Cinema

A pequenez da existência

Juntos, em um curta-metragem de 14 minutos, Wim Wenders e Edward Hopper enviam a sua mensagem

22/12/2020 12:09

(CC BY-NC 2.0)

Créditos da foto: (CC BY-NC 2.0)

 
Até meados de maio passado, o artista americano Edward Hopper foi homenageado na Suíça pela Fundação Beyeler, que lhe dedicou uma grande exposição com destaque para um curta-metragem em 3D de Wim Wenders, em que as pinturas de Hopper ganham vida.

Inspirado por Edward Hopper e pela sua maneira singular de retratar a solidão dos seres humanos em uma América em mudança, o cineasta alemão Wim Wenders  produziu um curta-metragem de 14 minutos, uma ''instalação em relevo'' de acordo com as palavras do diretor de Asas do desejo ao jornal Le Monde.

Intitulado Duas ou três coisas que eu sei sobre Edward Hopper , Wenders captura as mais conhecidas e mais belas cenas produzidas pelo pintor e injeta nelas movimento graças ao dispositivo 3D.



Entre uma (re) visita animada na tela  Summer Evening ou de  Morning Sun, confirma-se essa conexão artística. Hopper e Wenders gostam de colocar indivíduos solitários na turbulência do american way of life.

O filme cult parisiense de Wim Wenders, Paris, Texas, um conto centrado em um pai mutante, brilhantemente interpretado por Harry Dean Stanton, é talvez o melhor exemplo disso. Assim como nas pinturas de Hopper, perambula-se por ruas e cenários tipicamente americanos (um grande deserto, um motel, pavilhões…), guiado pela melancolia de um herói em busca dos seres que amava.

Nos últimos minutos do filme, o cineasta alemão dá lugar a um comovente reencontro entre mãe e filho, com uma enorme janela saliente ao fundo revelando edifícios se erguendo para o céu.

Um final carregado de emoção, lembrando, com certeza, pela saturação das cores e o posicionamento dos personagens dentro de um espaço arquitetônico grande demais para eles, toda a pequenez da existência. À maneira de Hopper.





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