Cinema

'É Tudo Verdade': Glória à Rainha

Exibição gratuita: Plataforma Looke - 09/04 às 17h

08/04/2021 11:52

 

 
A grande tradição do xadrez russo está normalmente associada a nomes masculinos, como Anatoly Karpov e Garry Kasparov. No entanto, em plena Guerra Fria, quatro mulheres enxadristas da Geórgia conquistaram um lugar de destaque no panteão desse esporte. Graças a Nona Gaprindashvili, Nana Alexandria, Maia Chiburdanidze e Nana Ioseliani, o xadrez perdeu sua aura exclusiva de gênero e influenciou outras mulheres pelo mundo afora.

O documentário Gloria à Rainha (Glory to the Queen), produção de três países (Áustria, Geórgia e Sérvia) dirigida por Tatia Skhirtladze, apresenta as histórias daquelas hoje venerandas georgianas e suas incríveis façanhas. O longa evidencia os talentos e os esforços das quatro enxadristas, dentro do contexto da então União Soviética de usar aquele esporte – mas não só ele - como instrumento político (“A inteligência do socialismo deve ser mostrada num tabuleiro de xadrez”). Uma informação, não se sabe se anedótica, é revelada no filme para explicar o fato de a Geórgia produzir tantas campeãs nessa modalidade: por lá, é comum que as noivas ganhem um jogo de xadrez como parte do dote.



As mais galardoadas do quarteto, Nona Gaprindashvili e Maia Chiburdanidze, chegaram a conquistar 15 campeonatos mundiais. Nana Ioselini, durante uma competição no Rio de Janeiro, venceu 13 jogos, desbancando um recorde que pertencia ao americano Bobby Fischer. Vemos hoje essas mulheres – algumas já na condição de enérgicas babuchkas com seus netinhos - envolvidas em atividades relacionadas ao xadrez, organizando ou participando de competições. “O xadrez me faz viver mais”, afirma Nona Gaprindashvili.

Materiais raros de arquivo mostram as enxadristas na juventude em idílicas cenas familiares, como modelos da propaganda oficial soviética, e durante importantes torneios. Por sua força e brilho, a potência empreendida pelas quatro mulheres fez com que fossem comparadas a “uma unidade de combate”.

A importância cultural das campeãs georgianas pode ser atestada nos testemunhos de várias mulheres que ao nascer foram batizadas com seus nomes, como homenagem e desejo manifestado pelos pais de que as filhas também viessem a se tornar vitoriosas competidoras do tabuleiro no futuro. Desse modo, hoje a Geórgia pode contar com muitas Nonas, Nanas e Maias, símbolos de uma revolução realizada por quatro grandes damas do xadrez.

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