Cidades

Rio de Janeiro debate o futuro das cidades

Cidade sedia a quinta edição do Fórum Urbano Mundial, organizado pela ONU e pelo governo brasileiro e o Fórum Social Urbano, promovido por movimentos sociais.

23/03/2010 00:00

Clarissa Pont

Até sexta-feira (26), a cidade do Rio de Janeiro abriga dois pólos de debate sobre urbanização, seu impacto nas cidades e a relação com as mudanças climáticas no mundo. A 5ª edição do Fórum Urbano Mundial (FUM), com o tema “O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido”, é organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo governo brasileiro. A Confederação Nacional de Associações de Moradores (Conam) participa do FUM com atividades próprias. Também durante a semana e paralelo ao FUM5, ocorre o Fórum Social Urbano (FSU). O espaço pretende ampliar articulações dos movimentos sociais e redes do mundo todo que trabalham o tema, além de promover debates democráticos sobre redução de desigualdades, pobreza e conflitos urbanos.

Os dois encontros se dedicam a debater as cidades e a ocupação do espaço urbano. O Fórum Social Urbano espera mais de 10 mil pessoas no Centro Cultural da Ação da Cidadania. A programação inclui palestras, debates, oficinas e atividades culturais dentro de quatro eixos temáticos: criminalização da pobreza e violências urbanas; megaeventos e a globalização das cidades; justiça ambiental na cidade e grandes projetos urbanos; áreas centrais e portuárias. Enquanto isso, o evento da ONU reunirá cerca de 20 mil pessoas, no Cais do Porto, para debater a redução das desigualdades nas cidades. Ao menos uma boa notícia apareceu em ambos locais. O déficit habitacional do Brasil caiu de 6,3 milhões, em 2007, para 5,8 milhões, em 2008. Os dados foram apresentados pelo Ministério das Cidades, na abertura do FUM5. O estudo foi elaborado pela Fundação João Pinheiro.

As oportunidades de desenvolvimento e as implicações da realização de megaeventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 devem marcar as discussões do FSU. Alternativas para cerca de 120 comunidades, que serão removidas para instalação de infraestrutura durante as competições, como é caso da Vila Autódromo, em Jacarepaguá, que dará lugar ao Centro de Mídia dos Jogos Olímpicos, serão apresentadas. "As Olimpíadas estão sendo tratadas como uma oportunidade de negócios e não de se pensar a cidade como um todo. É um negócio que vai beneficiar a população em torno dos equipamentos, que está em áreas já beneficiadas da cidade", afirmou Guilherme Marques, um dos organizadores do evento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na abertura do FUM, onde convidou turistas a passear pela cidade maravilhosa sem medo, mas tomando cuidado por onde circular. "Estamos provando que é possível fazer uma combinação entre crescimento econômico e distribuição de renda, entre crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das pessoas, porque nós estamos fazendo aquilo que todos precisam fazer, que é uma forte política de distribuição de renda. Estamos muito longe, muito longe de chegar onde queremos, mas já fizemos muito mais do que muitos imaginavam que nós poderíamos fazer", disse.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presente no evento da ONU, afirmou que o próximo governo deve construir até 2 milhões de moradias para a população de baixa renda. A ministra defendeu a política habitacional do governo e disse que o programa Minha Casa, Minha Vida acabou com uma "ficção" existente no país: a crença de que o mercado daria conta da construir casas para a população de baixa renda.

Na programação do FSU, Carta Maior destaca as mesas "UM BALANÇO CRÍTICO DA HEGEMONIA NEO-LIBERAL NA CIDADE” e "É POSSÍVEL UMA NOVA CIDADE? PRÁTICAS E UTOPIAS”, as duas na tarde da quinta-feira (25). A promoção dos debates é da Rede Democracia e Justiça Urbanas – LABHAB/FAU/USP – ETTERN/IPPUR/UFRJ, com coordenação da professora Erminia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

“O Fórum Social Urbano se coloca como uma oportunidade única para desvendar a verdadeira cidade que procuram esconder atrás dos muros e tapumes, assim como atrás dos discursos sobre cidades globais com os quais muitos governos justificam investimentos bilionários em grandes eventos de marketing urbano. Neste sentido, os movimentos e organizações anfitriãs pretendem oferecer aos participantes internacionais e nacionais a possibilidade de conhecer um Rio de Janeiro que não está nos cartões postais nem na propaganda oficial, um Rio de Janeiro injusto e feio, mas que é também rico de resistência e criatividade popular”, diz a chamada para o evento.

Campanha Urbana Mundial
Durante o FUM, será promovida pela ONU uma Campanha Urbana Mundial. A idéia é manter instrumentos permanentes de debate e implementação das políticas e propostas que serão debatidas no Rio de Janeiro. Como descreve o documento do Fórum Urbano Mundial: “A Campanha Urbana Mundial que começa no Rio oferece um mecanismo para parceiros e instituições aproveitarem a riqueza do conhecimento, a informação especializada e a experiência produzida pelo Fórum Urbano Mundial para melhorar a política urbana nos níveis global, nacional e local”.

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