Cidades

Cidades de todo o mundo exigem medidas contra especulação imobiliária

Cidades como Lisboa, Nova Iorque, Londres, Berlim, Madrid, Paris, Montreal, Barcelona, Cidade do México, Seul, Durban e Amesterdão, assinam declaração conjunta na qual exigem medidas contra a expulsão de moradores dos centros urbanos

17/07/2018 09:52

 

 

Esta segunda-feira, a presidente do município de Barcelona, Ada Colau, apresentou, na cimeira das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a declaração Cities for Housing.

No documento, uma dúzia de grandes cidades de diferentes países comprometem-se a combater a especulação imobiliária e reclamam mais competências na hora de regular o mercado e mais recursos para melhorar os parques habitacionais públicos.

 declaração acordada por cidades como Lisboa, Nova Iorque, Londres, Berlim, Madrid, Paris, Montreal, Barcelona, Cidade do México, Seul, Durban e Amesterdão foca-se em cinco pontos: mais competências jurídicas e fiscais para lutar contra a especulação; mais financiamento para ampliar o parque de habitações sociais; fomentar alternativas habitacionais nas mãos de cooperativas; reduzir a utilização do veículo privado; e promover a cooperação entre cidades em matéria de habitação.

"Ou priorizamos a vida, ou priorizamos a especulação"

De acordo com Ada Colau, citada pela agência Efe, é preciso fazer uma escolha: "Ou priorizamos a vida, ou priorizamos a especulação", frisou, avançando que "é impossível garantir uma coisa se a outra for permitida".

A autarca assegurou que atualmente “a situação é crítica” e que as cidades “estão em perigo” face a um processo de “especulação global” que está a fazer disparar os preços das habitações.

O problema do acesso à habitação foi abordado por inúmeros participantes, entre os quais o autarca de Berlim. Michael Müller deu conta das estratégias do seu município para travar o aumento dos preços numa cidade que, nos últimos sete anos, viu a sua população aumentar em mais 280 mil pessoas.


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Entre outras medidas, a capital alemã voltou a financiar a construção de habitação acessível e deixou de vender terrenos municipais, para destiná-los ao sistema de habitação pública.

Para a relatora especial das Nações Unidas sobre o Direito à Habitação, Leilani Farha, o acordo supõe uma “mudança importante” para dar resposta à "especulação e às pressões impostas por atores financeiros”.

*Publicado originalmente na Esquerda.net



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