Cinema

A Venezuela real filmada pela Assembléia Geral dos Povos

Delegados catalães produziram o doc 'Crônica de um golpe de estado falido', em fevereiro, e agora redistribuem o filme reforçando a resistência do governo à apropriação (ou roubo) de suas reservas de petróleo

23/09/2019 14:45

 

 
Este pequeno documentário, de apenas 20 minutos, diz muito sobre a guerra híbrida violenta e pertinaz desencadeada pelo governo Trump – funcionando como um dos berloques de sua campanha para reeleição - no qual ele declara, com audácia sem tamanho, a intenção de se apropriar (melhor dizendo: roubar) 50% do petróleo de propriedade da Venezuela e dos venezuelanos. Ou seja: 20% do petróleo mundial.

O filmete tem o objetivo de contribuir para frear o processo de neoliberalismo que se tenta implantar no país à força e foi produzido em fevereiro deste ano pelo grupo da Assembléia Geral dos Povos, seção de Barcelona, cuja reunião ocorreu na Venezuela naquele mês. Chama-se Crônica de um golpe de estado falido* e comenta a propaganda relacionada ao presidente Nicolás Maduro, para desqualificá-lo, como um ''ditador corrupto, sem cultura e sem moralidade''.

Esta, muitas das notícias falsas, das mentiras bombardeadas pelos meios de comunicação corporativos sul-americanos -  brasileiros, inclusive e sobretudo -  faz lembrar a entrevista concedida pelo presidente da Venezuela ao espanhol Ignacio Ramonet – do Le Monde Diplomatique, Libération e diretor da Mídia Watch Global -, um dos jornalistas vivos mais respeitados do mundo, no dia 8 de janeiro deste ano, no palácio Miraflores, em Caracas, e publicada em Carta Maior.

''Conheço Nicolás Maduro'', escreve Ramonet, ''há mais de dez anos, quando era ministro de Assuntos Exteriores do presidente Hugo Chávez. Foi uma espécie de ''chanceler'' da Revolução Bolivariana, apesar de o nome do cargo ser outro – como os míticos Litvinov e Molotov o foram para a revolução soviética, ou Chu-Enlai para a revolução chinesa, ou Raúl Roa para a revolução cubana – e o grande estrategista, junto o Comandante Chávez, de todas as batalhas ganhas pela complexa frente diplomática chavista''.

E acrescenta: ''Como se sabe, Maduro foi um destacado dirigente estudantil e um líder sindical legendário. Também é um homem de ampla cultura, com três paixões: a história, a música e o cinema. Dirigiu durante anos o principal cineclube de Caracas, e seus conhecimentos cinéfilos são de uma vastidão e de uma fineza impressionantes''.

Logo depois, dia 22 de janeiro, a Air France cancelou seus vôos para Caracas como forma de pressionar o governo, e o ridículo Guaidó se autoproclamou presidente da república do seu país, aos berros, nas praças da capital: ''Que venham os Estados Unidos para nos salvar''.

Logo depois, mostra o filme, no dia 14 de março diversos delegados da Assembléia Geral dos Povos baixaram aos hospitais e serviços de saúde venezuelanos com sinais severos de envenenamento.

As seqüências que mais chamam a atenção nesse curta, agora redistribuído pelo Movimento dos Sem Terra, (MST) no Brasil é que, à semelhança do que ocorreu no Brasil quando a classe média foi às ruas pelo golpe da presidente Dilma Rousseff, as multidões nas ruas aclamando Guaidó são compostas de mulheres e homens bem vestidos, bem nutridos e muitos vestidos à moda massificada norteamericana.

Ao contrário, o povo na rua apoiando Maduro, homens e mulheres modestos, da classe trabalhadora, vindos das províncias e das favelas da periferia da cidade.

Como objetivo prioritário, o mini documentário distribuído pelo Creative Commons no mundo, se detém mostrando as diferenças do que a imprensa internacional publica sobre a Venezuela e o país real, como eles o viram.

O seu recado: ''É possível vencer, sim, o governo mais poderoso do mundo''.

* Filme completo no Youtube:





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