Cartas do Mundo

Carta de Paris: ''A anexação da Cisjordânia por Israel marcará o fim da ONU''

O historiador Dominique Vidal vê uma fascisação do país por Netanyahou e diz que se pratica a tortura de palestinos nas prisões

30/06/2020 11:34

(Reprodução/Wikipédia)

Créditos da foto: (Reprodução/Wikipédia)

 
O historiador, jornalista e escritor Dominique Vidal, especialista do Oriente Médio e do conflito Israel-Palestina, é um respeitado conferencista francês e foi subeditor responsável pelas edições internacionais do « Le Monde Diplomatique ». Filho de um judeu que passou dois anos no horror do campo de extemínio Auschwitz-Birkenau, ele milita por um Estado de Israel democrático e laico.

Nesta entrevista exclusiva à Carta Maior, Vidal analisa o avanço das recentes leis racistas de Israel e a anunciada anexação da Cisjordânia.

« Existe um processo de fascisação dirigido por Netanyahou. O poder dele tem muitas características de um poder fascista e a chave que mostra que se entra no fascismo aberto são os direitos dos Palestinos. Quando os Palestinos de Israel defendem seus direitos de cidadãos estão defendendo também a democracia israelense. »

Leneide Duarte-Plon : Quais seriam as consequências de uma anexação de parte da Cisjordânia por Israel, anunciada para o dia 1° de julho ?

Dominique Vidal : Pessoalmente, duvido muito que Benjamin Netanyahou realize o projeto de anexação a partir de 1° de julho. Houve um período de hesitação com muitas consultas entre Tel Aviv e Washington, muitas suspeitas na União Européia, muita reação no mundo árabe e, evidentemente, uma resistência fortíssima da parte dos Palestinos. Não estou convencido de que as coisas serão tão fáceis dia 1° de julho.

L.D.P : Você pensa que Netanyahou vai adiar a decisão para anunciá-la no futuro ?

D.V. : Tudo é possível. É provável que ele anuncie e faça a anexação total do Vale do Jordão, isto é, 30% da Cisjordânia, além do conjunto de colônias legais e ilegais. Do ponto de vista internacional, elas são ilegais, do ponto de vista israelense algumas são legais, outras não. Talvez ele faça uma anexação por fases, começando por uma parte do programa, com a anexação de algumas colônias que estão no centro da Cisjordânia. Também é possível que se anuncie simplesmente que o princípio foi adotado pela Knesset (Parlamento) e que os estudos e as negociações vão continuar. Tudo é possível porque há mais incertezas e obstáculos que previsto.

As consequências de uma anexação global seriam enormes. Primeiramente, ela marca o fim da solução com dois Estados. Desde 1967, a comunidade internacional criou, baseada em fatos e em ilusão, a idéia da criação de um Estado Palestino ao lado de Israel, em coexistência pacífica. A partir do momento em que Israel passar a ocupar a maior parte da Cisjordânia, não se pode mais imaginar um Estado Palestino. Ou então será uma pequena coleção de bantustans sem nenhuma continuidade, sem soberania nem sobre as fronteiras terrestres, nem marítimas, nem sobre o espaço aéreo, nem sobre as riquezas do sub-solo. Enfim, é o fim da solução com dois Estados.

Seria também o fim de uma coisa que interessa tanto aos Estados Unidos quanto a Israel : uma aproximação entre Israel e os países árabes do Golfo. Por enquanto, há uma normalização que progrediu mas somente dois países árabes assinaram acordos de paz com Israel até hoje: o Egito e a Jordânia. Uma das consequências da anexação seria a ruptura do tratado pelos jordanianos. O rei Abdallah disse claramente que haverá um conflito e que ele romperia as relações. Mas além da Jordânia, em caso de anexação ficaria difícil para os dirigentes árabes justificar à opinião pública de seus países, que tem muito interesse na causa palestina, a continuação de um processo de normalização das relações com Israel.

A terceira consequência maior e a mais importante, a meu ver : a anexação marcará o fim da ONU, o fim da comunidade internacional. Voltaremos à lei da selva, isto é, em vez de firmarem acordos quando há divergências e conflitos limitados localmente vamos nos encontrar na situação em que as grande potências decidem que tomam o que querem, impõem a lei. E não somente os Estados Unidos. A Rússia vai também ver confrirmada como legítima a anexação da Criméia. Não se pode aceitar a anexação da Cisjordânia e condenar a anexação da Criméia sancionando a Rússia por um ato semelhante.

E terá também a China, que encontrará nessa decisão pretexto para continuar suas operações no Tibet, entre outras. A anexação da Cisjordânia será uma ruptura histórica em relação ao século XX e ao XXI, uma ruptura histórica na gestão do mundo que existe desde a Segunda Guerra Mundial.

L.D.P. : Você escreveu com Michel Warschawski um livro cujo título anuncia que « Um outro Israel é possível ». Que Estado vocês imaginam como opção ao que lhes parece num impasse ?

 D.V. : Depois da publicação do livro, houve fenômenos diversos que devem ser analisados. O primeiro é a radicalização da direita e da extrema direita no poder em Israel. É um fenômeno importante cujo apogeu será a anexação. Esta radicalização atinge três aspectos : primeiramente, o político, que passa da colonização à anexação da Cisjordânia. É um esforço que Benjamin Netanyahou e seus aliados desenvolvem desde 2015, da constituição de um governo formado pela direita, extrema-direita e os ultra-ortodoxos. Nele não há nem mesmo o centro.

O segundo aspecto dessa radicalização é a lei de 19 de julho de 2018. É uma lei fundamental, isto é, uma lei constitucional pois não há constituição em Israel. Essa lei transforma Israel que era definido como um Estado « judaico e democrático » em « Estado-Nação do povo judeu ». Saiu a democracia. O primeiro artigo diz que « somente o povo judeu tem direito à autodeterminação em Israel ». Ora, como se sabe, em Israel há 20% de árabes. Isso significa que 30 anos depois do fim do apartheid na África do Sul essa lei reinstaura em Israel um regime de apartheid para um dos dois povos, que tem todos os direito enquanto o outro, o povo palestino, não tem direito algum.

E há um terceiro aspecto da radicalização que a maior parte da mídia silencia porque incomoda : a aliança feita por Netanyahou com os dirigentes populistas negacionistas e antissemitas da Europa. Netanyahou flerta com Victor Orban, da Hungria, com Kaczynski, da Polônia, com Kurz da Áustria e com os neonazistas do partido AFD na Alemanha. Isso faz parte de sua radicalização. Como nós dizemos no nosso livro, Michel Warschawski e eu, Israel já foi bastante destruído por Netanyahou.

L.D.P. : Qual é a alternativa ?

D.V. : Para nós, é evidente que a única saída para o país onde 20% da população não é judia é que o Estado seja de todos os cidadãos. Que seja instaurada uma igualdade de direitos econômicos, sociais, políticos, religiosos entre todos os israelenses, independentemente de suas origens, opiniões políticas e religiões. Passar de « Estado judaico » a um Estado de todos os cidadãos. Na declaração de independência do Estado de Israel, que Ben Gourion pronunciou em maio de 1948, ele diz que o novo Estado ia garantir a igualdade de todos os cidadãos independentemente de raça (na época se dizia assim) ou religião. Michel Warschawski e eu temos o mesmo ideal da Declaração de Independência. Mas na prática, as coisas se desenvolveram de maneira diferente.

L.D.P. : Você tem um engajamento claro por um Estado Palestino. O que o levou a escrever e tomar posições corajosas por esta solução de dois Estados ?

D.V. : Não temos uma posição por uma solução imutável entre israelenses e palestinos. O que nos parece importante, tanto para Michel quanto para mim, é que exista uma igualdade de direitos para todos os habitantes da terra de Israel-Palestina, que se chamava Palestina mandatária no tempo do mandato britânico. O mais importante é o princípio de igualdade de direitos reais de todos os habitantes da Palestina mandatária. Tanto faz se isso deve se realizar na forma de um Estado Palestino como um Estado soberano ao lado de Israel, ou como um Estado único, binacional, no qual haja igualdade para todos. O futuro é que dirá. A solução de dois Estados está sendo destruída pelo governo Netanyahou. A anexação de Netanyahou e Trump é o último prego no caixão da solução de dois Estados.

 L.D.P. : O que a lei de 2018 votada pela Knesset que define Israel como Estado-Nação do povo judeu muda na vida real de judeus e árabes israelenses? Ela legaliza o apartheid ?

D.V. : Pessoalmente não uso o termo apartheid quando falo de Israel. Se falamos da Cisjordânia, evidentemente que é um apartheid porque os Palestinos não têm nenhum direito e os colonos judeus têm todos os direitos.

L.D.P. : Por que não falar de apartheid em Israel ?

D.V. : Se os negros sul-africanos tivessem tido o direito de voto, o direito de formar partidos políticos, de ser eleitos para o Parlamento e depois da eleição de ser a principal força de oposição não sei se o termo apartheid teria sido usado na África do Sul. Existe uma grande diferença entre a África do Sul e Israel. A situação da África do Sul é muito próxima da Cisjordânia atual. Para os Palestinos de Israel (ou árabes israelenses) o fato de ter direitos políticos é a última proteção. Não somente para eles, seus próprios direitos, mas também para a democracia em Israel.

Existe um processo de fascisação dirigido por Netanyahou. O poder de Netanyajou tem muitas características de um poder fascista e a chave que mostra que se entra no fascismo aberto são os direitos dos Palestinos. Quando os Palestinos de Israel defendem seus direitos de cidadãos estão defendendo também a democracia israelense.

L.D.P. : Não sei se você sabe que Netanyahou e Victor Orban foram os únicos chefes de governo que foram à posse de Jair Bolsonaro em janeiro de 2019. Quando você fala de fascisação penso que eles têm muitas afinidades…

D.V. : Netanyahou é um ideólogo e não um político pragmático, como querem alguns. Seu pai era um fascista declarado, foi assessor de Zeev Jabotinsky, o líder da corrente fascista do sionismo nos anos 1920 e 1930. O filho de Netanyahou posou para um cartaz do partido neonazista alemão, o AFD. O cartaz diz : « Por uma Europa livre, independente e cristã ». O filho de Netanyahou, Yair, judeu por seu pai e por sua mãe tornou-se um play boy de um cartaz por uma Europa cristã ! Este homem, Netanyahou, é um ideólogo fascisante. Para as pessoas que viveram o Holocausto, a Shoah, como meu pai que foi mandado para Auschwitz-Birkenau, sei do que falo, é chocante ver Netanyahou ao lado de Orban que fez a apologia do regente Horthy, da Hungria, cujas leis antissemitas permitiram a Eichmann exterminar 450 mil judeus húngaros. O mesmo Netanyahou que flerta com Kacinsky que fez uma lei na Polônia proibindo toda crítica da colaboração polonesa com os nazistas. Na Polonia foi onde houve a maior colaboração. Para as famílias que viveram esse período da guerra, esses amores de Netanyahou dão vontade de vomitar.

L.D.P. : Você viu reportagens sobre prisioneiros palestinos que têm um número gravado em seus braços…

D.V. : Não é gravado, é escrito com feltro…

L.D.P. : Mas isso faz pensar em coisas horríveis, não?

D.V. : Isso faz pensar em coisas horríveis, mas eles não ousariam ainda gravar…

L.D.P : Mas é tão próximo como símbolo que a gente se diz que eles estão loucos…

D.V. : Da população de prisioneiros palestinos nas prisões, a metade não foi julgada. Há muitas centenas de crianças e se pratica a tortura nas prisões israelenses. Uma lei votada em 1999 autoriza « pressões físicas moderadas ». Os torturadores consideram essa lei como um sinal verde para torturar prisioneiros, inclusive mulheres e crianças.

L.D.P. : Quase 20% da população de Israel é de origem árabe. Os palestinos israelenses são o grande problema de Israel segundo Netanyahou ?

D.V. :
Sim, a lei de 2018 sobre Israel como « o Estado-Nação do povo judeu » ainda não mudou fundamentalmente as condições materiais de vida da população palestina de Israel. Mas todas as discriminações que existem foram reforçadas por essa lei. E uma coisa mudou. Depois da lei, Netanyahou se viu autorizado a fazer campanha polítia abertamente racista, que se fosse feita na França o levaria à prisão. E como ele é o homem que dá o tom à direita e à extrema-direita israelense, vê-se cada vez mais o racismo aparecer não somente em palavras mas também em atos. Há violência contra cidadãos árabes, há ameaças. Ayman Odeh, líder da lista unificada árabe que fez 15 deputados, foi espancado por policiais durante uma manifestação. A lei não mudou na prática mas o clima político mudou. A lei dá um sinal verde ao racismo mais violento.

Nos últimos dias de campanha eleitoral Netanyahou fez um discurso em que disse: « Os árabes querem nos exterminar, homens, mulheres e crianças ». Nem Marine Le Pen diria algo semelhante.

L.D.P : Israel está se tornando uma teocracia ? É possível ser leigo, sem religião, num Estado dominado pela religião, no qual as pessoas só podem se casar diante de um rabino, no qual a religião domina todos os setores da vida do cidadão ?

D.V. : O movimento sionista era um movimento laico, bastante anti-religioso. Mas quando David ben Gourion decidiu criar o Estado de Israel, pensou que não podia fazê-lo sem a participação dos religiosos, inclusive os ortodoxos. Não era uma obrigação matemática. Ele já tinha a maioria no Parlamento. Mas ele pensava que mesmo sendo laico, o movimento sionista tinha um discurso de justificação necessariamente ligado à Bíblia.

Hoje, quando você discute com um israelense durante uma reunião e que pouco a pouco você destrói sua argumentação para justificar a conquista e a espoliação da Palestina, ele acaba dizendo : « Sim, mas no livro de Gênesis está escrito que Deus prometeu esta terra a Abrahão e sua descendência ». Esquecem que a descendência é dupla. Abrahão teve Ismael, o ancestral dos árabes, antes de ter Isaque. Mas isso é complicado demais para pessoas que utilizam este tipo de argumento. Isso significa o quê ? Em última análise que a verdadeira justificação do projeto sionista é a utilização da Bíblia.

L.D.P. : Como se fosse um livro de História…

D. V. : Como se fosse um livro de História, um cadastro que desse direitos a um povo de se apropriar de uma terra. É preciso compreender que não pode haver projeto sionista que não esteja empacotado num discurso religioso.

 L.D.P. : Por isso é difícil compreender um sionismo laico porque seu fundamento está no livro de Gênesis, na Bíblia…

D.V. : Mas durante décadas, até 1977, o projeto sionista dominante não reivindicava a Bíblia mas o discurso socialista. Desde 1977, o socialismo desapareceu do projeto sionista e a Bíblia tornou-se o elemento essencial. Veja a declaração de Netanyahou de 17 de maio, na posse do novo governo. Ele diz claramente que foi lá que nosso povo se desenvolveu e que « temos o direito de anexar ». O laço entre a Bíblia e o projeto de anexação é muito forte. Mas não considero que seja uma teocracia. Quem está no poder em Israel não são os partidos religiosos. São partidos nacionalistas, racistas, expansionistas, mas não são os barbudos que dirigem Israel. São pessoas perfeitamente leigas, a maior parte delas não tem nem convicção religiosa mas utilizam a Bíblia e a religião como argumento para justificar um projeto nacional. Mas há mais contradição na sociedade do que pode parecer. Os resultados dos partidos religiosos são importantes mas as pesquisas de opinião mostram uma maioria de pessoas querendo um casamento civil pela lei, a possibilidade de abrir lojas e transportes no sábado. A maioria quer a separação da religião e do Estado, como é o caso na maior parte dos países chamados democráticos. Essas posições progrediram na opinião pública israelense.

L.D.P. : Você diz que os políticos de direita e de extrema-direita que estão no poder não são nem religiosos. Servem-se da religião e da Bíblia de forma abusiva, hipócrita ?

D.V. : Todo mundo sabe que Ariel Sharon não era religioso. Netanyahou também não é. Ben Gourion foi mergulhando na Bíblia com o passar dos anos.

L.D.P. : Você se define como ateu ?

D.V. : Não, como agnóstico. Digo que não sei. Acho extraordinário que as pessoas possam saber se Deus existe ou não.

 L.D.P. : A campanha BDS (Boycott, Désinvestissement, Sanctions) que prega o boicote a Israel pode mudar a situação no país ? O boicote tem resultados positivos ?

D.V. : Evidentemente, apoio a campanha de boicote e constato que BDS acaba de ter uma vitória histórica pois a Corte Européia de Direitos Humanos condenou a França e afirmou que o direito ao boicote é um direito cidadão e isso é válido para toda a Europa. A corte não apoia nem condena o boicote, ela o reconhece como um direito, exatamente como o de expressão ou o de manifestação. É uma vitória extraordinária porque há quase 15 anos temos uma batalha dura de Israel e seus cúmplices tentando proibir o boicote. Vimos centenas de procesos. Foi uma grande vitória.

L.D.P. : O boicote tem uma utilidade na prática?

D.V. : Existem dois tipos de boicote. O primeiro é feito por cidadãos que se recusam a comprar tâmaras do Vale do Jordão ou grapefruit de Jaffa. Esse boicote é marginal, não pesa na economia israelense. Mas ele permite um debate com as pessoas. Eu mesmo o faço e posso explicar a ocupação, a anexação, a colonização. E há um segundo tipo de boicote que pesa na economia israelense : o das grandes empresas, dos grandes bancos, dos fundos de investimento que, sob a pressão da opinião pública, decidem interromper investimentos em Israel e nos territórios ocupados.

Na França temos duas vitórias, depois de vários anos de batalha : Véolia, a empresa que se retirou do tramway de Jerusalém porque perderia seus contratos nos países árabes. E também Orange, empresa de telefonia que se retirou de uma parceria com a empresa Partner para cobrir os territórios ocupados. A pressão da opinião pública é muito eficaz. Esse é um movimento pela liberdade de ser antissionista. O CRIF (Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França) usando um discurso do presidente Macron tentou aprovar uma lei que declara o antissionismo como um crime.

Eu participei deste debate com o livro « Antisionisme = antisémitisme ? Réponse à Emmanuel Macron » e fizemos muitos debates em toda a França, o que ajuda a esclarecer a opinião pública.

Nos Estados Unidos também as coisas mudam. Esta semana, uma pesquisa mostrou que dois terços dos americanos se dizem favoráveis a uma mudança na relação dos Estados Unidos com Israel.Em Israel as pessoas ficaram em pânico. Sabiam que a maioria dos judeus americanos desaprovavam a política de Trump e Netanyahou. E agora não são somente os judeus mas a opinião pública americana em geral. Apesar do peso dos evangélicos.

Leneide Duarte-Plon é co-autora, com Clarisse Meireles, de « Um homem torturado, nos passos de frei Tito de Alencar » (Editora Civilização Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, a autora lançou « A tortura como arma de guerra-Da Argélia ao Brasil : Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado ». Ambos foram finalistas do Prêmio Jabuti. O segundo foi também finalista do Prêmio Biblioteca Nacional






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