso povo

24/01/2019 20:36

 

 
Carta Maior completou 18 anos no último dia 28 de janeiro.

Concebida como um portal de esquerda, na atmosfera de esperança e paixão, durante a inauguração do I Fórum Social Mundial de Porto Alegre, Carta Maior sempre tratou a informação como um bem público e chegamos a ter uma redação com 22 jornalistas e dezenas de correspondentes em várias partes do mundo.

18 anos depois, Carta Maior atinge a maioridade em situação completamente desfavorável à esquerda no Brasil e no mundo. Nos nossos piores pesadelos, jamais poderíamos imaginar Jair Bolsonaro na Presidência da República, Lula atrás das grades, a Embraer vendida, a Petrobras mutilada e tantas excrescências que estamos acompanhando.

A História tem seu ritmo e muita coisa mudou. A direita brasileira perdeu qualquer pudor. Assume o extremismo, fala de boca cheia em privatização e bate continência, sim senhor, para a bandeira norte-americana. Não se trata apenas do petróleo. As terras, as riquezas, os empregos, a privacidade das pessoas, direitos sociais, trabalhistas e humanos, tudo isso está no grande pacote “Brasil” que se oferta, agora, à iniciativa privada.

Por isso, como já afirmei neste espaço, nós não podemos cair nas armadilhas da direita, muito menos comprar a sua pauta. A opinião pública precisa se distanciar da opinião publicada que se encontra engessada em dois grandes temas: as polêmicas, totalmente estratégicas, vide as declarações da ministra Damares etc; e as pautas que visam naturalizar o desmonte e o sequestro dos direitos constitucionais do nosso povo.

A brigas, evidentemente, só tendem a aumentar. A queda de braço entre Globo e família Bolsonaro assume proporções imprevisíveis. Já é possível ouvir que a Globo é comunista. O COAF é comunista. O Foro de São Paulo, organizador da revolução comunista na América Latina. Mas não sejamos ingênuos, o Jornal Nacional encontra sempre um jeito de alimentar o antipetismo. Um olho aqui, outro lá.

Frente a tanta ignorância, neste mês de aniversário, Carta Maior irá impulsionar um breve debate, entre intelectuais e colunistas colaboradores, para que possamos refletir sobre questões básicas do exercício político, muito no espírito dos “primeiros passos”, série lançada pela Brasiliense nos anos 1970, para que possamos debater questões que ninguém mais discute, por exemplo, “o que é a esquerda?” e, também, o que é ser de direita, o que é ser progressista, o que é ser liberal, o que é ser democrata, o que é ser republicano e por aí vai...

Questões que urgem serem debatidas, de modo didático, por nossos colaboradores, até porque se a gente não falar sobre esses temas, as pessoas vão acreditar que ser de esquerda é ser bandido, porque é isso que elas ouvem e leem, com grande ênfase, nas redes sociais. Não percamos tempo com polêmicas de meia tigela. Definitivamente, criticar a direita no WhastApp e no Facebook, postando vídeos e frases desconexas, não nos levará a lugar algum.

Vamos semear o debate.

Ajudem-nos a divulgar nossos textos de primeiros passos. Que a discussão volte para as salas de aula e para as quadras nos colégios, que invada os bares, as calçadas e filas de banco. Contra o “Escola Sem Partido”, exercitemos “A Vida com Partido”, guiada pelos princípios democráticos e de liberdade de expressão.

O conhecimento é o nosso instrumento de resistência. Semana que vem publicaremos o primeiro texto “O que é ser de esquerda?” dos professores Luiz Gonzaga Belluzzo e Reginaldo Moraes. Não percam!

Abraços,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior





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