Cartas do Mundo

Carta de Berlim: A ONU e os piratas do Planalto

 

21/08/2018 11:22

 

 

De todas, a reação mais hilária à decisão da ONU exigindo que os direitos de Lula, como candidato, sejam respeitados, foi a de Bolsonaro. Disse ele que, se eleito, “iria retirar o Brasil da ONU”. Declaração bestial, mas por isto mesmo hilária. Primeiro que reagiu como se o Brasil fosse um pacote que ele poria debaixo do braço e levaria para onde quisesse. Reação típica de coxinha que quer virar coxão. Pois é, e para onde levaria ele este pacote? Para outro planeta? Impensável, porém… com a Nasa à disposição, via Trump, e com a entrega da Base de Alcântara, deixando o povo brasileiro e o pré-sal como fiança, nunca se sabe, tudo é possível. Regredindo para antes da ONU, poderia ser antigo Eixo da Segunda Guerra? Seria coerente com suas ideias. A ver. Liga das Nações? Não, não, ele não suportaria nem mesmo Woodrow Wilson. A Conferência de Berlim, que repartiu a África? Bem que ele gostaria, mas não seria admitido. A Santa Aliança contra Napoleão? Um acordo com Monroe - “A América para os americanos” - o Brasil inclusive, poderia ser a contribuição de Bolsonaro… As paredes da História começam a virar fumaça. Um disparate, enfim, disparado para obter os votos quem acha o General Mourão um ás da inteligência. Não vai longe.

Mas outras reações também foram tão risíveis quanto previsíveis. Na mídia conservadora: a resolução apenas recomenda, não vincula. O mesmo aconteceu na hoje ridícula política externa que está transformando o Itamaraty em piada internacional, ele que já foi referencia desde Rio Branco, senão antes, desde meados do século XIX, quando afrontou o poderio britânico. Mas hoje o Itamaraty está de joelhos. Houve até quem lançasse um patético grito sobre “como que a ONU se presta para isto?”, como se a ONU, e não o Planalto, tivesse se transformado numa casa de tolerância depois do golpe de 2016, junto com o Congresso, setores do Judiciário e da PF. 

A mídia golpista, depois de um período de silêncio obsequioso, tentando resolver o que fazer, foi por aí mesmo. Sardenberg et alii que o digam. 

Única palavra para descrever tudo isto: ridículo na cena internacional. Tragédia para o nosso povo.

A resolução do Comitê de Direitos Humanos da ONU mostra o quanto o Brasil, diplomaticamente, está isolado na cena internacional. Isto nãoo quer dizer que negócios serão suspensos. Mas serão feitos com mais cautela. Ou mais pressa, para aproveitar a feira de ocasião. Não haverá guerra nem sanções militares. Mas haveria reticências. Acordos deixarão de ser assinados. Temer, até sua substituição, continuará vagando nos salões dos encontros internacionais como uma alma penada e pária, sem ninguém que o acolha. O plantonista do PSDB no Itamaraty continuará, seja quem for, ladrando contra os fracos e ganindo diante dos fortes, seja ele e eles quem for e forem.

Todo o blablabla da mídia convencional se destina a disfarçar que o governo brasileiro, a Lava Jato, e a operação “Delenda Lula”, sofreram uma fragosos derrota política no plano  internacional.

Quanto à resolução em si, ela equivale a um mandato de segurança. Ela á “cautelar”. Ou seja, respeitem-se os direitos conexos do acusado, até que o mérito da acusação seja julgado em definitivo.

Este julgamento virá.

E será pior para o governo brasileiro, a Lava Jato, a operação Delenda Lula. Estão fritos. Ninguém sério acredita neles. E cada vez mais gente sabe que Lula é o prisioneiro político n* 1 da América Latina.

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