Cidades

Estudantes enfrentam polícia durante protestos em Recife

Estudantes pernambucanos protestaram contra o aumento de 9,55% nas tarifas de ônibus na região metropolitana, o segundo do ano. Polícia reagiu com violência.

18/11/2005 00:00

Mariana Martins - especial para a Carta Maior*

Recife - Desde o início da tarde de quinta-feira (17), estudantes do Recife protestam contra o aumento das passagens de ônibus e têm enfrentamento violento com a polícia. Na última sexta-feira, as empresas de ônibus anunciaram o aumento de 9,55% nas tarifas de toda a Região Metropolitana do Recife - segundo aumento do ano. Os anéis A e B, que são utilizados por cerca de 91% da população, tiveram um aumento de aproximadamente 19 centavos - passando a custar R$1,65 e R$ 2,50 respectivamente. De acordo com a reivindicação dos estudantes a passagem deveria custar R$ 1,30, 20% a menos do valor atual.

 

Os protestos começaram com o bloqueio da Avenida Conde da Boa Vista, um dos maiores corredores de ônibus da cidade, por volta das 14h, e em seguida alcançou outros pontos importantes do Recife. Os principais cruzamentos da cidade foram fechados e vários ônibus foram impedidos de circular.


Por volta das 21h, o Batalhão de Choque da PM interveio para dispersar o grupo de manifestantes que fechava o cruzamento na frente da Faculdade de Direito do Recife, ao lado do Parque Treze de Maio - outro importante ponto de passagem dos ônibus que circulam pelo centro. Utilizando bombas de efeito moral e spray de pimenta, a PM deixou treze estudantes feridos por espancamento.

 

De acordo com testemunhas, nenhum dos membros da PM ou do Batalhão de Choque tinha qualquer tipo de identificação, e durante a ação do batalhão ouviam-se gritos de ordem que mandava os soldados bater e sair. A ação do Batalhão atingiu também pessoas que não estavam na manifestação. Gabriela Santos, 21 anos, passava pela calçada do Parque Treze de Maio quando foi atingida por uma bomba de efeito moral. "Eu não estava no ato, estava vindo da igreja, ouvi quando o capitão mandou eles soltarem uma bomba e não deu tempo de correr".

 

Os policiais também teriam espancado pessoas que não estavam no protesto, como Pedro Renan, de aproximadamente 40 anos, que ficou desacordado depois de ter sido agredido pelos policiais do batalhão. Outros dois passageiros que esperavam ônibus também foram agredidos. Wildson Mendes da Silva estava sentado em um banco esperando o ônibus e não pode correr durante a ação porque estava com o pé imobilizado. Ele e outro amigo que o acompanhava foram agredidos com tapas na cara para intimidar os manifestantes que corriam pelas ruas.

 

Continuidade


 

O estudante Michel José da Silva, 19 anos, afirmou que o movimento não vai
parar até que as empresas se manifestem à cerca da redução das tarifas. "Até
agora os empresários não falaram nada sobre os protestos nem sobre as
reivindicações do movimento". Lucas Estevão da Silva, presidente da Associação Comunitária Independente de Três Carneiros e membro da comissão que sentou para negociar com a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) esclarece que os estudantes têm em sua pauta a redução de 20% no valor anterior das passagens de ônibus, a ampliação da meia passagem livre (que não seja restrita a estudantes) para os feriados, e a integração de um estudantes à composição do Conselho Metropolitano de Transportes.

*Colaborou Rodolfo Cabral




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