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Cartas do Editor

União e informação: as bases da nossa resistência

 

29/01/2018 19:37

 

 
Quais os desdobramentos da condenação em segunda instância do ex-presidente Lula na última quarta-feira (24.01.2018) e da ameaça de sua prisão em curto prazo? O que fazer neste momento e nos próximos meses?

Essas e tantas outras questões, abertas pela fraude jurídica da última semana, fazem parte do Especial:  Eleição sem Lula é fraude! que organizamos para você nesta semana.

O Especial reúne artigos, reportagens e entrevistas imperdíveis, como a do economista Mark Weisbrot, autor do texto publicado no New York Times às vésperas do julgamento. Em entrevista ao site Nocaute, ele destaca a parcialidade do julgamento e diz sobre Sérgio Moro: “nos Estados Unidos, um juiz como esse seria, para dizer o mínimo, afastado do julgamento (confira a íntegra aqui).

Diante do avanço da direita e do refluxo contínuo de direitos que, estarrecidos, acompanhamos desde o golpe de 2016, é preciso acompanhar com lupa a onda conservadora e os grupos que passaram a adquirir um peso inédito na vida política social brasileira. Por isso recomendamos a todos o artigo A onda conservadora e o risco de uma ‘nova normalidade’ do professor Reginaldo Moraes (Unicamp).

Ele destaca que estamos diante “não de uma mudança de governo”, mas “de uma mudança de regime” e “de padrão na vida cotidiana”, com a “instauração de um medo genérico e uma censura prévia do pensamento”. Afirma Moraes que “o distanciamento do mundo torpe das eleições e dos partidos não foi proporcionalmente acompanhado ou compensado, de fato, por um aumento da política não institucional, daquela frequentemente identificada a associação horizontal, ação direta, democrática participativa ou coisas assim”.

Autor, junto a Márcio Pochmann, de Capitalismo, Classe Trabalhadora e Luta Política no início do século XXI, Moraes também analisa o golpe no Brasil à luz do avanço da direita em todo o mundo. Ele destaca, inclusive, que o fenômeno central dos últimos tempos “não foi o avanço da direita no terreno institucional – partidos, eleições”, mas “a disseminação da apatia, da indiferença, da desmobilização, do ´tanto faz!´. Isso foi a troca relevante, mais do que vitórias da direita em eleições”.

No Brasil, avalia, “a oligarquia aboliu o que restava de espaço institucional, cancelando ou tornando inócuas as disputas eleitorais, as brechas que tinham sido abertas desde as “diretas-já” dos anos 80”. Em sua avaliação, “essa onda não tem hora para acabar”, mas vai “reprimir sem dó todos esses segmentos e movimentos horizontais que supostamente ficam à margem da política”.

Um desafio, acrescenta o professor Sebastião Velasco e Cruz, autor de Estados e mercados: os Estados Unidos e o sistema multilateral de comércio, “muito mais profundo e complexo do que no pós-64”, quando “os militares tinham a força das armas, mas não tinham capacidade de direção cultural -- o que explica a rápida revanche da esquerda no interregno de 1965-1968, tal como argumentava o Roberto Schwartz em memorável artigo ´Cultura e Política 1964-1969´, publicado originalmente em 1970, na famosa Les Temps Modernes” e em “O Pai de Família e outros estudos” (Paz e Terra, 1978: 61-92). Artigo que recomendamos fortemente a leitura e que pode ser acessado aqui.

Destacando “a disposição de parcela do judiciário de rasgar a fantasia e promover um justiçamento político descarado”, Velasco avalia como central, neste momento, “a questão da liberdade Lula – e confundida com ela – a do arbítrio judiciário. Ele também recomenda a leitura do discurso do diplomata Celso Amorim, durante o Ato de Juristas e Intelectuais em Defesa da Democracia, ocorrido no último 21 de janeiro, em Porto Alegre. Confira aqui o discurso de Celso Amorim.

Neste ato, ao mencionar a necessidade de criarmos uma rede de legalidade não apenas em todo o Brasil, mas em toda a América do Sul, Amorim comentou o disparate das declarações favoráveis ao uso de força contra a Venezuela. “Eu nunca ouvi dizer que a opção militar estava aberta em relação a um país sul-americano. E a América do Sul não fez nada, porque não tem líderes! Era para ter uma reunião da UNASUL, da CELAC, para denunciar isso”, destacou.

Amorim também falou sobre o golpe no Brasil. “É coincidência o apoio do poder econômico à vitória do Macri na Argentina? É coincidência o golpe parlamentar no Brasil? É coincidência a declaração do Trump sobre o uso do poder militar na Venezuela? Tudo isso é coincidência? (...) Eles atacaram o nosso petróleo, atacaram nossa energia nuclear, atacaram nossa capacidade de investimento nas Forças Armadas, atacaram também a nossa saúde, os direitos dos trabalhadores. Então, eles estão tratando de destruir o país”.

Mais do que nunca, nós precisamos expor, com argumentos claros e sólidos, o desmonte da soberania brasileira e os sucessivos ataques contra a nossa democracia. Não podemos, de forma alguma, permitir que o golpe e a condenação de Lula sejam naturalizados junto à sociedade brasileira.

Até porque será nisso que o condomínio golpista apostará todas as suas fichas neste ano eleitoral. Ao contrário de nós, eles têm em mãos todo um aparato midiático a serviço do golpe e dos interesses do capital. Por isso temos muito trabalho pela frente: nós, produzindo e selecionando um conteúdo que expresse o melhor do pensamento de esquerda, nacional e internacional; você, nos ajudando a divulgar esse conteúdo em suas redes de contato e redes sociais.

Somente juntos nós poderemos furar o bloqueio da mídia espúria deste país. É por isso que organizamos nesta semana o especial Eleição sem Lula é fraude! Ali você encontrará reflexões que muito contribuem nessa empreitada. Compartilhe nosso conteúdo e não se esqueça: as atividades da Carta Maior dependem exclusivamente da contribuição financeira de seus leitores. Torne-se um parceiro doador clicando aqui e nos ajude a permanecer no ar.

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Boa luta e boas leituras,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior



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