Cinema

'É Tudo Verdade': Zappa

Exibição gratuita: Plataforma Looke, 17/04 às 21h00 durante 24 horas

16/04/2021 11:08

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Créditos da foto: (Divulgação)

 
Revolucionário na arte e na vida

Frank Zappa conta no documentário Zappa que a música não fazia parte de sua infância. Seu interesse, até os 13 anos, residia na química, principalmente nos explosivos. Aos 6 anos, aprendeu a fazer pólvora. Aos 15, em sua última experiência, tentou pôr fogo na escola em que estudava. Essa inclinação incomum parecia antecipar o demolidor de convenções em que ele se transformaria como artista.

O documentário de mais de duas horas dirigido por Alex Winter mergulha na história do contestador de origem italiana morto em 1993, aos 52 anos. Embora sua imagem tenha sido associada à de um roqueiro, Zappa era, como a ele se referiu um dos entrevistados, uma “figura centrífuga” operando em vários níveis de criatividade.

Depois do seu interesse precoce por química e por filmes – graças a uma câmera Super-8 pertencente a seu pai –, os quais fazia e editava usando os próprios membros da família como atores (alguns aparecem no documentário), Zappa despertou para a música, contra as orientações dos pais, que o desencorajaram.

Tendo crescido em pequenas cidades da Califórnia, ele logo passou a se defrontar com valores conservadores, chegando a ser preso uma vez, situações que, segundo ele, constituíram seu aprendizado político. Ao contrário do que se poderia esperar de um jovem em plenos anos 1960, sua descoberta da música não se dá pelas portas do rock and roll, mas do rhythm and blues e de um disco do francês Edgar Varèse, um compositor de vanguarda. Esse início incomum impulsionaria um estilo que extrapolaria todas as definições.

Com a criação de sua primeira banda Mother of Invention e sua mudança para Nova York, Zappa conquista seu primeiro público, apresentando uma combinação de música teatral que misturava rock, pop, jazz e clássico, onde cabiam guitarras e trompas. As cenas de performances utilizadas no documentário são econômicas. As imagens de abertura mostram o artista durante um show na antiga Tchecoslováquia em 1991, como convidado das celebrações do fim do domínio soviético. Seu papel de outsider, por outro lado, ocupa muitos momentos do filme. Seu ativismo político o levou a pensar em disputar a presidência dos Estados Unidos, concorrendo com George Bush. Naquele momento de sua vida, Zappa já consolidara seu lugar na história da música americana, desafiando o establishment político e musical.

Depoimentos de groupies, da ex-esposa Gail Zappa e de músicos com quem Zappa conviveu o retratam como um obstinado, um perfeccionista, capaz de ensaiar até 12 horas por dia, e não dado a exibições de afeto no trato com seus colaboradores. O poder de sua arte, entretanto, provocou influências. Os próprios Beatles se diziam tributários do álbum “Freak out”, de Zappa, na concepção do clássico “Sgt. Pepper's”.

O vasto material de arquivo do filme mostra Frank Zappa em intensa atividade como compositor e ativista político, avesso ao conformismo e à mera busca pelo sucesso comercial, em sua postura de revolucionário na arte e na vida. Para os fãs e não fãs, trata-se de uma oportunidade de conhecer a trajetória de um grande artista iconoclasta do século 20.



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